Capítulo um: A noite que mudou tudo

119 9 6
                                        

Nathaniel estava fodido. Não como gostaria. Nem perto disso.
Antes, era fácil fingir que algo não estava acontecendo, que não entendia onde se meteu, mas agora, toda a turbulência veio à tona, junto com a aceitação estúpida e forçada que veio à sua mente quando assistiu Castiel beijar uma garota em uma festa estúpida que topou ir de última hora.

Desgraça. Era a palavra que rondava a mente de Nathaniel. Que desgraça aconteceu com a minha vida?

Decidiu beber e se afastar. Enquanto fingia torcer para que Castiel não notasse sua existência naquela droga de festa, seu peito explodia com a esperança de ter seu braço puxado pelo ruivo. Estes braços que estavam ocupados, segurando firmemente a cintura de uma aleatória. Por que ele fez isso? Nunca viu Castiel se interessar por ninguém, e com isso, era fácil de se manter inerte, manter seu sentimento quieto. Mas agora, isso está acontecendo, é tudo culpa de Castiel.

Oh, ele gostaria que fosse.

Mas é sua, ele que tem sido carente e necessitado, bastou pequenos momentos e um apego ridículo ao passado para ele se apaixonar perdidamente por quem não deveria.

Uma dose virou duas, que virou três e, de repente, viraram umas 8. Ou foram 9? Isso importa? Bem, não para este Nathaniel de agora. Arrasado, desolado e sem atenção. Sentia falta de Castiel, mas a última lembrança que tinha do ruivo era dele fazendo aquilo.

Aquilo. Com outra pessoa.

Outras três desceram como água, e saíram depois na privada junto com lágrimas.
Vomitara tudo.
Bem... Quase tudo. Gostaria de vomitar Castiel para longe de seu coração, de suas entranhas, mas ele permanecia lá. Em cada corredor do seu corpo, em cada coluna. Em toda extensão de sua corrente sanguínea, nos seus glóbulos vermelhos e nos brancos, o sentia em seus fios de cabelo e nos pelos pubianos. Estava tonto, suado e chorando; sentia-se medíocre, minúsculo, fraco e desolado.

Era só um beijo, não era pra tanto e ele sabia. Mas a percepção que tivera no mesmo instante que foi avassaladora. A culpa era dele e só dele. Não sabia o que faria a partir dali, não fazia ideia. Estava odiando as voltas que sua cabeça estava dando sem parar, sem conseguir focar na música, ou no ambiente, ou em qualquer coisa. Só uma imagem assombrava sua mente e ele jurou pra si mesmo que nunca mais encostaria em uma gota de álcool.

- Por favor, Deus, faça isso parar - Queria que o álcool fosse embora, que Castiel fosse aniquilado de sua mente. Queria ser teletransportado para o colo macio e aconchegante da sua mãe. Odiou a decisão que tomou de ir à festa e odiou mais ainda o fato de ter ido só porque ouviu de longe Castiel dizer que gostaria de ir porque uma banda que ele gosta tocaria.
O banheiro público fedia a pecados e a miséria, estava há cerca de 10 minutos lá dentro e ouviu alguém lá de fora agressivamente bater na porta.

- Porra, você vai morar aí seu estúpido? Tem uma fila de gente querendo mijar, sai dessa merda agora ou eu te quebro junto com essa porra - Seu coração agitou com a voz grosseira de Castiel. Não, não, não, não, não, não. Ele não, não agora. Deus, me faça sumir. Me avapore. Me condene para o inferno ou me suba para os céus, apenas me tire daqui.

Reuniu uma força que não tinha e abriu a porta, cambaleando como um cachorro de rua com a pata machucada.

- Nathaniel?! Mas que porra você tava fazendo aí esse tempo todo? - Castiel falou confuso e exasperado. Nathaniel, por sua vez, deu de ombros, não conseguiu falar nem uma sílaba, seguiu andando.

- Não me ignore - Rosnou - Você sabe que eu odeio isso. Espere eu sair.

A bebida não permitiria que ele fosse mais para tão longe assim, sentou no chão, aguardando. O que mais poderia fazer?

Não notou quando Castiel saiu do banheiro e o puxou pelo braço, dando seu ombro.

- Por que está tão bêbado? Droga, que inferno. Você está todo sujo e fodido e eu que vou ter que resolver isso? Cadê a porra dos seus amigos?

Nenhum som saiu da boca de Nathaniel, temia o que sairia se ele ousasse tentar.
Foi colocado em um carro e então tudo o que seguiu foi um grande borrão.

Carro. Porta. Quarto. Banho. Boca. Beijo. Roupa. Colchão. Sono.

Espera.

BEIJO?!

Nathaniel acordou ofegante e sozinho no dia seguinte, o quarto era o de Castiel.

•

Feliz véspera de Natal!

Dádivas • Amor Doce (CasNath) Stories to obsess over. Discover now