Prólogo

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Dizem que quando você morre, sua vida passa diante dos seus olhos como um filme.

Mentira.

Quando o carro capotou naquela estrada molhada, tudo o que eu vi foram os olhos da minha mãe - arregalados, desesperados, cheios de um medo que nem mesmo a morte conseguiu apagar. Depois, o grito do meu pai, o som metálico rasgando o silêncio da floresta, e sangue... tanto sangue.

Eu tinha oito anos. E naquele momento, algo dentro de mim quebrou. Algo que nunca mais voltou ao lugar.

Dizem também que o tempo cura todas as feridas.

Outra mentira.

O tempo só ensina a esconder melhor as cicatrizes. A sorrir quando se quer gritar. A aceitar que o vazio pode ser um lar tão confortável quanto a dor.

Agora tenho dezessete. Carrego vícios que queimam por dentro, lembranças que me assombram e um rosto que as pessoas fingem não ver no corredor da escola. Sou invisível... até que deixo de ser.

Naquela noite, sob a chuva, algo me viu. Algo antigo. Sombrio. Faminto.
E desde então, ele não me deixa em paz.

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