Ao primeiro sinal de tontura, Thee deveria ter avisado Mok.
Era incomum que alguém como ele, sempre forte para bebidas, apresentasse qualquer fraqueza, mas sua arrogância falou mais alto. Decidiu ignorar o mal-estar e culpar o cansaço. Afinal, as últimas semanas tinham sido um inferno devido à expansão territorial da família Sam, uma nova gangue composta por seis irmãos, duas mulheres e quatro homens, todos de origem desconhecida, mas com traços tailandeses, coreanos e ingleses.
Seus domínios começaram aos poucos pela Europa e Estados Unidos. Eles assumiram quase que completamente o mercado de armas, especialmente as biológicas, havia boatos de que até o próprio governo comprava deles. Depois de quatro anos de atuação, a gangue expandiu seu poderio para a Ásia e consolidou-se como conhecida nos mercados tecnológico, político e até das artes, já que cada irmão possuía sua própria profissão, que servia para acobertar suas verdadeiras atividades.
O mais velho era Kamin, um notável detetive e inspetor. Em seguida vinha Mon, uma empresária muito reconhecida no ramo da hotelaria e cassinos. Depois havia Thup, um jovem pintor e curandeiro, seguido por Peachayarat, um fotógrafo que aparentemente comandava todas as operações, ele, junto com Kamin, eram os mais reservados da família. Por fim, os mais novos: Tine e Plub, ambos estudantes que trabalhavam meio período na empresa da família. Juntos, eles começaram a mudar todas as antigas regras estabelecidas.
Thee, assim como sua família, sabia que era questão de tempo para eles sofrerem com as mudanças, por esse motivo, ele estava naquele bar no centro de Seul, cercado por luzes de néon e o cheiro pesado de cigarro, caçando aliados ou qualquer migalha de informação sobre os Sam.
Normalmente, essa função era de Rome, mas seu irmão tinha adoecido. Sem tempo a perder, Thee assumiu o posto. O que ele não colocou na balança, porém, foi que o jogo de cintura do submundo era muito mais traiçoeiro do que esperava.
Thee começou a transpirar. Um desconforto ardente tomou conta sob sua pele. Ele procurou Mok com o olhar, mas o segurança havia sumido. O pânico deu o primeiro sinal: Mok jamais sairia do seu posto por vontade própria, especialmente em um lugar tão perigoso. Por isso, Thee pediu licença aos convidados para ir ao banheiro.
— Fique à vontade, Khun Thee — um deles respondeu.
Thee sentiu a malícia no tom de voz, mas não podia parar agora.
Ele firmou a postura até sair da vista deles. No entanto, assim que dobrou o corredor, seus ombros cederam. Encostou a mão na parede para não cair. Suas pupilas dilataram, a visão embaçou e um calor intenso tomou conta de seu corpo. Ele tremia. As roupas pareciam sufocá-lo, apertadas e quentes demais. Tentou pegar o celular para ligar a Mok, mas o bolso estava vazio.
— O quê?... — balbuciou.
O aparelho estivera ali minutos antes. Então, lembrou-se: Jeon Park esbarrando nele, o toque leve dos dedos que ele pensou ser um flerte... na verdade, fora outra coisa. Como pôde ser tão descuidado?
De repente, passos ecoaram na escadaria.
— Você tem certeza de que colocou a dose certa na bebida dele? — perguntou uma voz.
— É claro que sim.
— Ótimo. Precisamos nos apressar antes que o efeito passe.
— Duvido. Aquele afrodisíaco foi modificado no laboratório para durar horas a fio. Sinceramente, estou surpreso que ele ainda não tenha se tornado uma cadela pedinte.
Os homens riram, um som carregado de escárnio que fez o sangue de Thee gelar. Então era por isso que se sentia daquele jeito. Ele precisava sair dali agora, mas antes que pudesse se mover, um guarda o avistou.
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Dramatic
Fanfiction- Você deu o rabo pra QUEM?!- Rome berrou enquanto olhava para Thee em estado de choque. O rosto de Thee ferveu em um vermelho escarlate. Ele avançou para tapar a boca do irmão, mas Rome desviou com um passo lateral, rindo de sua desgraça. - Dá pra...
