Nas Sombras da Cidade

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Gotham nunca dorme, sua vigília não é pacífica. A cidade é como um organismo doente, pulsando com violência e corrupção. Tudo é devorado pela escuridão: becos apertados, ruas sujas e até mesmo as almas daqueles que vagam por ela. Aqui a esperança é um luxo caro, algo que a maioria não pode sequer imaginar. Estou aqui há meses, tentando mudar isso.

Me chamam de lenda, de mito, de monstro. A Imprensa insiste em me chamar de "O Homem Morcego". Ainda não sei se gosto do nome, mas funciona. Cria medo. E medo é minha arma.

Meu traje ainda é um protótipo: uma capa costurada por mim mesmo, um colete blindado adaptado de equipamento militar e o capuz, uma máscara de couro reforçado, com as orelhas pontudas que eu mesmo moldei, é pesado e quente, mas funcional. As luvas roxas, gastas pelo uso, ainda seguram firme. É tosco, mas serve ao propósito.

Essa noite marcará o início de algo

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Essa noite marcará o início de algo. Minha primeira patrulha começa nos telhados de uma fábrica abandonada no distrito industrial. Há rumores sobre um carregamento ilegal chegando ao porto. É um território perigoso, comandado por homens que acham que a cidade pertence à eles. É o tipo de lugar onde o medo controla tudo - o medo do que está à espreita na escuridão.

Ao avistar o grupo descarregando as caixas, cada decisão se torna vital. Há um padrão na forma que eles se movimentam. Traficantes. As armas vão abastecer uma guerra entre gangues. Não posso permitir. Lembro-me das lições: observe, planeje, ataque. Tudo deve ser preciso.

"Porque você faz isso, Bruce?" A pergunta ecoa na minha cabeça, como sempre faz. A voz do meu pai. Uma memória, um fantasma.

Anos atrás

Era uma noite fria como esta quando minha vida desmoronou. Tinha apenas oito anos. Gotham já era podre, mas naquela época eu era cego à podridão. Estávamos saindo do cinema, meus pais e eu, depois de assistir Zorro. Lembro da risada do meu pai e da mão firme da minha mãe segurando a minha.

Então, o beco veio. A luz dos postes não chegava até lá, e tudo parecia mais frio, mais escuro. Um homem saiu das sombras com uma arma apontada para nós. "A Carteira e o Colar.", ele disse. A voz era rouca, desesperada. Meu pai tentou argumentar, acalmá-lo, mas o assaltante tremia demais. Dois tiros. Um pra cada um deles.

As pérolas rolaram pelo chão enquanto eu assistia à vida escorrer de seus olhos, ajoelhado entre eles. Eu queria gritar, mas minha voz não saiu. A dor foi um silêncio eterno.

Foi naquela noite que eu morri junto com eles. E foi também naquela noite que algo dentro de mim nasceu.

 E foi também naquela noite que algo dentro de mim nasceu

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Presente

Salto da escuridão, derrubando o primeiro homem antes que ele possa gritar. Os outros reagem rápido, mas não rápido o suficiente. Um deles tenta sacar uma arma, mas um chute bem posicionado o faz largá-la. Outro ataca com uma faca, mas erro é algo que não posso me dar ao luxo de cometer. Um golpe bem calculado o derruba.

Eles não são um problema. O verdadeiro problema está dentro do armazém. Empurro a porta de ferro e avanço.

"Bruce, você não é um soldado. Não é um policial."
Dessa vez, é a voz de Alfred. Ele tentou me convencer de que isso era loucura, que colocar a máscara não traria meus pais de volta. Ele não entende, não espero que entenda.

Dentro do armazém, há mais cinco homens. Um deles, pelo rádio preso ao cinto, parece ser o líder. Reconheço o símbolo no carregamento: a marca dos Falcone, uma das maiores famílias do crime de Gotham. Se eu não parar isso aqui, essas armas vão alimentar o caos nas ruas por meses.

Ataco com tudo. Minha abordagem não é elegante, é brutal. Não sou um artista marcial refinado - ainda não. Sou apenas um homem com raiva e uma missão. Eles não têm chance.

Eles me subestimaram. Estavam preparados pra enfrentar policiais corruptos, não um espectro que se move nas sombras. Quando o último deles cai, deixo o líder amarrado com uma corrente ao lado de uma das caixas de armas. Ele tem um rádio. Sei que alguém do outro lado está me ouvindo.

Avise a eles. minha voz é baixa, quase como um rosnado — Gotham mudou.

Ouço sirenes ao longe. Polícia. Preciso sair daqui. Mas antes, deixo algo pra eles encontrarem: o símbolo do morcego que costurei no meu peito. Não é apenas um traje. É uma ideia.

De volta ao telhado, olho para a cidade. Gotham está viva, respirando, e eu sou seu anticorpo. Ela ainda me desafia, ainda me corrói. Mas eu também corroo de volta.

"Porque você faz isso, Bruce?"

Faça isso porque alguém precisa. Porque Gotham precisa.

Sou o Batman.

E esta é apenas a minha primeira noite.

E esta é apenas a minha primeira noite

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Gotham: A Ascensão das SombrasStories to obsess over. Discover now