I

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Park Jimin nascera sob o peso do dever.
Filho de uma das casas mais antigas do Império, educado com a precisão de um herdeiro e o silêncio de um prisioneiro, ele aprendeu desde cedo que ômegas como ele não tinham voz — apenas função. Ser desejado, ser obediente, ser útil. Era sua sina. Mas em algum ponto da juventude, algo dentro dele começou a ferver. Talvez tenha sido a ausência de carinho, talvez o gosto proibido da liberdade, ou talvez... um par de olhos escuros que o encarou como ninguém ousou encará-lo antes.

Jeon Jungkook.

A lembrança do nome ainda pesava como ferro quente entre suas costelas.
Anos atrás, em uma cerimônia quase esquecida, eles haviam se cruzado — ele, um jovem ômega curioso demais; Jungkook, um alfa sem nome, apenas um bastardo de sangue misto que ousara olhar para o herdeiro Park com algo que beirava a fome. Algo... perigoso.
E foi naquela mesma noite que tudo mudou.

O incidente foi enterrado.
As famílias agiram rápido. Jimin foi mandado para longe. Jungkook desapareceu do mapa.

Mas agora, anos depois, o passado retornava em forma de um decreto imperial:
Park Jimin seria vinculado a Jeon Jungkook — agora um general respeitado, condecorado, e recém-nomeado herdeiro de uma dinastia emergente.

O casamento era o preço da paz.
O vínculo... a garantia da submissão.

Na carruagem escura que avançava pela estrada de pedra, Jimin mantinha os olhos fixos no chão. Os trajes de seda branca pesavam sobre seu corpo como grilhões. As mãos, enluvadas, descansavam no colo, imóveis. Seu cheiro, naturalmente doce, já denunciava a proximidade do cio. Estava enfraquecido. Perigoso. Vulnerável.

Mas seus olhos estavam secos.
Não haveria lágrimas.

A cada solavanco da carruagem, o castelo de Jeon Jungkook se aproximava.
E com ele, o inevitável.

Do outro lado, em uma das torres da fortaleza, o alfa assistia à chegada com o corpo imóvel e o maxilar tenso. Vestia o uniforme cerimonial da casa Jeon — negro como a noite, adornado com rubis que pareciam manchas de sangue seco. Seu cheiro era estável, frio. Mas por dentro, algo queimava.

Jimin estava voltando.
E Jungkook lembrava de tudo.

A carruagem parou diante das escadarias de pedra cinza. O som dos cascos silenciou, seguido por um breve estalo metálico quando o cocheiro desceu. Do lado de fora, guardas se alinhavam — rígidos, imóveis, como se estivessem prontos para uma guerra que nunca começou. O céu estava nublado, o vento úmido e frio. Nenhuma flor, nenhuma música. Nenhum gesto de boas-vindas.

A porta foi aberta.

Jimin desceu com a cabeça erguida, mas os olhos baixos. Cada passo seu era medido, controlado, como se as correntes que não estavam em seus pulsos ainda o puxassem para trás. A seda branca arrastava atrás de si como um lamento. E mesmo ali, rodeado por alfas armados, ele não tremeu.

No alto da escadaria, Jungkook já o esperava.
Não sorria. Não dizia nada. Apenas observava.

Seus olhos se cruzaram por um segundo.
Aquela fração de tempo bastou para que as lembranças invadissem como um sopro quente na espinha.

O toque escondido.
A respiração entrecortada.
O sangue.
A punição.

Mas nada foi dito.

Jimin parou a três degraus de distância e ergueu o rosto pela primeira vez. Seus olhos estavam frios. A boca levemente curvada, como se zombasse do destino.

— General Jeon. — sua voz saiu limpa, educada. Um veneno coberto de mel.

— Príncipe Park. — Jungkook respondeu, com o mesmo tom. Mas seus olhos… seus olhos estavam famintos.

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⏰ Последнее обновление: Aug 13, 2025 ⏰

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