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O despertador tocou às seis da manhã, mas Maya já estava acordada há pelo menos vinte minutos.
Ela sempre acordava antes do sol. Era um hábito que trouxe do Brasil, dos tempos em que precisava pegar dois ônibus para chegar à aula de canto. Agora, morando sozinha num pequeno estúdio em Seul, o ritual continuava: acordar, alongar-se na cama solteira, ouvir os primeiros pássaros brigando lá fora e agradecer - em silêncio - por estar viva.
O apartamento era minúsculo.
Cabia uma cama, um armário de porta de correr, uma escrivaninha abarrotada de cadernos de partitura e um cantinho que ela insistentemente chamava de "cozinha". As paredes eram finas; ela ouvia o vizinho de cima roncar e o de baixo reclamando da vida. Mas era dela. Alugado com o dinheiro que juntou dando aulas de dança online e fazendo trabalhos como backing vocal para uns produtores independentes.
Maya sentou na cama, espreguiçando.
Os cabelos negros escorreram pelos ombros como água, tão longos que passavam da cintura. Ela passou os dedos entre eles, desembaraçando distraidamente, enquanto os olhos castanhos ainda se ajustavam à claridade fraca que entrava pela cortina barata.
Hoje é um grande dia.
Não que ela fosse admitir em voz alta.
Primeiro dia na nova universidade. Uma das mais prestigiadas da Coreia do Sul. O tipo de lugar onde os sobrenomes pesavam mais que currículo, onde o dinheiro falava tão alto que ensurdecia. Maya conseguiu uma bolsa parcial por mérito artístico - sua voz e sua dança abriram portas que seu bolso nunca poderia pagar.
Ela não pertencia àquele mundo.
Mas isso nunca a impediu de entrar de cabeça erguida.
- Certo, Maya Mikaelson - disse para si mesma, olhando para o pequeno espelho rachado pendurado na parede. - Hora de brilhar.
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O banheiro era tão pequeno que ela precisava manter a porta aberta para conseguir levantar os braços. O chuveiro elétrico chiava, mas a água quente era um luxo que ela se permitia nos dias importantes.
Maya lavou os cabelos devagar, sentindo o perfume do shampoo de coco - barato, mas cheiroso - tomar conta do ambiente. Passou o condicionador nas pontas, desembaraçou com os dedos, deixou agir enquanto esfregava o corpo com a bucha vegetal. As marcas do tempo: a pele morena brilhava sob a água, as curvas desenhadas como se esculpidas por um artista que sabia exatamente onde exagerar.
Ela não era magra no padrão coreano.
Ela era brasileira.
Quadris largos, coxas grossas, cintura fina, seios fartos que teimavam em transbordar qualquer decote. O corpo que herdou da mãe carioca, a dança que corre nas veias, o jeito de mexer os quadris que era tão natural quanto respirar. E os traços delicados do pai coreano - os olhos puxados, a pele que bronzeava fácil, a expressão suave que contrastava com a explosão de curvas.
Maya nunca se sentiu deslocada por isso.
Mas sabia que os outros notavam.
Sempre notavam.
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Depois do banho, ela se enrolou na toalha felpuda - a única coisa cara que trouxe do Brasil, presente de despedida da avó - e ficou em frente ao armário.
O uniforme.
Todas as universidades de elite tinham uniforme? A dela tinha. Saia xadrez azul marinho e cinza, blazer do mesmo tecido, camisa branca de botão, meias até os joelhos, sapatos pretos sociais. O modelo era o mesmo para todas as alunas.
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Onde o Poder Mora
RomanceNa Coreia do Sul, o sobrenome Jeon não representa apenas riqueza. Representa poder, controle e silêncio. Maya Mikaelson nunca quis fazer parte desse mundo. Ela só queria estudar, dançar, cantar - existir. Mas ao atravessar as portas da mansão Jeon...
