A chuva caía pesadamente sobre as ruas de Seul, como se o céu compartilhasse do desespero de Son Chaeyoung. Ela estava parada em frente ao prédio de apartamentos de Myoui Mina, sua única âncora em um mar de incertezas. Chaeyoung segurava uma garrafa de cerveja barata na mão esquerda, enquanto a direita, agora vazia, ainda sentia a memória do cigarro que a chuva havia apagado.
Ela olhou para cima, para as janelas iluminadas do apartamento de Mina, perguntando-se se a médica estaria lá, em seu refúgio de conforto, ou no hospital, envolvida em mais uma cirurgia que salvaria uma vida. Chaeyoung sabia que não deveria estar ali, que não deveria atrapalhar Mina com seus problemas, mas a verdade é que ela não tinha para onde ir.
As lágrimas se misturavam à chuva em seu rosto, e ela sentia cada gota como uma acusação, um lembrete de sua falha. Ela havia prometido a Mina que se manteria sóbria, que aproveitaria a segunda chance que lhe foi dada, mas agora, tudo estava perdido novamente. Emprego, casa, esperança - tudo desapareceu em um turbilhão de más decisões.
Chaeyoung estava prestes a se afastar, a se perder mais uma vez nas ruas sombrias de Seul, quando a porta do prédio se abriu. Era Mina. Sem o jaleco branco, sem a armadura de médica bem-sucedida, apenas Mina, com os olhos arregalados de preocupação e um guarda-chuva na mão.
— Chaeyoung? O que aconteceu? — perguntou Mina, aproximando-se rapidamente e abrigando-a sob o guarda-chuva.
Chaeyoung queria falar, queria explicar, mas as palavras se perderam em um sussurro de desculpas. Mina entendeu. Ela sempre entendia. Com um suspiro pesado, ela segurou o braço de Chaeyoung e a guiou para dentro do prédio, protegendo-a da chuva que não cessava.
O elevador subiu em silêncio, e quando entraram no apartamento de Mina, a médica ofereceu a Chaeyoung roupas secas e confortáveis, além de uma toalha limpa. Ela insistiu para que Chaeyoung tomasse um banho quente enquanto preparava algo para elas comerem.
Vinte minutos depois, Chaeyoung emergiu do banheiro, vestindo um moletom grande demais para ela, que pertencia a Mina. Seus cabelos, cortados em um estilo andrógino, estavam úmidos e caíam sobre seu rosto, escondendo parcialmente seus olhos vermelhos e inchados.
Mina estava na cozinha, preparando chocolate quente, o aroma doce preenchendo o pequeno apartamento. Ela chamou por Chaeyoung, que hesitou na entrada da cozinha, claramente perdida e vulnerável.
— Venha, Chaeyoung. Vamos sentar e conversar. — Mina disse suavemente, entregando-lhe uma caneca fumegante e um prato de biscoitos.
Elas se sentaram no sofá, uma de frente para a outra. Mina começou a comer, mas Chaeyoung apenas olhava para o lanche, incapaz de tocar na comida. Mina colocou o prato na mesa de centro e se inclinou para frente, olhando nos olhos de Chaeyoung.
— Me conte o que aconteceu, Chaeyoung. — Mina pediu, sua voz cheia de preocupação, mas também de um amor inabalável.
Chaeyoung respirou fundo, reunindo coragem para revelar sua recaída, para admitir que havia perdido tudo mais uma vez. Ela sabia que precisava ser honesta com Mina, com a única pessoa que nunca havia desistido dela.
Chaeyoung sentia o calor do chocolate quente penetrar em suas mãos trêmulas, mas era o olhar gentil de Mina que aquecia sua alma. Ela hesitou, os olhos baixos, lutando contra a vergonha que a consumia.
— Eu... eu perdi tudo de novo, Mina — Chaeyoung começou, sua voz não mais do que um sussurro. — O emprego, a casa... eu não consegui me manter na linha.
Mina ouvia em silêncio, seus olhos nunca deixando o rosto de Chaeyoung. Não havia julgamento ali, apenas uma tristeza profunda e uma vontade de ajudar.
— Você não perdeu tudo, Chaeyoung — Mina respondeu com firmeza. — Você ainda tem a mim. Vamos resolver isso juntas, como sempre fizemos.
