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A música ainda vibrava nos ouvidos de Diane quando ela saiu da casa iluminada. Risadas, vozes e o grave distante das caixas de som escapavam pelas janelas abertas, misturando-se com o ar frio da noite. Ela respirou fundo.

Lana — Acho que nunca mais vou ouvir essa música sem lembrar desta festa — disse Lana, encostando-se ao carro.

Diane sorriu.

Diane — Dramática.

Lana — Realista — respondeu Lana, erguendo uma sobrancelha.

As duas riram. Era fácil rir quando estavam juntas, sempre tinha sido.
No colégio, todos conheciam Diane e Lana, não apenas porque eram bonitas ou inteligentes — embora fossem — mas porque havia algo entre elas que parecia sólido, natural como se o mundo fosse um pouco mais simples quando as duas estavam lado a lado.
Elas não eram arrogantes, nem faziam questão de atenção, ainda assim, atraíam olhares por onde passavam.
Diane abriu a porta do carro e jogou a bolsa no banco de trás.

Diane — Vamos antes que a Clara tente nos arrastar para mais uma rodada de karaoke.

Lana entrou no banco do passageiro.

Lana — Você sabe que ela vai mandar mensagem depois.

Diane — Eu ignoro.

Lana — Você nunca ignora.

Diane ligou o carro.

Diane — Eu ignoro emocionalmente.

Lana riu de novo, aquele riso leve que sempre fazia Diane sorrir sem perceber.
Por um momento, o mundo parecia perfeitamente equilibrado. A estrada estava quase vazia, as luzes da cidade iam ficando para trás enquanto o carro avançava pelas ruas silenciosas.

Lana apoiou a cabeça no vidro.

Lana — Você já pensou nisso? — perguntou de repente.

Diane — No quê?

Lana — No futuro.

Diane soltou um pequeno suspiro divertido.

Diane — Lana são duas da manhã.

Lana — Justamente. É a hora perfeita para perguntas existenciais.

Diane olhou rapidamente para ela.

Diane — Tá bom. O futuro. O que tem?

Lana ficou alguns segundos em silêncio.

Lana — Você acha que a gente vai continuar assim?

Diane — Assim como?

Lana — Juntas.

Diane franziu levemente a testa, como se a pergunta fosse estranha.

Lana — Claro.

Lana virou o rosto para ela.

Lana  — Você respondeu rápido demais.

Diane — Porque é óbvio.

Um sorriso pequeno apareceu nos lábios de Lana.

Lana — Eu gosto quando você tem certeza das coisas.

Diane apertou de leve a mão dela sobre o console.

Diane — Alguém precisa ter.

A estrada à frente estava escura, iluminada apenas pelos faróis. O silêncio entre elas era confortável, então tudo aconteceu rápido demais. Um clarão, faróis vindo na direção errada. Um som brutal de metal esmagando metal, u mundo virou ruído, vidro estilhaçando, o impacto depois silêncio.
O carro ficou imóvel no meio da estrada, o motor ainda soltava um som irregular, quase um gemido. Lana tentou respirar, mas o ar parecia preso no peito, sua visão estava turva.

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