A cidade já não rugia mais. Onde antes imperava o caos urbano, agora restava um silêncio sepulcral, interrompido apenas pelo estalo de estruturas cedendo. O cenário era de uma beleza fúnebre, prédios parcialmente devorados pelas chamas, esqueletos de concreto exibindo suas entranhas como feridas abertas e tapetes de vidro moído cobrindo o asfalto. A fumaça subia em espirais preguiçosas, pesando o ar e dificultando cada inspiração. Em um canto, um poste solitário piscava em um ritmo agônico, como se a própria eletricidade estivesse exausta de resistir.
De repente, o firmamento se partiu, sem aviso, sem trovão, apenas uma PRESENÇA. Algo cortou a atmosfera em uma velocidade que desafiava a percepção humana, distorcendo o tecido do espaço por um milésimo de segundo antes do IMPACTO.
O chão não apenas quebrou, ele se liquidou sob a força. Uma onda de choque varreu a rua, convertendo poeira e detritos em projéteis. O som, um estrondo grave e visceral, veio com atraso, seguido por um silêncio denso de poeira suspensa. No epicentro da cratera, entre o fumo e o cascalho, estava EIDEN MORIAN.
Ele estava ajoelhado, as mãos cravadas no solo arruinado, seus dedos não tremiam de pavor, mas de um esforço sobre-humano. O sangue escorria quente pela testa, gotejando no cinza do concreto, o traje, outrora imponente, agora era uma colcha de retalhos de rasgos e queimaduras. Seu peito subia e descia em espasmos, lutando por um oxigênio que parecia insuficiente. Por um instante, o mundo parou, como se a própria realidade aguardasse o seu próximo movimento. Com um rosnado de dor, ele forçou os músculos, o corpo falhou, devolvendo-o ao chão em um baque seco, mas a vontade era maior que a biologia, na segunda tentativa, ele se ergueu, instável, pesado, mas vertical.
O vento soprou suave, limpando parte da fuligem de seu rosto. Eiden fechou os olhos por um segundo, absorvendo a exaustão, o mundo ainda estava lá, e o mundo ainda precisava dele.
Quando as pálpebras se abriram, os sentidos retornaram como uma avalanche, gritos, o ranger de metal retorcido e um som sibilante vindo em alta velocidade. Eiden girou o rosto e viu a cena, uma garotinha, paralisada pelo choque no meio da via. Um carro, arremessado como um projétil de duas toneladas, girava no ar em direção a ela.
Ele não hesitou. O chão sob seus pés cedeu quando ele rompeu a barreira da inércia, houve um estalo seco, o som do ar sendo deslocado, e no instante final, Eiden interceptou o veículo. O impacto o arrastou para trás, rasgando o asfalto sob suas botas, mas ele não cedeu, com os braços vibrando sob a tensão, ele arremessou a carcaça de metal para o lado. O silêncio retornou por um breve momento. Eiden se ajoelhou diante da pequena, cada movimento sendo uma batalha contra a gravidade.
— Ei... — A voz saiu rouca, quase um sussurro, enquanto ele limpava o sangue do lábio com o polegar. — Está tudo bem... Você está segura agora.
A menina, que segurava o próprio braço em um gesto reflexo de proteção, o encarou com olhos enormes, transbordando uma admiração que superava o medo.
— Você é o... METEOR.
Um meio sorriso, amargo e cansado, surgiu no rosto de Eiden.
— Vou levar você para um lugar seguro, está bem?
Ele tentou se levantar, mas o ar foi cortado por uma risada gélida e familiar. Uma vibração pesada ecoou pela rua.
— Fique atrás de mim! — ordenou ele, sentindo o perigo antes mesmo de vê-lo.
Da névoa de poeira, emergiu o VILÃO. Ele caminhava com uma calma insultuosa, impecável em meio à devastação que ele mesmo criara.
— Olha só... você insiste em se levantar. — desdenhou o antagonista, parando a poucos metros. — Eu aprecio isso. Quanto mais você tenta... mais eu posso me divertir em derrubá-lo.
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METEOR
ActionEm uma cidade marcada pela destruição e pelo caos, um único herói continua de pé. Eiden Morian, conhecido como Meteor, luta para proteger as pessoas... mesmo quando o mundo parece estar contra ele.