Chaeyoung levantou os olhos, encontrando a determinação nos de Mina. Uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha, e ela assentiu, permitindo-se acreditar, talvez pela primeira vez, que não estava sozinha.
Mina se levantou e estendeu a mão para Chaeyoung, puxando-a para um abraço apertado. Chaeyoung se permitiu ser envolvida pela força da médica, sentindo um vislumbre de esperança.
— Vamos começar com um plano — Mina disse, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Chaeyoung. — Primeiro, você vai ficar aqui comigo. Segundo, vamos encontrar um novo emprego para você. E terceiro, vamos garantir que você tenha todo o apoio necessário para não ter outra recaída.
Chaeyoung sentiu-se envolvida pelo abraço de Mina, um porto seguro em meio à tempestade que era sua vida. O calor humano, algo que ela pensou ter perdido para sempre, agora a envolvia com promessas de um novo começo.
— Mina, eu não sei se mereço outra chance — Chaeyoung murmurou contra o ombro de Mina, suas palavras abafadas pelo tecido do moletom.
— Todos merecem redenção, Chaeyoung. Você não é uma exceção — Mina respondeu, sua voz firme e cheia de convicção.
Elas se separaram e Mina segurou o rosto de Chaeyoung entre as mãos, limpando as lágrimas com os polegares.
— Olhe para mim, Chaeyoung. Você é mais forte do que pensa e mais amada do que sabe.
Chaeyoung olhou nos olhos de Mina, vendo ali não apenas a médica bem-sucedida, mas a mulher que havia se tornado sua salvadora, sua amiga, sua... amada? Sim, havia algo mais ali, um sentimento que Chaeyoung temia nomear, mas que crescia dentro dela a cada dia.
— Eu quero tentar, Mina. Por você, por mim... por nós — Chaeyoung disse, a determinação crescendo dentro dela.
— Então vamos tentar juntas — Mina sorriu, e havia uma promessa naquele sorriso, uma promessa de dias melhores.
Nos dias que se seguiram, Chaeyoung começou a reconstruir sua vida. Com a ajuda de Mina, ela encontrou um emprego em uma cafeteria local, um lugar pequeno e aconchegante onde ela poderia começar de novo. Mina estava ao seu lado em cada passo, oferecendo apoio e amor incondicional.
Chaeyoung começou a frequentar sessões de terapia, enfrentando os demônios de seu passado com a coragem de quem sabe que não está sozinha. Mina a acompanhava, segurando sua mão, oferecendo um ombro para chorar quando as memórias se tornavam demais.
Com o tempo, Chaeyoung começou a se abrir para Mina, compartilhando seus medos mais profundos, suas esperanças e sonhos. E Mina ouvia, sempre ouvia, com o coração aberto e a mente atenta.
— Mina, eu... — Chaeyoung começou uma noite, enquanto estavam sentadas no sofá do apartamento de Mina, uma manta compartilhada entre elas. — Eu sinto algo por você. Algo mais do que gratidão ou amizade. Eu estou apaixonada por você.
Mina olhou para Chaeyoung, surpresa e emoção brilhando em seus olhos.
— Chaeyoung, eu também sinto algo por você. Eu estava com medo de dizer, com medo de que fosse cedo demais, que pudesse atrapalhar sua recuperação — Mina confessou, suas mãos encontrando as de Chaeyoung.
— Não é cedo demais, Mina. É o momento certo — Chaeyoung disse, um sorriso tímido nos lábios.
Elas se aproximaram, e o primeiro beijo foi suave, uma promessa selada entre lábios que haviam falado tanto de dor e agora falavam de amor.
E assim, Chaeyoung e Mina começaram um novo capítulo juntas, não como médica e paciente, mas como duas almas que haviam encontrado amor na tempestade. Um amor que prometia ser o alicerce para um futuro onde ambas poderiam ser quem realmente eram, livres e unidas.
(Fim)
ANDA SEDANG MEMBACA
Internal Storms | MiChaeng
Fiksyen PeminatCONCLUÍDA Chaeyoung, uma adolescente atormentada por vícios e demônios internos, encontra refúgio nos braços de sua amiga, uma médica cuja compaixão e apoio inabalável se tornam sua luz no fim do túnel. Juntas, elas enfrentam as tempestades da vida...
