Uma vez sonhei... e sonhar foi a maior loucura que já cometi. Quando se sonha, você escapa da realidade. Tudo ao redor desaparece e, por alguns minutos, nada mais existe. Ficamos tão absortos que esquecemos o mundo, as responsabilidades e até mesmo quem somos.
Lembro-me de um sonho no ônibus: eu era uma das maiores atrizes do mundo. Subia ao palco para receber um Oscar e era aclamada como a melhor atriz da história. O brilho das luzes, os aplausos, o êxtase... Mas então acordei. A dura realidade me golpeou: eu, Elisa, não era nada além de uma sonhadora voraz, perdida em um mundo que não existia.
Sonhos, percebi, são como drogas. Eles viciam, transportam você para um estado de êxtase e, ao acabar, deixam uma sensação devastadora. Como poderia eu, uma garota medrosa e tímida, imaginar o glamour das telas?
Sonhar nunca foi algo feito para mim. Desisti deles. Aceitei encarar a realidade ao meu redor, a dura lição de que, ao invés de perseguir fantasias, eu deveria buscar uma vida simples, confortável. Isso, por si só, já seria uma vitória para alguém como eu.
Fecho o bloco de anotações no celular e encaro a parede à minha frente. Respiro fundo, ainda refletindo sobre o que escrevi. Nunca imaginei que pensar no futuro pudesse ser tão devastador. A professora de Projeto de Vida ficaria horrorizada ao saber a tristeza que essa atividade me trouxe. O mais fácil seria escrever um texto genérico, algo sobre amar ajudar as pessoas e querer ser médica para "fazer o bem". Balela. Todo mundo sabe que o verdadeiro motivo é o salário alto, mas poucos têm coragem de admitir. Não há nada de errado em buscar dinheiro, mas fingir ser um santo altruísta para justificar escolhas cansa.
O som estridente do sinal me tira dos pensamentos. Levanto-me, ainda pesada de reflexões, e caminho lentamente pelo corredor. Ao passar por uma parede coberta de grama com pequenas flores, o avisto. Lá estava ele, com os cabelos longos e castanhos lutando contra o vento. Tento fingir indiferença e sigo meu caminho, mas minha mente não deixa de vagar até ele: Kim Seok-jin.
Não sei ao certo quando ele apareceu na escola, mas lembro bem de quando notei sua existência. Era impossível ignorá-lo. Kim Seok-jin, com seus olhos castanhos cor de mel, era a personificação de tudo o que eu achava bonito. Minha amiga Ana o conhecia, o que facilitou descobrir algumas coisas sobre ele, a começar pelo nome.
Lembro de ficar empolgada como uma criança travessa que acabou de descobrir um segredo quando Ana me contou o que sabia sobre ele. Ela sempre me encorajava a ir até ele, dizendo que eu só precisava tentar, mas o medo da rejeição era maior do que minha vontade de conhecê-lo.
Dia após dia, eu dizia a Ana que tentaria me aproximar, mas o medo sempre me paralisava. Já haviam se passado duas semanas desde que decidi reunir coragem. Ana poderia facilmente fazer uma ponte entre nós, mas, por algum motivo, eu queria tentar sozinha. Queria ser uma garota corajosa, que não teme a rejeição.
Na minha cabeça, imaginava o encontro perfeito: eu iria até ele, iniciaria uma conversa e seria tão simpática que ele pediria meu número. Mas a realidade era outra. A insegurança e o medo me impediam. Tudo o que conseguia fazer era observá-lo pelo canto dos olhos enquanto caminhava na direção oposta.
— Não posso fazer isso... — repito para mim mesma.
Toda vez que o vejo, fujo como uma idiota, como se estivesse diante de algo assustador. Mas eu nem sequer tenho motivos para isso. Não é como se eu fosse me declarar ou pedir que ele gostasse de mim. Eu só preciso do número dele. Só isso. Respiro fundo mais uma vez, tentando convencer meu próprio coração. É simples. Eu consigo.
Dou meia-volta e caminho pelo corredor como um soldado marchando para cumprir sua missão. Depois de alguns segundos, finalmente o encontro. Ele está encostado em um canto discreto, afastado do restante dos alunos. Lanço um olhar rápido ao redor e, para minha sorte, não há ninguém por perto. Aproximo-me devagar. Quando paro à sua frente, ele ergue os olhos e me encara com uma expressão curiosa, como se perguntasse silenciosamente o que eu queria.
Meu coração dispara. As mãos ficam suadas e sinto que toda a coragem que reuni pode desaparecer a qualquer instante. Respiro fundo uma última vez. Antes que o medo fale mais alto e me faça fugir outra vez, abro um pequeno sorriso e deixo as palavras escaparem:
— Oi... você pode me passar seu número?
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O Outro Lado da Laranja 🍊
FanfictionEm um colégio, dois adolescentes descobrem um amor que parece ter saído de um filme. Entre olhares tímidos, conversas até a madrugada e promessas silenciosas, eles acreditam que encontraram algo capaz de durar para sempre. Mas, à medida que a realid...
