em busca do presente perfeito

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Jinx estava no chão do quarto de Vi, de bruços, o notebook equilibrado nos joelhos e os olhos fixos na tela, onde navegava pela Amazon como se a vida dependesse disso. Vi, por sua vez, revirava gavetas e caixas em busca de algum dinheiro esquecido.

— Vi, sério... o que a gente dá pro Vander? Eu tô ficando sem ideia — resmungou Jinx, rolando a página pela quinta vez sem achar nada que parecesse digno.

— Eu lá vou saber? É sempre tu que tem as ideias — respondeu Vi, bufando enquanto checava uma velha mochila. — E, aliás, tô sem um tostão. Já revirei tudo e nada.

— Então pede pra tua namorada rica, oras. Ela tem dinheiro pra dar e vender. O que custa dividir? — disse Jinx, antes de levar uma almofadada na cara. Ela apenas se ajeitou. — Obrigada, tava mesmo desconfortável.

— Primeiro: eu não posso usar o dinheiro da Caitlyn toda hora. E segundo: tu que quis sentar no chão, então não reclama — Vi respondeu, se jogando de costas na cama.

— Eu é que não vou sentar onde tu e tua namorada transaram.

— Jinx!

— Que foi, inferno? Menti, por acaso? Vai dizer que vocês ficaram no chão também?

Vi hesitou por um segundo.

— Também... mas isso não vem ao caso.

Jinx arregalou os olhos, horrorizada.

— Como assim "também"?! Cês ficaram em toda superfície desse quarto?! — perguntou, já se levantando e correndo em direção à porta, como se o chão fosse radioativo.

Vi apenas assentiu, com uma expressão resignada.

— Que nojo, Violet! Podia ter avisado antes de eu entrar aí! — exclamou Jinx, saindo desesperada.

Ela correu pelo corredor como se estivesse fugindo de uma explosão — o que, vindo dela, nem seria tão estranho assim.

— Eu vou precisar lavar meu cérebro com água sanitária! — gritou lá de fora, arrancando de Vi uma risada abafada enquanto esta afundava ainda mais no colchão.

— Drama, Jinx. Puro drama — respondeu a irmã, já pegando o celular. Talvez fosse o caso de mandar uma mensagem pra Caitlyn. "Talvez não contar pra Jinx sobre o dia que a gente quase derrubou a estante tenha sido uma boa ideia mesmo."

Do lado de fora, Jinx ainda andava pelo corredor com passos indignados, como se estivesse pisando num campo minado.

— “Toda superfície”, ela disse... — murmurou. — Violet virou um Pokémon do tipo luxúria. Misericórdia.

Mas, sendo Jinx quem era, o surto durou cerca de três minutos. Logo ela já estava jogada no sofá, barriga pra baixo, notebook no colo, digitando freneticamente:

"Presentes criativos pro pai que não é pai mas parece pai e te salvou quando criança."

Vi apareceu na porta com uma garrafinha de água e uma sobrancelha arqueada.

— Já superou ou quer que eu te leve pro laboratório do Heimerdinger pra um banho químico?

— Só se for pra me apagar a memória — respondeu Jinx, sem desviar os olhos da tela. — Ou melhor... dá teu cartão e deixa eu escolher o presente do Vander. Só isso já vai aliviar minha dor.

— Meu cartão? Tu esqueceu que quem tem dinheiro é a Caitlyn?

— Então chama ela. Fala que é emergência. Um caso de vida ou morte emocional. — Ela fez uma pose dramática, fingindo que tinha morrido.

Entre explosões e Bolo  Where stories live. Discover now