I'm a new man

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Seul acordava sob um céu cinza e pesado de outono, como se a cidade inteira estivesse respirando devagar, com preguiça de simplesmente existir. Aliás, como não? Era começo de semana, era simplesmente impossível criar forças.

Mas, não se você era Han Jisung que já estava desperto, ainda que não tivesse tido coragem de levantar da cama, esfregando os pés um ao outro.

O despertador tocou no outro quarto do apartamento, a melodia já conhecida por Han.

— Um, dois... — Han contou baixinho, os olhos ainda fechados enquanto aguardava.

Que saco! — A voz de Minho berrou do outro quarto, indignado com o despertador, seguido de um farfalhar de edredons.

Moravam juntos há tempo suficiente para Han saber que, neste momento, o amigo já havia se debatido nas cobertas e se encolhido de novo, prometendo mais cinco minutinhos.

Cada vez que Minho adiava o despertador e Han tinha que ouvir o toque de novo, chegava a ficar mais ansioso com tudo que tinha que fazer pelo dia: a sonoplastia dos episódios de novos dramas que devia entregar, as lives de ASMR que tinha inventado para ganhar dinheiro, já que os vídeos de outras pessoas o ajudavam muito a relaxar e dormir.

Por que não ele, que se formou em produção sonora, começar a criar conteúdo?

Parecia óbvio. E Han gostava de ter um público na internet limitado a conhecer só uma parte da sua vida e se importar só com seu trabalho. Não queria vender estilo de vida nem nada pessoal.

O contato com seus seguidores era apenas nas lives e apenas isso. E estava tudo bem.

Além disso, não precisava se estressar e gritar com ninguém em um emprego normal, só sussurrar no microfone.

Ele se sentou na beira da própria cama, os olhos ainda semicerrados, tentando organizar mentalmente a sequência da manhã. 

Han sabia que tinha quinze minutos antes de Minho gritar.

— Han! — Minho gritou ao passar em frente a porta fechada de seu quarto e em minutos, estava mexendo em panelas e frigideiras na cozinha.

Enquanto Han se arrumava, o cheiro de comida quentinha preenchendo o apartamento grande com uma sensação de aconchego impossível de ignorar.

— Tô indo! — Han respondeu minutos depois, sem qualquer pressa de ser rápido até para responder.

Ele tropeçou na própria roupa que ficou presa no tapete e quase caiu, mas se segurou na beirada da cama, respirando fundo.

Na cozinha, Minho preparava a refeição com a calma de quem conhecia cada passo da rotina de Han. Arroz pronto, ovo frito na medida, kimchi disposto em uma tigela lateral.

— Hoje estamos na cultura coreana? — Han comentou ao notar o cardápio, arrancando um sorriso ligeiro de Minho. — Ficou com vontade depois de ouvirmos a conversa dos vizinhos no elevador?

Pequenos detalhes que ninguém mais notaria, mas que Han absorvia silenciosamente, como um ritual de cuidado silencioso que marcava a convivência deles.

— Come antes de sair, Jisung. — Minho colocou os hashis na frente dele, batendo levemente na mesa. — Você quase passou mal de fome na live ontem, eu resolvi que vou cozinhar de manhã. Então, por favor.

— Você não precisava, mas... Obrigado — Han murmurou, pegando os hashis e tentando não queimar a língua. Cada mordida era rápida, quase mecânica, mas ele não conseguia parar de notar os pequenos gestos de Minho: ajeitar a manga da camisa dele, passar a mão levemente sobre uma panela para testar a temperatura, o olhar atento em sua expressão.

Cinnamon BruiseWhere stories live. Discover now