01

9 2 0
                                        


————————————

————————————

Oops! This image does not follow our content guidelines. To continue publishing, please remove it or upload a different image.

————————————

1971

O sol pairava alto no céu, derramando um dourado quente sobre a pequena cidade. O vento carregava o cheiro de grama recém-cortada e o som distante de um rádio tocando alguma canção dos The Beatles na casa ao lado. No quintal de Jungkook, o mundo se resumia a pés descalços na terra, joelhos esfolados e risadas que se misturavam ao canto dos passarinhos.

Jungkook tinha onze anos, e Jimin dez. Ele sempre era o líder das brincadeiras por ser mais velho, e Jimin, feliz, o seguia sem questionar. Naquele dia, eles eram piratas em busca de um tesouro, um velho pote de biscoitos que havíamos enterrado na semana passada, mas já tínhamos esquecido onde. Com um graveto em mãos, Jungkook traçava um mapa invisível na terra enquanto Jimin observava com olhos brilhantes.

— Tenho certeza que o X estava perto daquela árvore! — ele disse, apontando para a mangueira que ficava no canto do quintal.

— Não... acho que era mais pra lá — Jimin argumenta, com a testa franzida, tentando lembrar.

A verdade era que, no fundo, pouco importava para eles encontrarem o "tesouro". O que importava era a aventura, a sensação de que o mundo era deles e que a cada dia trazia uma nova história para ser vivida.

Quando os mesmos cansavam de cavar, corríamos pelo quintal sem motivo, só porque eles podiam. A grama aparada fazia cosquinha nos pés, mas isso só tornava a corrida mais engraçada e mais urgente. Em algum momento, Jungkook parou e olhou para cima. Jimin seguiu seu olhar e olhou para uma nuvem enorme, tão branca e fofa que parecia feita de algodão doce.

— Olha... parece um cachorro! — ele disse, apontando.

— Parece um coelho! — Jimin retruca, cruzando os braços.

Jungkook riu, aquele riso solto e sincero que só as crianças têm, e Jimin riu também, sem nem saber por quê.

Naquele momento, não existia passado nem futuro. Apenas eles dois, o céu azul e um dia que parecia que nunca iria acabar.

No pequeno mundo em que eles criaram, com seus tesouros enterrados e mapas invisíveis, não tinha pressa. Quando o calor começava a ceder e a sombra das árvores tomava o jardim, eles sabiam que era hora de uma pausa. Os mesmos sentavam na grama, cansados, com os rostos suados e os pés ainda sujos de terra. Às vezes, eles ficavam em silêncio, apenas ouvindo o vento mexer nas folhas.

— Jungkook... você acha que vamos sempre ser amigos? — Jimin pergunta, com a voz baixa, como se a pergunta tivesse o poder de mudar tudo.

Ele ficou em silêncio por um momento, o olhar distante. As crianças não costumam pensar no futuro, mas, naquele instante, ele parecia mais velho do que realmente era.

— Claro que sim! — ele respondeu, finalmente, com um sorriso despreocupado. — Vamos ser velhinhos juntos e ainda vamos brincar de piratas!

Jimin sorriu de volta, mas algo naquela resposta à fez sentir uma leve inquietação. O que aconteceria quando eles fossem maiores? Quando eles tiverem outras coisas para fazer, outros amigos, outros sonhos? Mas a dúvida logo foi varrida pelas risadas de novo, e, por mais que Jimin pensasse sobre isso, a resposta estava ali, nos olhos de Jungkook, um mundo de possibilidades, mas sempre ao lado dele.

De repente, uma bola de futebol velha rolou até onde eles estavam. Jimin a olhou por um segundo, e antes que pudesse reagir, Jungkook já estava de pé, se preparando para chutar.

— Vamos jogar? — ele disse, os olhos brilhando com a energia de sempre.

E, sem hesitar, Jimin se levanta também, ela corre para pegar a bola antes de Jungkook, apenas por implicância de crianças. O campo do jogo deles era o mesmo de sempre, o gramado onde jogavam horas a fio, sem nunca se preocupar com a distância, o tempo ou qualquer outra coisa. Era eles, a bola e aquele momento.

Enquanto os mesmos corriam atrás da bola, uma brisa suave passou por eles, e ambos sentiram uma paz imensa, como se o mundo tivesse se acalmado só para observar a diversão deles. E ambos sabiam, sem entender completamente, que aqueles seriam os melhores dias da vida deles. Não porque eram perfeitos, mas porque não havia no mundo nada mais importante do que aquele jogo, aquela amizade, aquele instante.

E assim, o sol continuava a cair lentamente atrás das árvores, tingindo o céu de laranja e vermelho, enquanto a infância ainda dançava entre os sorrisos e os sonhos de ambos.

O jogo foi se arrastando até que a luz do dia começou a se apagar, e os primeiros sinais da noite começaram a tomar conta do céu. Jimin, exausto, se deita na grama, olhando para as estrelas que começavam a surgir. Jungkook também se deitou ao lado dele, respirando fundo, como se tentasse capturar o último resquício daquele verão.

— Vai ser bom, né? Quando a gente for maior, poder viajar, conhecer o mundo... — ele disse, sem nem olhar para Jimin.

Jimin só responde com um sorriso tímido, mas não fala nada. Algo dizia que ambos não poderiam mais voltar atrás, e que aquele momento estava prestes a acabar. O que iriam ser quando crescessem? Jungkook parecia saber, ele tinha essa facilidade de olhar para o futuro como se fosse a coisa mais natural do mundo. Mas Jimin... Ele só sabia que algo estava se afastando deles, de uma maneira que ele não conseguia entender.

O dia seguiu seu curso, e logo a voz da mãe do Jimin se fez presente na porta da casa se Jungkook, pedindo para que ele fosse jantar pois estava tarde. Era hora de terminar a brincadeira.

Jimin e Jungkook se levantam sem muita empolgação pela brincadeira ter que acabar, eles vão em direção onde as mães deles estavam conversando sobre coisas de adultos. Jimin não ligou muito para conversa delas e aproveitando os últimos minutos perguntou:

— Amanhã a gente pode continuar, né? — Jimin perguntou, olhando para Jungkook com os olhos cheios de promessas.

Ele sem excitar balançou a cabeça, mas, no fundo, sabia que não continuaria. Não daquele jeito.

[...]

Na manhã seguinte, Jungkook não apareceu. Nem no dia seguinte, nem no próximo. Talvez apareceu algo mais importante que nossas brincadeiras, algum compromisso ou até uma nova amizade para ele, pois Jimin nunca mais o viu. E, sem que ninguém dissesse uma palavra sobre isso, os dias se passaram e as tardes de brincadeira se tornaram uma lembrança distante.

Os verões se sucederam, e Jungkook se foi, assim como as folhas que o vento soprava as levando para longe. Jimin, por sua vez, foi se afastando também, mais velho, mais sério, sem saber exatamente por que havia perdido aquela amizade que parecia invencível.

Nunca mais se falaram. As palavras que ficaram por dizer, os momentos que não foram vividos, ficaram todos guardados em uma caixa secreta do coração, onde ninguém mais poderia tocá-los.

E, ainda assim, sempre que Jimin vê uma nuvem que se assemelha a um cachorro ou crianças correndo no campo sem motivo, o mundo volta a ser como era antes, e a lembrança de Jungkook volta, com aqueles olhos grandes que exorbitava paz e aquele sorriso que se assemelha ao um coelhinho retorna como uma saudade silenciosa, que nunca se vai complemente.

★★★★★

Entre Linhas não Ditas - JIKOOKStories to obsess over. Discover now