Não se esqueça de mim

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• Essa história contém gatilhos, então se for sensível não leia.

Hoje com certeza foi o pior dia da vida de Minho, era difícil decidir qual era o pior, mas dessa vez ele tinha total certeza. Seu celular tinha quebrado, mas não era só isso, infelizmente seus pais homofóbicos descobriram que namorava um homem. Hoje era pra ser um dia comum, talvez até falaria com Jisung, mas tudo foi por água abaixo quando se olhou todo machucado no espelho.

Ele tinha apanhado de novo, ele não aguentava mais, era sempre a mesma coisa e isso estava o enlouquecendo aos poucos, aquilo acabava com si mesmo aos poucos, o perfurava aos poucos. Ele tinha medo do que podia acontecer em um futuro distante, ele tinha medo de não ter um futuro. Ele se olhou no espelho, suspirando, passou as mãos por seu rosto e lágrimas começaram a rolar por suas bochechas.

Estava acostumado a chorar no espelho, ele se odiava, ele tinha medo de si próprio, mas Jisung sempre acalmava esses sentimentos, mas ele não tava ali agora. Ele chorava de soluçar, começava a tremer, ele estava com medo e era horrível. Não queria morar embaixo do teto dos seus pais, tinha medo de sair do próprio quarto e apanhar mais.

Então decidiu ficar por ali mesmo, seu choro só aumentava e foi aí que percebeu que estava entrando em crise. Fazia algumas semanas que não entrava em crise, porque seu jisung sempre ajudava e agora ele não podia ligar para o ajudar. Ele pensava em tantas coisas, não tinha certeza de nada e isso o assustava tanto. Ele quer sair dali, ele quer se livrar de todos esses medos, ele quer viver normalmente, mas ele nem sabe como é viver normalmente.

Cansado da sua própria mente, Minho se jogou na cama, pensando em dormir. Passou trinta minutos e não conseguia dormir, não com aqueles pensamentos em sua cabeça que não paravam de aparecer cada vez pior. Não era a primeira vez que apanhava, não era a primeira vez que tinha crise, não era a primeira vez de nada, então por que estava assim? Por que se sentia assim? No fundo já sabia a resposta, mas não queria falar, não queria admitir.

Querendo dar um basta em seus pensamentos, ele se levantou e foi até o banheiro. Se olhou no espelho mais uma vez, e viu que não era só sua mente que estava uma bagunça e sim si próprio, deu um suspiro pesado e abriu a gaveta em sua frente. Olhou para aqueles remédios que tanto o ajudava, mas dessa vez só queria que passasse, só queria entender seus pensamentos e não era naquele plano que iria entender. Pegou todos que via em sua frente, indo para o seu quarto, pôs em sua escrivaninha e se sentou.

Ele não queria partir sem se despedir do seu grande amor, da pessoa que mais o ajudou, então foi escrever uma carta. Minho não fazia ideia do que escrever, um sentimento horrível enchia seu peito e sua cabeça doía com aqueles pensamentos. Mas ele acreditava que aquela era sua única opção, era seu único jeito de se entender e aquela carta era seu único jeito de se despedir.

Então, começou a escrever.

"Caro Jisung, eu te amo demais. Você foi a pessoa mais importante da minha vida, obrigado por nunca ter desistido, diferente de mim que já desisti tantas vezes de mim mesmo, obrigado por ter me mostrado o que era o amor e o que era se sentir bem. Infelizmente eu sou uma pessoa medrosa, eu tenho muitos medos e não entendo eles, eu tenho medo de que um dia a ansiedade tome conta de mim, eu tenho medo do tão imaturo eu sou, eu tenho medo de mim mesmo. E eu não entendo minha própria cabeça, e talvez esse seja o grande problema.

Eu preciso me entender, jisung. Eu preciso me livrar de todos esses medos, eu preciso de algo que não me faça sentir isso e eu encontrei um jeito. No fim essa carta foi pra me despedir e pedir duas coisas, por favor leia com atenção. Obrigado jisung por ter feito eu aprender coisas que eu nunca seria ensinado, obrigado por ser quem me acalmava em todas as crises, eu te amo muito e eu espero que você também. Siga em frente, não importa o que acontecer após essa carta, eu quero que você siga em frente. E o mais importante, não se esqueça de mim, por favor nunca se esqueça de mim."

Minho sentiu seu rosto molhado, lágrimas desciam por seu rosto e com um suspiro Minho deixou em cima da escrivaninha. Pegando os remédios que estava ao seu lado, tomando todos de uma vez, era uma experiência horrível e infelizmente agora já foi. Minho caiu no chão, morto, sem respirar.

Seus pais ouviram um barulho alto, se assustando e subindo pro quarto de Minho rapidamente. Encontrando o próprio filho em um estado deplorável, entraram em choque, lágrimas caíam em suas bochechas e seus peitos apertavam. Ligaram para ambulância, e rapidamente seu filho já estava em uma maca. Somente a mãe foi, seu pai ficou no quarto para entender o que aconteceu até que achou uma carta endereçada para "Han Jisung", achou estranho, mas pegou e resolveu que iria entregar pro tal Han jisung.

Quando Jisung recebeu a carta de um homem abalado quase caiu no chão, mas se acalmou e decidiu pensar que não era nada ruim. Era pior, muito pior do que pensava, Jisung chorava de soluçar. Sua mãe tentava o acalmar, mas nada funcionava, Jisung se sentia como se parte dele tivesse morrido por dentro. E era claro que ia fazer o que Minho tinha pedido, mesmo muito abalado, ele amava aquele garoto o suficiente para fazer tudo que ele pedia.

Jisung foi no velório de Minho, sua vida tinha perdido as cores, mas ele jurou em seguir em frente. Ele pediu aos pais do Lee para poder ficar sozinho com ele, e ficou.

— Me desculpa por não ter salvado você, meu amor. Eu espero que você tenha encontrado as respostas que você queria, eu prometo não esquecer de você. Como eu poderia esquecer de você? — Jisung diz sorrindo enquanto lágrimas caiam em seu rosto.

— Eu te amo muito, espero rever você novamente em outro plano.

Assim jisung foi embora, não aguentaria mais tempo ali. Não sabia como ia aguentar os próximos anos sem seu amor, era uma sensação horrível que invadia seu peito. Ia demorar pra se acostumar, mas seu amado queria o seu bem e assim ele ia ter.

Se passaram anos, Jisung agora tinha se casado e vivia bem. Foi na casa de sua mãe para visitá-la já que a mesma estava velhinha, quando chegou foi bem recebido por ela e seu antigo cachorrinho. Era uma sensação de nostalgia voltar para lá, e aquilo o fez sorrir minimamente. Ele foi para sala viu quadros dele pequeno, mas um chamou sua atenção, pegando e olhando com um pequeno sorriso no rosto. Era ele e Minho, quando Minho tinha fugido de casa pela primeira vez.

— Você ainda gosta dele, não é? — Jisung toma um susto com a voz de sua mãe, não tinha percebido ela se aproximar.

— Demais, eu nunca vou o esquecer — Seus olhos estavam cheios de lágrimas, sentiu sua mãe o abraçar por trás.

E assim terminou o dia, relembrou de várias coisas de sua adolescência, mas principalmente de Minho. Pra jisung, Minho sempre seria lembrado.

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Não se esqueça de mim - Minsung Histórias para pegar e não largar. Descubra agora