Tribunal

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O vento de Shiganshina sempre foi mais forte perto da muralha.

Ayla lembrava disso.

Lembrava de correr pelas ruas de pedra com Eren logo atrás dela, reclamando que ela era mais rápida.

Lembrava de Mikasa observando os dois com aquele olhar silencioso e protetor.

Lembrava do sol batendo nos telhados, da sensação de que o mundo era pequeno demais para os sonhos do irmão.

— Um dia eu vou ver o mar! — Eren dizia, os olhos brilhando de determinação.

— Então eu vou junto — Ayla respondia, cruzando os braços. — Alguém precisa impedir você de fazer alguma idiotice.

Eren bufava.
Mas sorria.

Desde pequenos, os dois carregavam a mesma chama inquieta.

A mesma raiva contra as muralhas.

O mesmo desejo de liberdade.

Só que Ayla… sempre foi diferente.

Ela observava mais.
Pensava antes de agir.

E sentia coisas que não sabia explicar.

Às vezes, quando encostava na muralha, tinha a estranha sensação de que algo ali… respondia.

Como se existisse algo maior preso dentro daquelas pedras.

Ela nunca contou isso a ninguém.
Nem mesmo a Eren.

O dia em que tudo mudou começou como qualquer outro.

Até o céu escurecer.
Até o chão tremer.

Até o Colossal aparecer acima da muralha.

O estrondo ecoou pela cidade como o som do fim do mundo.

Eren ficou paralisado por um segundo.

Ayla não.

Ela segurou o braço do irmão.
— Corre!

O vapor quente queimava o ar.

Pessoas gritavam.
Casas eram esmagadas.

E então… o sorriso do Titã
Sorridente.

A mãe deles.

Ayla tentou puxar os destroços com as próprias mãos. Tentou mover a madeira, a pedra, qualquer coisa.

Eren gritava.
Mikasa chorava.
Mas não foi suficiente.

O mundo deles morreu naquele instante.

E algo dentro de Ayla… acordou.

Não foi naquele dia que ela se transformou.

Mas foi ali que a semente foi plantada.

Anos depois.💚

Tropa de Treinamento.

Eren ainda falava sobre exterminar todos os titãs.

Ayla não falava.

Ela treinava.

Treinava até os dedos sangrarem.

Até os músculos tremerem.

Ela não queria apenas vingança.

Ela queria respostas.

E então veio Trost.

O caos.

Os titãs invadindo.

Eren sendo engolido.

O desespero.

Ayla sentiu o mundo desabar outra
vez.

Mas dessa vez, algo explodiu dentro dela.

Uma dor aguda.
Como se ossos estivessem se quebrando e se reconstruindo ao mesmo tempo.

Seu corpo queimava.
Sua visão se distorceu.
E, quando abriu os olhos…
Ela estava acima das casas.
Gigante.
Respirando vapor.

O grito que saiu de sua boca não era humano.

Era o rugido de um titã.
Assim como Eren.

Dois.
Dois irmãos.
Dois monstros.

Lutando contra outros monstros.
E então…

Correntes.
Confinamento.
Olhares de medo.

O julgamento  — Tribunal Militar 💚

O salão estava lotado.
Oficiais das três divisões.
Olhares carregados de desprezo.

Eren ajoelhado, acorrentado.
Ayla ao lado dele, igualmente presa.

Silêncio pesado.

— Eles são armas perigosas — alguém declarou. — Não podemos confiar em titãs dentro das muralhas.

Ayla manteve o queixo erguido.
Eren estava furioso.
Ela estava… calculando.

Até que ele entrou.
Passos firmes.
Olhar afiado.

Levi Ackerman.
O homem mais forte da humanidade.

Ele parou diante deles.
Observou primeiro Eren.

Depois… Ayla.
O olhar dele demorou um segundo a mais nela.

Não por curiosidade.
Mas por análise.

— Então são dois agora — ele disse, a voz fria como lâmina.

O julgamento começou.

Acusações.
Medo.
Propostas de execução.

E então Eren perdeu o controle.
Gritou.
Se debateu.
O salão entrou em tensão.

E foi nesse momento que Levi se moveu.
Rápido.
Preciso.

O chute ecoou pelo tribunal quando atingiu o rosto de Eren.

Choque geral.
Mas não parou ali.

Levi segurou o colarinho dele.
— Se não consegue controlar suas emoções, não serve como arma.

Silêncio.

Então ele virou o rosto.

Para Ayla.

Os olhos dela não tremiam.
Mesmo acorrentada.
Mesmo ameaçada de morte.

Ela sustentou o olhar dele.
Sem medo.
Sem submissão.

Levi estreitou os olhos.
— E você?

A pergunta foi baixa.
Só para ela ouvir.

Ayla respondeu sem hesitar:
— Se for para lutar… eu controlo.
O canto da boca de Levi quase se moveu.
Quase.

Ele se virou para o comandante.
— Eu assumo responsabilidade por ambos. Se perderem o controle… eu mesmo os mato.

O tribunal murmurou.
A decisão foi tomada.

Eles seriam entregues à Divisão de Reconhecimento.

Sob comando direto de Levi.

Quando as correntes foram removidas, Ayla sentiu algo diferente.

Não era medo.
Era a sensação de que sua vida tinha acabado de se entrelaçar com a dele.

Levi passou por ela.
Parou ao seu lado por um breve segundo.

Baixo o suficiente para que só ela ouvisse.
— Não me dê motivos para me arrepender.

O coração dela bateu forte, por
reconhecimento.

Ele não a via apenas como um monstro.

Ele a via como uma arma.

E talvez…

Como algo mais perigoso.

Bem Vinda a Divisão de Reconhecimento - Levi AckermanGeschichten, die süchtig machen. Entdecke jetzt