Propagando amor.

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[Londres, Inglaterra]
[12 de fevereiro de 1934 — 17:23]

Várias pessoas caminhavam pelas ruas de Londres naquela tarde fria. Entre elas, sob a cobertura de uma velha varanda, encontrava-se um grupo de oito mendigos deitados no chão sujo. Entre eles, um homem em específico se levantava constantemente, gritando e parando quem passava pela calçada.

Ele interceptou uma mulher que caminhava apressada. Vestia roupas elegantes: um vestido branco impecável e um chapéu de couro adornado com uma pequena pena.

— Ei… dê-me uma esmola, por favor. Tenha misericórdia da minha gente… — implorou o homem, com roupas esfarrapadas e a voz falha.

A mulher franziu o rosto, visivelmente enojada.

— Ugh… credo… saia da minha frente, Tash… — disse ela, tentando passar por ele.

Chamavam-no assim por ser um apelido que lembrava trash — lixo.

T — Tenha piedade, senhorita… somos um povo carente. Não fizemos nada para merecer tanto ódio… — insistiu Tash, ajoelhando-se e juntando as mãos em súplica.

— Não. Vocês são a escória da sociedade

Respondeu ela, elevando o tom.

— Um bando de viciados inúteis. Não me pare novamente ou chamarei a polícia.

Sua voz carregava desprezo e superioridade. Em seguida, virou-se e foi embora, deixando Tash falando sozinho.

Mesmo assim, ele continuou parando outras pessoas na rua. Algumas cuspiam em sua direção, outras riam de sua miséria. Houve quem jogasse moedas, mas também quem o empurrasse ou o ameaçasse, mandando-o calar a boca, chamando-o de louco.

Horas depois, Tash voltou até os outros.

T — Pessoal… consegui algumas moedas… — disse, segurando-as na mão trêmula.

T — Não é o suficiente pra comprar pão pra todos… mas eu vou dar um jeito. Eu prometo.

Havia uma tristeza profunda em seu semblante.

Ele caminhou por algumas ruas até chegar a um pequeno mercado. Entrou, comprou dois pães com o pouco que tinha e saiu rapidamente.

Ao retornar ao local onde costumavam ficar, percebeu algo errado.

Três dos oito haviam desaparecido.

T — Onde eles estão? — perguntou Tash, alarmado.

— Foram levados… — respondeu o mais jovem entre os cinco que restavam.

— Alguns homens apareceram. Eles estavam bêbados e agressivos. Espancaram os três… depois os arrastaram daqui.

Tash distribuiu os pães aos companheiros e, sem dizer mais nada, saiu à procura dos amigos.

Andou por horas. Entrou em becos escuros, bateu em portas, tentou pedir ajuda em lojas. Em todas foi expulso. Nenhum homem, nenhuma mulher, nenhum policial lhe ofereceu auxílio.

Exausto e derrotado, desistiu da busca e decidiu voltar para o que chamava de casa.

No caminho, passou por uma loja de eletrônicos. Uma multidão se aglomerava diante da vitrine, fascinada por uma novidade tecnológica: um rádio. O aparelho transmitia um noticiário sobre um assassinato ocorrido em um bar.

Tash aproximou-se e ouviu comentários:

— Que pena…
— Talvez fosse um homem bom…

Ele observou aquelas pessoas com atenção. Pela primeira vez, algo fez sentido em sua mente.

As pessoas só se importavam quando algo se tornava tragédia.

Seguiu andando pelas ruas, enquanto uma ideia começava a se formar — distorcida, perigosa… mas, para ele, absolutamente necessária.

E decidiu colocá-la em prática o mais rápido possível.

Quando Ninguém Está Olhando.Stories to obsess over. Discover now