Capítulo 1 — O Alfa do Submundo
Jungkook aprendeu cedo que o poder não gritava.
Ele se impunha.
No submundo, sobrevivia quem entendia isso. Quem sabia quando falar, quando calar e, principalmente, quando olhar. Jungkook dominava esse jogo como poucos. Cada território que carregava seu nome não havia sido conquistado com explosões desnecessárias, mas com decisões frias, rotas bem traçadas e gente suficiente com medo de decepcioná-lo.
O galpão estava silencioso demais.
Jungkook caminhava pelo espaço com passos firmes, o som das botas ecoando no concreto. O cheiro de Alfa dominante se espalhava de forma controlada — não agressiva, mas impossível de ignorar. Os homens ao redor se moviam rápido, atentos, evitando cruzar seu caminho.
— A carga — disse ele, sem levantar a voz. — Está inteira?
— Sim, chefe — respondeu um dos homens, rápido demais.
Jungkook parou.
Virou o rosto lentamente, encarando-o.
— Eu não perguntei se estava inteira — disse. — Perguntei se alguém tentou meter a mão onde não devia.
O homem engoliu seco antes de negar. Jungkook assentiu uma única vez e voltou a andar. Não precisava confirmar tudo. Bastava mostrar que sabia.
O tráfico não era só droga. Era influência. Era controle de ruas, de pessoas, de silêncios comprados. Jungkook sabia exatamente quanto valia cada um deles — e quanto tempo levaria para quebrar quem ousasse traí-lo.
O celular vibrou no bolso.
— Fala — atendeu.
— Temos um problema — disse a voz do outro lado. — Um ômega.
Jungkook franziu o cenho.
— Ômegas não são problema — respondeu. — Pessoas imprudentes são.
— Esse é diferente — insistiu a voz. — Ele anda fazendo perguntas.
O endereço veio logo depois.
Jungkook desligou sem responder.
O carro cortou a cidade enquanto a noite engolia tudo ao redor. Ele dirigia com foco absoluto, mente calculando possibilidades. Pessoas curiosas demais costumavam desaparecer rápido naquele mundo. Era simples.
O problema foi quando ele sentiu antes de ver.
O prédio era antigo, mal iluminado. Jungkook subiu as escadas com passos lentos, o instinto Alfa se mexendo de forma estranha sob a pele. O ar ali estava diferente. Mais quente. Mais carregado.
Aquilo não fazia sentido.
A porta do apartamento estava entreaberta.
Jungkook empurrou com cuidado.
E foi ali que ele viu Jimin.
O ômega estava no centro da sala, braços cruzados, postura tensa, olhos atentos. Não parecia assustado. Parecia irritado. O cheiro veio forte, direto, sem pedir licença.
Ômega Lúpus.
O impacto foi imediato.
O Alfa dentro de Jungkook reagiu com força, exigente, territorial — e ele precisou se conter. Não agora. Não ali. Não daquele jeito.
Mas o olhar… o olhar foi inevitável.
Lento. Avaliador. Safado.
Jimin percebeu no mesmo instante.
— Vai ficar me olhando ou vai falar logo? — disparou, erguendo o queixo.
O canto da boca de Jungkook se curvou num sorriso preguiçoso, interessado demais para ser neutro.
— Você sempre começa conversas assim? — perguntou, fechando a porta atrás de si. — Ou é só comigo?
— Não confunda falta de medo com interesse — Jimin respondeu. — Eu sei quem você é.
— Ótimo — Jungkook disse, dando um passo à frente. — Facilita as coisas.
Ele se aproximou devagar, sem tocar, deixando o cheiro de Alfa se espalhar um pouco mais. Não era ameaça. Era provocação calculada. Jungkook sabia exatamente o que fazia — e sabia que só fazia aquilo com Jimin.
Jimin sentiu. O corpo reagiu antes da mente, e isso o irritou.
— Para com isso — disse. — Acha que eu não percebo?
— Percebe — Jungkook concordou, inclinando a cabeça. — E continua aqui.
O silêncio entre eles ficou denso.
— Você destrói vidas — Jimin disparou. — Vende veneno e chama isso de controle?
Jungkook ergueu uma sobrancelha, claramente divertido.
— E você entra no meu território para dar lição de moral? — perguntou. — Corajoso… ou inconsequente.
— Alguém precisava dizer — Jimin rebateu. — Eu não abaixo a cabeça só porque você é um Alfa poderoso.
O instinto de Jungkook se agitou.
Ômegas não costumavam enfrentá-lo assim. Muito menos olhando daquele jeito. Desafiador. Vivo. Afiado.
— Gosto quando falam comigo assim — ele murmurou, baixando um pouco a voz. — Me dá vontade de testar até onde vai essa coragem.
— Eu não sou seu brinquedo — Jimin respondeu, firme.
O sorriso de Jungkook cresceu, lento, perigoso.
— Ainda bem — disse. — Brinquedos quebram fácil.
O olhar dele desceu e subiu sem pressa, deliberadamente íntimo.
— Você… — fez uma pausa proposital — aguentaria mais.
Jimin sentiu o coração bater mais rápido. Ódio e algo indefinível se misturaram no peito.
— Você é nojento — acusou.
— Só com você — Jungkook respondeu, sem vergonha alguma.
O silêncio voltou a pesar.
Por um momento, Jungkook considerou mandar Jimin embora para sempre. Apagar aquele problema antes que crescesse. Mas o Alfa dentro dele rosnou em discordância.
Reconhecia algo ali.
— Vai embora hoje — Jungkook disse por fim. — Antes que eu resolva te manter aqui.
Jimin sustentou o olhar por mais um segundo antes de passar por ele, o cheiro ficando no ar como um desafio aberto.
Quando a porta se fechou, Jungkook ficou sozinho.
O problema não era o tráfico.
Não era a polícia.
Não era o poder.
O problema era que, pela primeira vez, alguém entrou no território dele, bateu de frente… e despertou algo que ele não queria controlar.
— Ômega atrevido… — murmurou, sorrindo sozinho.
E Jungkook raramente sorria sem motivo.
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O Ômega Que Desafiou O Alfa
FanfictionSinopse Jungkook é um Alfa que domina o submundo com silêncio e controle. No tráfico, não há espaço para sentimentos - apenas poder, território e lealdade. Jimin é um Ômega que não se curva. Lúpus, orgulhoso e direto, ele entra no território errado...
