"Minhas emoções caíram sobre mim como uma queda d'água - abruptas, densas, sem escolha." - Autor Desconhecido.
- 黒刀会 -
Era uma manhã ensolarada apesar de ainda ser inverno, a temperatura abaixo de zero e os flocos de neve ainda caem de maneira sutil pela cidade de Tóquio, as ruas e arquiteturas estavam em tons de branco e cinza, mas isso não tirava a beleza da cidade. Que por sua vez estava movimentada, na noite anterior houve um acidente, onde um caminhão desgovernado se chocou contra uma lanchonete, matando assim alguns civis e outras pessoas de cargos elevados, contudo ainda não obtive informações concretas de quem ou o que eles faziam.
Caminhei em direção à estação e bebi um delicioso Cappuccino para me esquentar nesse frio, são essas as desvantagens de viver em um país teoricamente quente e vir trabalhar em um local onde cada estação do ano é bem perceptível. No trajeto não deixo de colocar meus fones de ouvidos e por cima meu protetor de orelhas enquanto observo a vista de dentro do trem bala do bairro de Shibuya.
Com a cabeça encostada na janela enquanto sentia o doce e reconfortante calor do Sol em minha face fico a pensar no qual seria o meu verdadeiro propósito naquela delegacia. Será que sou apenas um "rostinho bonito" como meus colegas de trabalho pensam? Gostaria de ser algo além disso, o que infelizmente nem todos conseguem reconhecer. Ser filha do delegado geral não te dá outro nome a não ser "filhinha da autoridade policial". E sinceramente, o fato de ter aprendido o idioma deles, mudar o modo de agir, de se vestir e de se comportar não muda a realidade de que eles são homens e que não vão me ver como uma futura delegada muito menos como uma investigadora.
Chegando à delegacia de Shibuya, respiro fundo antes de abrir as portas e adentrar, preparando meu psicológico para mais um longo e repetitivo, foi quando senti alguém segurando meu pulso levemente e acenando na minha cara.
- Não estava me ouvindo? - Era Maya Hanami, minha amiga e companheira desde que entrei aqui há 3 meses.
- Desculpe - Tirei os fones de ouvido - Sempre tiro os fones quando chego no escritório.
- Eu sei querida, mas não aguentei em te ver cabisbaixa dessa maneira, hoje será diferente, confie em mim. - Maya tem essa mania de dizer que "sempre será um dia diferente", quando na verdade ele é a mesma coisa de sempre. Um dia comum e qualquer como todos os outros dias no calendário.
Segurando minha mão como uma forma de dizer, "está tudo bem"; "estamos juntas nessa" entramos. Desta vez os olhares foram para nossas mãos que estavam entrelaçadas.Tentava me afastar discretamente de Maya, mas apesar de ser fofa a garota possui uma determinação e não suporta baixar a cabeça para ninguém. Diferente de mim.
- Bom, quando eu acho que já vi de tudo nessas garotas - Dizia Yuki Ueno para Itsuki Nara, e pela sua entonação e a forma que gesticulou as mãos se referiam aos nossos corpos - Elas se tornam lésbicas, isso sim que é coragem, não ter medo de tomar um tiro na cara enquanto andam de mãos dadas - Ambos riem.
- Vocês esqueceram de um detalhe - Ryuji Sakamaki, um homem de 42 anos e que não possui o perfil e estrutura de um homem da lei, visto que o mesmo agride esposa e filhas - Enquanto alguns precisam ralar para chegar ao topo, outros já chegam com o caminho aberto - A grande parte continuava com insultos e piadas de duplo sentido.
Parecia que o escritório era de uma distância absurda quando não estava de fone de ouvido, diferente de Maya, acho que quem não tem estrutura para continuar em um ambiente tóxico e corrupto dessa maneira sou eu.
Maya sempre se mostrou forte, nunca dizia seu lado fraco, medos ou fraqueza a ninguém. Apenas para mim, claro. Sua mãe é japonesa e seu pai americano, viveu e cresceu em Roppongi aqui no Japão. Como temos a mesma idade e gostos semelhantes formamos uma amizade rápida. Eu a conheci há 4 meses antes de vir morar em Tóquio, naqueles aplicativos para treinar idiomas, e o motivo da escolha de vir para cá foi por conta de meu pai.
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MY SWEETEST SIN - DARK ROMANCE
Mystery / ThrillerKatherine Sorrentino sempre soube que precisaria ser duas vezes melhor para receber metade do respeito. Em uma delegacia onde olhares pesam mais que palavras, ela é constantemente subestimada - não apenas por ser mulher, mas por carregar em seu sobr...
