A casa principal sempre esteve nesse silêncio sepulcrante, nunca fiquei realmente confortável estando dentro dessas paredes frias, nunca me senti em casa aqui, talvez porque essa não é minha casa, isso aqui é o palácio da casa principal onde o líder vive, e no fim do dia, independente de por onde eu tenha andado, continuo tendo essa marca na minha testa, continuo sendo só o sobrinho secundário de um crápula.
Eu não deveria participar de reuniões, não deveria estar andando para me encontrar com o concelho, mas ser requisitado significa que eu não tenho poder de escolha, arrastei meus pés pelo piso o máximo que consegui, assim que entrei na grande casa fui jogado para uma enorme sala vazia, os concelheiros ajoelhados em duas filas de almofadas, no fundo Hiashi, me encarando como se fosse mais um problema.
— Sobrinho. – ele cumprimentou apontando para uma almofada bem na sua frente.
Caminhei até ele me ajoelhando e depois me curvando um pouco. Eu não podia olhar em seus olhos por mais que quisesse esgana-lo.
— Infelizmente, temos um questão em mãos que envolve você. – ele começou.
— Tenho certeza que posso redimir meus erros, líder, sei que posso
— Você não errou, sobrinho, a questão envolve você como uma solução. – ele suspirou – Desde o fim da guerra existem rumores se espalhando pelo meu clã como uma doença parasitária, a casa secundária estaria começando a se rebelar.
— Eu não sei de nada, líder, jurei minha lealdade a casa princi
Ele ergueu a mão e me estapeou no rosto, o ardor foi imediato e ainda assim eu não me mexi, mesmo que estivesse com o maxilar travado e os dedos se contorcendo para revidar.
— Me deixe terminar de falar, moleque! – ele se endireitou uma segunda vez e respirou fundo como se tentasse recuperar o controle – Alguns dos homens da casa secundária estão planejando se rebelar e não podemos nos dar ao luxo de uma guerra interna, os Uchihas estão aí como prova. Sendo assim, estou adiantando um plano antigo que tínhamos em mãos desde o nascimento da minha filha mais velha.
Ele levantou e se virou de costas, indo até a parede de fundo do salão e pegando de lá uma caixa de madeira, quando voltou pra mim, uma empregada, da casa secundária, pegou a caixa de suas mãos e a colocou na minha frente cuidadosamente, ele permaneceu de pé como se tentasse me lembrar a diferença de nós dois.
— Eu não tenho herdeiros homens, Neji, seria uma grande decisão colocar Hinata como líder de um clã, temos tradições e tradições não mudam.
Os tempos mudaram, muita coisa mudou, mas nada disso importa dentro desse clã, eles são conservadores de merda que preferem ver o clã ruir a ver uma mulher os comandando.
— Então, estou feliz em ter achado uma solução para dois problemas.
— Não sei se estou entendendo. – eu estava, e foi por isso que minha garganta começou a fechar, foi por isso que as palmas das minhas mãos começaram a suar e foi por isso que o sorriso da minha prima brilhou na minha cabeça.
— Você vai se casar com Hinata, sobrinho, e vai ocupar a cadeira de líder.
— Eu recuso!
Saiu mais alto e desesperado do que achei que sairia, quando ergui a cabeça para olhar o maluco do meu tio eu assisti a veia no pescoço dele inchar e então seu punho descendo pelo meu rosto, o osso da minha bochecha estalou e senti sangue escorrer por dentro da boca.
— Ela é minha prima!
Outro soco.
— Não!
Mais um.
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Linhagem Sangue Puro
Fanfiction!!!Isso é uma história de tabuu romance (primo x primo)!!! Estar preso a um selo sempre foi algo delicado para Neji, o fato de que a qualquer momento seu tio poderia decidir brincar com ele o acionando, a dor excruciante o massacrando de dentro para...
