Vermelho sempre foi minha cor favorita.
Minhas unhas estavam sempre pintadas com o tom mais escuro da tabela, bem como as roupas em meu armário eram, em sua maioria, desta cor, assim como meus sapatos e acessórios, combinando com algumas peças pretas, prateadas e, ocasionalmente, brancas. Meu vestido de formatura, o material que usava na faculdade, meu notebook e celular eram todos vermelhos.
Agora, o vermelho tomava conta de toda a minha visão.
Assim como a sirene ambulatória que tocava insistentemente, há muitas e muitas ruas daqui, mas o tom era diferente. O vermelho da ambulância era vivo e brilhante, gritava de forma irritante aos olhos, o vermelho febril, o tom exato que cobria minhas bochechas agora; enquanto o que me cegava era a cor perfeita de sangue coagulado, escuro e fosco, o tipo de vermelho que hipnotiza, que te arrasta abismo abaixo nos confins da sua mente e te sufoca. A tonalidade rubi que você não quer parar de olhar, que drena sua sanidade aos poucos numa sensação amarga que te deixa querendo mais, viciado na dor e na loucura.
Este era o vermelho do cabelo de Castiel Veilmont, cujos fios pendiam entre nós. Sua testa estava colada na minha, seus olhos fechados e lábios inchados, levemente abertos enquanto a respiração descompassada entrava e saía de seus pulmões. Eu não estava muito diferente, totalmente aturdida com o rumo que a nossa relação tomou e tentando me forçar a lembrar como raios fui parar entre ele e o carro, com uma de suas mãos em minha nuca e a outra em minha bunda.
Minhas lembranças se embaralhavam umas nas outras, como se eu estivesse bêbada, mas não estava. Conheço muito bem a sensação de estar bêbada, de perder o controle da própria mente e mergulhar no vazio do álcool; sabia que não era isso que estava me fazendo perder os sentidos, mas sim a queda num vermelho muito, muito profundo. Tudo o que conseguia me lembrar era da boca de Castiel na minha, explorando agressivamente, urgente e sem cuidado enquanto suas mãos subiam e desciam pelo meu corpo; da sensação do abdômen firme e definido sob meus dedos que o apertaram e arranharam por baixo da camisa preta rasgada em pontos estratégicos para sugerir um ar de estrela do rock.
Eu não conseguia pensar em nada além das coxas grossas entre as minhas pernas e o quanto eu queria me derreter bem ali, deixar o mundo material e ascender para um plano em que tudo o que existe é rubi-sangue e as sensações deliciosamente dolorosas que ele causa, como se fosse mil agulhas perfurando partes distintas do seu corpo numa agonia fina, vertiginosa e deleitável.
Seus lábios voltaram a tocar os meus e suas mãos me apertavam com força e possessividade. O gosto de uísque, cigarro e menta me atingiam outra vez e causavam sensações opostas às que eu sempre pensei que causariam. Eu estava sem ar e totalmente inebriada pelo perfume que ele usava, distorcendo meus sentidos. Movi os quadris para frente e para trás sentindo a calça jeans do rapaz queimar deliciosamente o interior de minhas coxas. Me sentia totalmente perdida, inebriada na sensação da língua quente na minha impondo submissão; e não havia nada que eu pudesse fazer além de me render e gemer em sua boca. Ele puxou os fios da minha nuca, forçando minha cabeça para trás e o beijo a cessar, então, mordeu meu pescoço exposto com certa força.
Abri os olhos e deixei um gemido alto escapar. Castiel me virou de costas para si, pressionando seu corpo contra o meu. O reflexo do vidro do carro me mostrava sua expressão: tão perdido em sensações quanto eu, mas concentrado demais em provocá-las mais e mais vezes até o limite. Ele segurou o meu pescoço com uma das mãos, apertando levemente, enquanto a outra me segurava pela cintura. O Veilmont escondeu o rosto em meu ombro enquanto simulava uma penetração, movendo os quadris para frente e para trás em minhas nádegas, e gemia baixinho.
Castiel não dizia nada e eu também não. Tudo o que tínhamos para dizer já foi dito e não havia nada no mundo que eu quisesse escutar agora além de seus sons sôfregos de prazer, os sons estalados de sua boca na minha pele, sua língua na minha e nossas roupas friccionando. A mão que envolvia meu pescoço desceu, adentrando minha blusa e agarrando meu seio, alternando entre apertá-lo por inteiro e se divertir com o mamilo sensível, puxando, acariciando e beliscando; a outra que repousava em minha cintura desceu cada vez mais, encontrando seu lugar por entre as minhas pernas, dentro da saia. Seu corpo resetou; ele percebeu que eu não usava roupa íntima e gemeu um pouco mais alto, deixando uma lufada de ar escapar enquanto pressionava ainda mais seu pau contra a minha bunda. Conseguia vê-lo sorrir contido através da imagem refletida.
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ZARA
Fanfiction[+18] Vermelho-sangue nem sempre é um mau presságio. O que a maioria das pessoas leva dessa frase é que a cor pode significar boas coisas, e não estão erradas. Mas atenção ao "nem sempre": denota exceção. "Nem sempre é um mau presságio", mas no caso...
