Sou péssimo com palavras.
Sempre fui.
Mas gostaria de saber o que dizer toda vez que minha mãe chora, externalizando sua dor.
Olho para ela, tentando trazer alguma espécie de conforto. A velha vira a cabeça na mesma hora, aparentando não notar meu olhar de quem finge entender o luto de uma mãe por um filho que respira em terra firme.
Se pá essa não foi a melhor das minhas ideias.
Dona Fátima odeia chorar com plateia assistindo.
Deve ser péssimo, pois seus olhos a traem sempre que podem agora.
Chora forte, desde que meu irmão foi preso.
Wellington.
Eu juro de pé junto que queria gostar do meu irmão.
Queria mesmo, papo reto.
Só que sinto um ódio genuíno de sua cara toda vez que noto a falta de brilho nos olhos de minha coroa.
Ela nem dorme direito, vai trabalhar temendo que algum mal afliga Wellington na cadeia.
Parte de seu dinheiro é destinada ao filho, compra o que julga necessário para ele e para si, estourando nosso orçamento. Se concentrou nisso, esquecendo de seus outros dois filhos.
Sou eu que faço nossas compras, eu que cozinho e limpo a casa, eu que ajudo Herbet com as tarefas de casa.
Às vezes, tenho vontade de sacudir seu corpo maltratado até concertar o que dói. Exigir rudemente que volte para nós, os que restaram.
Gostaria de perguntar se ela faria o mesmo caso fosse eu o traficante.
Caso fosse eu o bandido.
Aposto que não.
Wellington é seu primogênito.
Por uns oito anos, foram somente os dois, até eu vir para somar. Viveram suas desgraças juntos.
Não sei se me encontro em posição de julga-lá em voz alta.
No fim, ela continua sendo uma mãe e o tráfico, um devorador de filhos.
Foi o que ela disse, quando sentamos no chão de casa, sem Wellington e sem dignidade.
Lembro bem.
Emboscaram Wellington no matagal ali perto.
Foi o que ele falou para Dona Fátima, porque a gente não teve tempo nem de dar adeus.
No dia, a minha velha contou o que iria acontecer com meu irmão, cheia de temores e ódio. Ódio de quem? Eu lutei para saber se do filho ou da polícia.
- Nessa desgraça de tráfico tu sabe que não existe amigo, Max - ela controlava as lágrimas. - Wellington queria sair disso, tu sabe! Ele me disse com todas as letra! Mas uma vez dentro, é difícil vazar. Falou pros cara que ia dar no pé e entregaram ele pra merda da polícia. Isso que é amigo! Eu bato no peito que foi algum daqueles marmanjo que pisava o pé aqui! Deu sorte de sair vivo, sem um tiro na cabeça - Minha mãe, então, começou a chorar. Ela, que nunca chorava na frente de ninguém. - Eles cobram e o preço é caro. Se o teu irmão sair da cadeia com vida, corre risco aqui fora. Eu não sei o que fazer, Max...
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Prece aos descrentes.
General Fictionmaxiel odeia seu irmão mais velho e procura amar sua mãe. de seu pai, sabem pouco. ele mesmo sabe pouco de si e dos outros. tudo o que faz da vida é cuidar da mãe álcoolatra, tomar o papel do pai de seu irmão mais novo e distrair a mente com os amig...
