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Miyako fechou os olhos, sentindo o peso da exaustão. Ela havia passado por tanta coisa em apenas algumas semanas, desde que o mundo havia mudado NÃO DURMA.
A voz em sua mente a alertou, mas ela tentou ignorá-la, revirando-se desconfortavelmente.
NÃO DURMA.
A voz se tornou mais insistente, mais urgente, e Miyako sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ela sabia que não podia dormir, não agora.
A voz em sua mente era uma velha conhecida, uma companheira constante desde a infância,desde que aprendera a fugir das pessoas.
Miyako não sabia se era sua consciência ou algo mais, mas sabia que não podia ignorá-la.
Com um suspiro, Miyako abriu os olhos e se sentou no chão da sala, olhando ao redor para os corpos adormecidos dos outros.
A casa de Sophie estava silenciosa, exceto pelo som ocasional de um zumbi arrastando-se do lado de fora das janelas pregadas com tábuas.
Ela olhou para Karma, que estava deitado ao seu lado, e sentiu um misto de emoções.
Ele parecia tão tranquilo, tão inocente, mas Miyako sabia que não era bem assim.
Ela se levantou silenciosamente, não querendo acordar os outros.
Precisava se certificar de que estavam seguros, que os zumbis não estavam tentando encontrar uma maneira de entrar.
Miyako se aproximou de uma das janelas e olhou pelas frestas das tábuas, tentando ver se havia algum movimento suspeito lá fora.
Quando ela se virou para voltar para o seu lugar, notou que Aiko estava sentada no canto da sala, olhando para ela com olhos arregalados.
Miyako sorriu e se aproximou da menina, sentando-se ao seu lado.
Miyako envolveu Aiko em um abraço suave, tentando oferecer conforto à menina assustada.
— Você deveria estar dormindo, Aiko... — ela sussurrou, tentando manter a voz calma e tranquilizadora.
Aiko tremia nos braços de Miyako, sua pequena figura sacudida pelo medo e pela incerteza.
A menina havia passado por experiências traumáticas demais para alguém tão jovem, e Miyako sentia uma profunda compaixão por ela.
— Eles não me deixam dormir... — Aiko respondeu, sua voz trêmula e insegura.
Miyako sabia que Aiko provavelmente estava se referindo aos zumbis do lado de fora, cujos grunhidos e batidas nas portas e janelas ecoavam pela casa—Ela apertou Aiko mais forte, tentando transmitir um senso de segurança e proteção.
— Está tudo bem, Aiko... — Miyako sussurrou, tentando acalmá-la. — Estamos aqui para cuidar de você. Você está segura.
A arroxeada voltou seu olhar para Karma,que resmungou ainda em seu estado de sono.
Após alguns momentos de remelexo do albino,ele abriu os olhos devagar,inconcientemente se aproximando de Miyako.
Miyako sentiu o calor do corpo de Karma ao se aproximar, seu olhar sonolento se fixando nela com um sorriso preguiçoso.
As presas afiadas brilharam na penumbra da sala, e Miyako não pôde evitar um arrepio ao ver o contraste entre a expressão tranquila de Karma e a ameaça que ele representava.
— Luazinha... bom dia... ou ainda é noite? — ele murmurou, sua voz rouca e levemente sensual,fazendo Miyako sentir um calafrio na espinha.
— Ainda é noite — ela respondeu, tentando manter a voz firme apesar da proximidade de Karma—Ele sempre parecia saber exatamente como afetá-la.
Karma bocejou, esticando os braços e arqueando as costas em um movimento felino.
Seus olhos nunca deixaram os de Miyako, e ela sentiu um sorriso se formar nos seus lábios ao ver a expressão sonolenta de Karma.
— Hmm... ei, vocês não deveriam estar dormindo? — ele perguntou, sua voz ainda rouca de sono, enquanto se encostava em Miyako com uma familiaridade que parecia natural para ele.
Miyako sentiu o peso do braço de Karma ao redor de seus ombros, e Aiko, que estava agarrada a ela, olhou para Karma com olhos curiosos.
— Eu estou sem sono, e a Aiko não consegue dormir — Miyako explicou, acariciando o cabelo da menina.
Karma franziu a testa, seu olhar se tornando mais sério ao ouvir o som distante dos zumbis.
— Os zumbis estão fazendo muito barulho, não é? — ele perguntou, sua voz agora mais alerta e protetora.
Aiko assentiu, ainda agarrada a Miyako, e Karma imediatamente se tornou mais vigilante. Seu olhar varreu a sala escura, procurando por qualquer sinal de perigo. Miyako sentiu um arrepio percorrer sua espinha ao ver a mudança em Karma, sua personalidade protetora emergindo em resposta à ameaça. Ela sabia que, com Karma ao seu lado, estava segura. Pelo menos, por enquanto.
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