O fim do ensino médio parecia mais um velório do que uma celebração. Quinze anos cercada pelas mesmas vozes, e agora, tudo soava distante... quase morto.

Cansativo?! — a voz de Ivy cortou meus pensamentos, fria e repentina, enquanto seus braços me envolviam por trás num salto.

— Ivy! — ofeguei. — Não me assusta assim!

— Por que está falando sozinha?

— Só... me perdi em alguns pensamentos altos demais.

Ela riu, mas eu já não ouvia. Os corredores me engoliam com seu silêncio abafado. Cada passo ecoava como um sussurro antigo.

Desde o jardim de infância me sinto perdida entre essas paredes — agora, mais do que nunca. As perguntas se multiplicam, mas as respostas são sombras... frágeis, fugindo ao menor lampejo de razão.

O sinal soou, estridente como um aviso.

Três aulas depois, despertei do nada, o coração disparado. Um sussurro — quase um lamento — roçou meu ouvido: "Aconteceu de novo."

Desci as escadas com as pernas trêmulas, até o último degrau. Lá estava ele.

Mais um corpo. Mais um aluno.

Os olhos abertos, fixos no nada — como se contemplassem o próprio vazio que habitava aquela escola.

O murmúrio dos outros parecia distante. Alguns choravam, outros apenas observavam, entorpecidos pela rotina da tragédia.

Mas o que, em nome de tudo que é vivo, estava se arrastando por esses corredores?


Subimos novamente

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Subimos novamente. Os paramédicos ainda estavam retirando o corpo quando me virei — e então vi o rosto do garoto.
Eu me lembro dele.
Lucas.

Ele estudou comigo quando eu tinha seis anos. Mas o que me invadiu naquele instante foi uma pergunta simples e, ao mesmo tempo, perturbadora: por que alguém o mataria?

Lucas podia não ser uma boa pessoa — era conhecido por muitos como o típico "babaca" da escola —, mas ainda assim... por que ele? Qual seria o verdadeiro motivo? Por que estão matando alunos? E, principalmente, por que ninguém consegue descobrir quem está por trás disso?

Enquanto subia as escadas, mergulhada nesses pensamentos, percebi como o silêncio habitual dos corredores da Silverlake High havia desaparecido. No lugar dele, um burburinho constante se espalhava por todos os cantos. O som das conversas, das suposições e das fofocas tomava conta do ambiente, como se a escola inteira tivesse virado um grande mercado de rumores.

Todos comentavam o mesmo assunto, mas poucos faziam as perguntas que realmente importavam.

Quem? Por quê?

Depois do SinalWhere stories live. Discover now