O Preço do Silêncio

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A chuva caía fina sobre as ruas encharcadas de Shinjuku, desenhando reflexos tortos de néons que piscavam sem descanso. A madrugada de Tóquio tinha seu próprio ritmo — carros de luxo deslizavam silenciosos, enquanto sombras se alongavam pelas vielas onde negócios escusos eram fechados com apertos de mão firmes e olhares frios. Acima de tudo isso, a Ryūkai observava. Uma das mais antigas famílias mafiosas do Japão, dona de um legado que misturava honra e violência em doses tão exatas quanto mortais.

Naquela noite, a ordem era clara: silenciar Toshio Kanemura, o contador que ousava ameaçar o império do dragão.

Jimmy "Dragão Branco" encostou-se na parede do beco ao lado do Hotel Kurohana. Seu chapéu branco protegia os olhos do brilho excessivo dos letreiros, e o sobretudo, mesmo claro, parecia fundir-se com a escuridão ao seu redor. Ele inspirou fundo, o aroma de chuva e gasolina preenchendo seus pulmões. Pousou a mão sobre o coldre sob o casaco e, com um olhar rápido para o céu, acionou o comunicador preso à gola.

— Tatsu, posição? — Sua voz saiu firme, mas controlada.

Do outro lado da rua, Tatsuya Arakawa ajeitou o colar prateado sobre a camisa preta. Seus olhos cortantes observavam o saguão do hotel, enquanto ele soltava o ar lentamente.

— Eu vejo o alvo na cobertura. Duas saídas principais, segurança pesada. A gente entra pela frente como combinado. Kaoru, cobertura?

No topo de um prédio vizinho, Kaoru "Kaoru-nee" Fujiwara encaixava a lente da sniper com movimentos precisos. O rabo de cavalo balançava levemente enquanto a brisa fria soprava.

— Eu sempre cubro vocês. Movimento limpo. Não me façam trabalhar demais, meninos — disse ela, com um sorriso sarcástico e a cigarilha presa no canto da boca.

Do estacionamento subterrâneo, a voz grave de Kenta Sakamoto entrou na frequência:

— A van tá pronta. Se precisar, invado o hotel com tudo. Só avisem.

Jimmy sorriu de canto. Com a equipe sincronizada, o resto era execução.

Eles atravessaram a rua com passos calmos, como empresários habituados àquele tipo de luxo. O porteiro do hotel fez uma leve reverência, e Tatsuya respondeu com um olhar gélido que fez o homem desviar os olhos. Subiram pelo elevador espelhado sem trocar palavra. Jimmy ajeitou o chapéu e encarou seu próprio reflexo — o rosto jovem e sereno não denunciava o passado cravado de violência.

Quando as portas se abriram, o corredor acarpetado exalava perfume caro. Dois guarda-costas de ternos impecáveis se posicionavam na frente da suíte presidencial. Tatsuya não hesitou: em um movimento fluido, sacou a Beretta e disparou dois tiros secos — um na testa de cada homem. Eles caíram como marionetes sem fio.

— Dois a menos — murmurou Tatsuya, girando o cano da pistola antes de avançar.

Dentro da suíte, mais quatro seguranças e o próprio Kanemura. O contador, de meia-idade, ajustava nervosamente a gravata enquanto falava ao telefone. Quando viu Jimmy e Tatsuya, arregalou os olhos.

Kaoru, do alto, sussurrou no rádio:

— Um guarda no terraço sacou arma. Relaxem, já cuidei dele.

O estampido distante confirmou. Jimmy caminhou até Kanemura sem pressa. Os seguranças avançaram, mas ele foi mais rápido: um chute giratório derrubou o primeiro, enquanto Tatsuya alvejava outro no ombro. Os dois restantes hesitaram por um segundo — tempo suficiente para Jimmy sacar sua pistola prateada e disparar dois tiros certeiros.

Silêncio.

Kanemura recuava, pálido como um cadáver.

— Eu posso negociar… Dou informações, dinheiro… O que quiserem! Eu conto o nome dos políticos! — a voz dele tremia.

Jimmy aproximou-se, os olhos frios como aço.

— A Ryūkai não negocia com traidores.

O disparo ecoou abafado. Kanemura caiu de joelhos, a expressão congelada no terror final.

Mas naquele instante, um alarme silencioso foi acionado.

Tatsuya rosnou:

— Polícia e segurança privada estão a caminho.

Kaoru gritou pelo rádio:

— Movimento pesado no térreo! Corram!

Jimmy e Tatsuya seguiram pelo corredor enquanto tiros começaram a ecoar no prédio. Kaoru, do alto, dava cobertura com precisão cirúrgica. Um disparo dela atingiu o joelho de um segurança no saguão. Outro tiro pegou um policial na perna.

Kenta não esperou o pedido: acelerou a van preta e arrebentou o portão do estacionamento, subindo com tudo a rampa e invadindo a entrada principal.

Jimmy e Tatsuya saltaram por uma janela lateral direto no banco traseiro da van. Kenta deu marcha à ré e derrapou pelas ruas escuras de Tóquio, sumindo entre os becos.

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No esconderijo, um armazém antigo à beira do porto, a equipe se recompunha. Tatsuya limpava a Beretta com movimentos calmos. Kaoru tirava a jaqueta de couro, deixando à mostra o dragão tatuado nas costas. Kenta afiava a faca com o mesmo zelo de sempre.

Jimmy abriu a maleta contendo os documentos roubados. Contas cifradas, listas de políticos, contratos falsificados. Tudo o que a Ryūkai precisava para manter o império intocado.

O chefe Kazou Arakawa entrou no galpão. Um homem de cabelos grisalhos, olhar sereno e terno impecável. Caminhou até Jimmy, apoiando a mão em seu ombro.

— Vocês honraram o dragão. A lealdade é o sangue que mantém viva a Ryūkai.

Jimmy apenas assentiu.

Quando o chefe se afastou, Kaoru sentou-se ao lado de Jimmy e, tirando o brinco de argola, comentou:

— Você anda mais frio que o normal, Dragão Branco.

Jimmy sorriu de canto, fitando o símbolo da máfia tatuado no antebraço.

— Não é frieza, Kaoru. É foco.

A noite terminava. Mas para a equipe de Jimmy, era só o começo.

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⏰ Last updated: May 17, 2025 ⏰

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