Capítulo 1

34 2 3
                                        

A noite era densa e abafada em Tóquio, como se a cidade inteira estivesse prendendo a respiração. Naruto não gostava de noites assim. Havia algo nas sombras que o deixava inquieto, como se o destino brincando com sua sanidade que já não tinha mais.

Ele ajustou o capuz do moletom preto e verificou a bolsa de equipamentos presos ao cinto. O ponto de entrada já havia sido determinado – uma das janelas do terceiro andar da mansão Uchiha, a casa onde uma das famílias mais poderosas da Yakuza operava.

Orochimaru havia sido bem claro:

"Entre. Pegue as informações. Saia."

Nada de conflitos. Nada de chamar atenção. Era o tipo de missão que ele já havia feito dezenas de vezes. Mas então, por que ele sentia esse peso no peito?

Naruto não conhecia os próprios pais.

Sabia apenas o que lhe disseram – que seu pai era francês e sua mãe, japonesa. Cresceu em orfanatos nada convencionais, onde as crianças não eram simplesmente cuidadas, mas treinadas.

Aos cinco anos, já sabia abrir fechaduras sem fazer barulho.

Aos dez, conseguia escapar de qualquer cela improvisada.

Aos doze, seu corpo era uma arma.

Orochimaru o encontrou quando ele tinha quinze anos. Ou talvez tenha sido o contrário nem se lembrava mais disso. De qualquer forma, a relação entre eles não era de pai e filho, nem de mestre e discípulo. Era algo mais frio. Naruto era uma ferramenta, um ativo valioso demais para ser desperdiçado. E Orochimaru sabia exatamente como usá-lo.

Agora, aos 20 anos, Naruto era um dos melhores espiões do mundo do crime, segundo Orochimaru,  sua Melhor Perfeição. Ele não pertencia a nenhuma organização. Não havia registros dele em nenhuma agência. Se alguém perguntasse:

"Naruto existe?", a resposta seria não.

E talvez fosse melhor assim.

A mansão Uchiha se erguia imponente à frente dele, cercada por muros altos, câmeras e guardas bem treinados. Mas Naruto era mais esperto.

Ele já havia passado três noites monitorando os pontos cegos, analisando os horários de troca de turnos e mapeando todas as possíveis rotas de fuga.Ele escalou a parede lateral do edifício principal sem fazer barulho, usando luvas antiderrapantes para se agarrar às pequenas saliências da construção. A janela do terceiro andar estava destrancada – exatamente como ele previu.

Entrou no escritório sem fazer barulho. O lugar era sofisticado, mas funcional.

Nada estava fora do lugar.

Naruto ligou um dispositivo que bloqueava sinais de segurança e foi até o computador sobre a mesa de mogno. A tela piscou, refletindo em seus olhos atentos enquanto ele digitava rapidamente.

Orochimaru queria informações sobre transações ilegais, dados bancários, contatos. Algo que pudesse ser usado para enfraquecer os Uchiha, ou seja,  destruír uma família.

Mas Naruto não se importava com isso,estava fazendo seu trabalho.

O ar carregado cheirava a couro, madeira polida, e uísque caro. O silêncio era interrompido apenas pelo som preciso dos dedos dele no teclado. O tempo corria contra ele, mas sua expressão permanecia fria e calculista. Tudo aquilo—poder, manipulação, corrupção—era apenas uma disputa entre gigantes. Ele não estava ali para fortalecer Orochimaru, muito menos para ajudar em sua ambição.

Seu objetivo era um só: acabar com a "Operação Pinóquio".

Com um suspiro contido, conectou um pen drive preparado para driblar qualquer firewall. O tempo era essencial. o processo demoraria dois minutos. Tempo suficiente para verificar o cofre na parede.
O arquivo que Naruto buscava finalmente apareceu na tela. Uma pasta criptografada com um nome inofensivo: "Projetos Arquivados".

Operação PinoquioStories to obsess over. Discover now