Capítulo 1: O Dragão das Sombras

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Harry observou seu melhor amigo andar de um lado para o outro na pequena cela, lágrimas escorrendo pelo rosto, mãos fechadas em punhos brancos. Outro grito torturado rasgou o ar, e Harry não conseguiu suportar. Ele tentou as barras novamente, sacudindo-as com toda a força, mas elas se recusaram a ceder.

Horas se passaram neste inferno, ouvindo Hermione lutar contra seus captores e sofrer por isso. Seu rosto ainda doía como o inferno, mas ninguém ousava tentar curá-lo. Se seus captores percebessem que ele era Harry Potter, eles simplesmente matariam todos eles e acabariam com isso.

Ele meio que começou a desejar que eles acabassem logo com aquilo. Quase qualquer coisa seria melhor do que ficar ali, indefeso, enquanto Hermione gritava até ficar rouca lá em cima.

Então ela parou, e Harry percebeu que o silêncio era muito pior.

"Hermione!"

Não foi bom. Sem dúvida, eles silenciaram as masmorras.

Ou isso, ou Hermione não conseguia mais ouvi-lo. Ou isso, ou ela estava longe demais para—

Não. Não, ele não se permitiria pensar isso. Hermione estava bem. Ela tinha que estar.

Que os deuses o ajudem, Harry não poderia ser responsável pela morte de mais ninguém que ele amasse.

Essa bagunça era toda culpa dele. Ele havia perdido o foco. Aquelas malditas relíquias o atraíram. Como Dumbledore, ele havia cedido ao fascínio delas.

E agora, por causa de sua tola falta de previsão, sua amiga mais querida estava pagando o preço final.

Não. Hermione tinha que estar viva. Eles tinham apenas... parado para passar a noite.

'Por favor, deixe que eles parem. Por favor, deixe que ela esteja viva.'

Ron sentou-se ao lado dele, sua expressão tão torturada quanto os gritos de sua namorada. "Eu não acho que consigo fazer isso sem ela, Harry."

Ele pegou a mão de Ron e a segurou firme. "Ela está viva. Eu sei que ela está. Ela... ela é forte demais para..."

Ron assentiu, piscando e enxugando mais lágrimas, e apertou os dedos de Harry.

"Tudo ficará bem em breve", disse Luna. "O dragão das sombras está cuidando dela."

Harry rezou com todas as suas forças para que, desta vez, as criaturas de Luna estivessem certas.

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Mais uma hora ou mais de silêncio agonizante se passou, então passos silenciosos cruzaram o teto acima deles. Na escuridão, a careta de dor de Ron parecia ainda mais terrível. Harry não queria pensar em quão terrível ele deveria estar.

Ele ficou paralisado, mal ousando respirar, e forçou os ouvidos para o menor som. Ele desejou que seu coração parasse de bater tão forte para que ele pudesse ouvir acima dele. Por um tempo, nada aconteceu. Então, suaves tinidos de metal e gemidos abafados encontraram seus ouvidos.

Hermione. Oh deuses. Seu coração trovejava em seus ouvidos. Ele esperava e temia o primeiro grito. Se ela pudesse gritar, ela não estava morta. Se ela pudesse gritar, ainda havia esperança, mas a casa estava silenciosa.

Até que a porta das masmorras rangeu, e pés em meias desceram as escadas. Harry se levantou bruscamente, pronto para lutar, e abriu a boca para rosnar ao ver uma cabeça laqueada brilhando quase branca no luar esparso.

Então, a luz brilhou sobre uma cabeça de cachos rebeldes e emaranhados, e seu rosnado se transformou em um soluço.

"Ela-"

"Quieto, Potter," Malfoy sibilou. "Se você acordá-los, todos nós seremos mortos."

"Entregue-a, agora," Ron arfou, sem fôlego e furioso ao mesmo tempo. "Tire suas patas viscosas de—"

Luna o interrompeu: "Oh, Dragão. Graças a Merlin você está seguro. Ela está acordada?"

