"Me conta sobre a sua história de amor."
Foi isso o que Park Jimin me disse pela primeira vez, após me encontrar chorando com uma margarida despedaçada no colo, num canto escondido da escola, atrás das caçambas de lixo. Não precisávamos nos apresentar, pois estudávamos na mesma sala de aula. Isso significa que já sabíamos nossos nomes, nossas turmas e nossos grupinhos de amigos. Por isso, ele pulou essa etapa quase sempre necessária e foi direto ao ponto que eu particularmente não tinha com quem conversar.
Contei sem pestanejar sobre a minha primeira paixonite platônica e sobre como me machucou muito vê-lo me negar para ficar com outra pessoa, demonstrando o quanto precisava realmente por pra fora o que estava me consumindo. Não sei explicar de onde saiu essa confiança toda em Park, já que nunca houve nenhum tipo de interação entre nós dois no ambiente escolar ou fora dele, mas a primeira desilusão causada pela rejeição dói feito a peste e ele estava ali, disponível pra me ouvir.
Pra minha surpresa, ele concordou que o amor pode ser uma coisa muito confusa e ferina. Disse com a sapiência de um adulto no corpo de um adolescente que essa seria apenas a primeira desilusão de algumas antes de eu finalmente aquietar meu coração com alguém que me faça tão bem quanto eu serei capaz de retribuir. Então se sentou ao meu lado, e ao meu lado ficou por todo o tempo que pode durante os próximos 1 ano e alguns meses, não saindo de perto nem quando confessei os sentimentos românticos que passei a alimentar por ele.
Nesse momento não houve fala. Ele apenas me olhou com aqueles olhos indomáveis que me enxergavam por dentro e se aproximou para deixar um selinho delicado e demorado na minha boca. Instantaneamente, meus lábios formigaram, os músculos da minha barriga e ombros tensionaram, minha respiração ficou mais pesada e minha consciência expandiu.
"Eu acho que você é minha alma gêmea."
Foram as únicas palavras dele semanas depois daquele selinho que se estendeu para vários beijos gostosos trocados durante todos os dias que se passaram, e eu nem precisei pensar muito para concordar. Eu já sabia, já sentia em cada parte de mim que ele era a minha pessoa nesse mundo e que nada poderia nos separar, mesmo que tentassem. Por isso, eu apenas sorri grande, o abracei calorosamente e aceitei as lágrimas que escorriam por seus olhos. Lágrimas que eu não entendia na época, a real razão para que elas rolassem com tamanha teimosia no rosto bonito da minha outra metade.
"Me espera?"
Foi o que Park Jimin pediu entre as poucas lágrimas que deixou cair quando me contou que estava se mudando de país por causa de uma promoção que sua mãe recebera na empresa, mas que estaria disponível para ela aceitar apenas na filial da Itália.
Eu sempre fui mais chorão que ele e mais sensível também. Meu rosto era uma bagunça de lágrimas abundantes, muco transparente e suor. Meu primeiro amor estava indo embora poucos meses depois de eu me declarar e eu não pude fazer nada para impedir isso. Achei estranho tudo o que envolvia aquela "promoção apenas na Itália" e ele não quis explicar mais do que já havia falado, sabia também que ele odiaria que eu falasse com seus pais sobre isso, então só me restou aceitar, respeitar, chorar mais e prometer que esperaria por ele.
"A gente precisa viver enquanto espera."
Foi exatamente o que ele disse na ultima carta que recebi dele.
Tínhamos essa mania de nos comunicarmos mais profundamente por cartas, mesmo nos falando quase sempre através do advento das mensagens de texto e ligações internacionais. Naquela época já estava no final do ultimo ano do ensino médio, há quase 9 meses amando à distancia.
Na minha penúltima carta, eu havia contado sobre um rapaz novo que entrou na escola no meio do ano e que se aproximou bastante de mim. Nos tornamos amigos quase instantaneamente, principalmente por ele também ser gay. Contei que esse amigo havia me confessado que queria muito que fossemos juntos ao baile de formatura e que eu fosse o seu primeiro beijo.
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Me conte suas histórias de amor
Fanfiction***ONE SHOT*** -- OBRA DE FICÇÃO. Tudo nessa obra é apenas uma invenção. -- NÃO ACEITO ADAPTAÇÕES Kim Taehyung encara a necessidade de detalhar sua história de amor com sua alma gêmea, Park Jimin, para que quem estiver lendo saiba que nenhuma histór...