"Mal." Malfoy deitou Hermione no chão diante das grades. "Ela está em maus lençóis. Vocês precisam tirá-la daqui rápido."

"Caso você não tenha notado, Furão", Ron cuspiu, "estamos presos numa armadilha."

"E você tem um antigo elfo doméstico Malfoy aí, não tem?"

Harry engasgou. "Merda."

Malfoy fixou Harry com um olhar severo. "Ela vai se recuperar, e você também, mas você tem que colocar sua cabeça no jogo, Potter. Você não pode simplesmente continuar correndo às cegas. Esta é uma guerra, e você vai ter que aprender a usar sua cabeça se espera sobreviver."

"E por que exatamente você está nos contando isso, Furão?" Ron olhou feio para Malfoy. "Você daria uma festa se nós morrêssemos, então caia fora—"

Harry colocou a mão no peito de Ron. "Pare. Ele já nos salvou uma vez esta noite. Duas vezes agora." Ele se virou para Malfoy. "Mas eu gostaria de saber o porquê também."

"É bem simples, Potter. Você e eu podemos não ser amigos, mas os monstros lá de cima prefeririam nos matar a olhar para nós. Eu... eu não vou durar muito desse lado. Nenhum de nós vai."

"Bobagem," Ron cuspiu. "Eu não sei do que você está falando, Malfoy, mas eu não confio em vo—"

"Ron." Harry lançou um olhar penetrante para seu amigo. "Chega. Não há tempo para isso." Ele se virou para Malfoy. "Você pode destrancar o portão para que possamos tirar Hermione?"

Malfoy assentiu. "Assim que você abrir, sirenes vão disparar em todos os lugares. Me dê um minuto para voltar para o meu quarto primeiro, depois abra o portão e saia."

"Entendido. Você vem conosco?"

Ron lançou-lhe um olhar escandalizado. " Harry !"

Harry o ignorou. "E então?"

Malfoy balançou a cabeça. "Não posso deixar meus pais nessa confusão. Eles serão mortos."

Harry assentiu severamente. "Então tome cuidado."

"Sim." Malfoy passou as varinhas para Harry, então foi até Luna e segurou sua bochecha. "Tenha cuidado. Por favor."

"Nós iremos." Ela beijou a palma da mão dele. "Os moonwhittlers estão cuidando de nós."

"Como você disse." Ele esfregou a bochecha dela uma vez, então se retirou relutantemente. "Lembre-se, Potter. Um minuto."

"Eu lembro."

"Bom." Malfoy foi até a porta, então parou na soleira. "Boa sorte. Todos vocês."

"Para você também", respondeu Harry.

Malfoy assentiu e foi embora, silencioso como um gato.

Ron lançou um olhar confuso para Harry. "Cara, o que diabos aconteceu?"

"Acho que Malfoy encontrou uma razão para lutar pelo que é certo em vez do que é fácil." Harry cutucou o ombro de Luna. "Você está bem?"

"Sim. Ele também ficará bem. Os moonwhittlers estão cuidando de todos nós."

Harry olhou fixamente. "Isso é... bom?"

"Claro, bobo."

Ron fez menção de passar por ele. "Vamos. Vamos pegar Hermione e ir embora."

"Espere. Dê a ele mais trinta segundos."

" Harrrryyyy."

"Ron. Cresça. A menos que você queira o sangue dele em suas mãos quando todos nós temos uma dívida de vida com ele?"

Ron engoliu em seco. "Pensando bem, podemos esperar um pouco."

Harry revirou os olhos e se arrependeu imediatamente. "Ugh. Ai. Dói pra caramba se mexer." Ele respirou fundo. "Okay, já é tempo suficiente."

Ele abriu o portão e fez uma careta ao som de uma sirene em seu ouvido. Com um gemido, ele agarrou a mão de Hermione e gritou: "Dobby, agora!"

"Dobby ficará feliz em ajudar." O elfo estalou os dedos e eles se foram.

Discretion and Valour - Discrição e Valor - SNARRY Stories to obsess over. Discover now