JOGO DE MARIONETES | O egoísmo dos homens revela suas sombras mais obscuras.
Valentim nunca enxergou Maeve como uma criança.
Desde o momento em que a sequestrou ainda bebê, ela foi apenas um experimento. Uma arma em potencial.
Criada entre cientista...
⊹ ˑ ִ ֗ ִ ۫SEU PONTO FRACO⊹ ˑ ִ ֗ ִ ۫ CAPÍTULO DOIS
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───── Cara, você acabou comigo.
EU MERGULHAVA EM UM desconforto que percorria cada centímetro do meu corpo, uma dor que parecia ecoar por toda a minha existência. Meus olhos ainda estavam fechados, minhas pálpebras pareciam pesar toneladas, e parecia impossível abri-las naquele momento.
Tentei mover os dedos, sentindo a superfície fria sob mim. Um murmúrio distante de vozes chegou aos meus ouvidos. Alguém percebeu que eu havia acordado, mas tudo estava confuso demais, nenhuma voz fazia sentido.
Abri os olhos lentamente, piscando várias vezes para me acostumar à intensidade da luz que invadiram meus olhos. Minhas pupilas se ajustaram aos poucos, e as vozes começaram a se tornar mais nítidas. Finalmente consegui me situar.
Uma mulher Na'vi apareceu à minha frente. Eu sabia imediatamente quem era: Mo'at.
Não dizia nada, apenas a observava, e também à menina ao lado dela, que eu presumia ser uma Tsakarem, talvez filha de Jake ou destinada a ser a futura esposa do primogênito do Avatar.
Enquanto Mo'at aplicava uma mistura de ervas nas minhas costas, eu não pude evitar fazer caretas de dor. Não esperava que fizessem tantos machucados, e a dor era pior do que eu imaginava.
À medida que Mo'at conversava com a Tsakarem, fui percebendo detalhes. A menina era, de fato, neta da Tsahìk. Eu observava tudo atentamente. Os quatro dedos dela, provavelmente herdados da genética de Jake. O nariz mais fino, as sobrancelhas. Eu tinha aprendido a prestar atenção a cada mínimo detalhe.
— Vá avisar seus pais que ela acordou e que eu já terminei aqui — disse Mo'at em Na'vi, se dirigindo à neta, que saiu para cumprir a ordem.
Um nervosismo percorreu meu corpo, mas me mantive calma. Essa seria a missão da minha vida, e eu precisava ter sucesso.
Logo, Jake e Neytiri apareceram, e meu coração acelerou. Engoli em seco. Neytiri era meu maior medo.
A menina que chamara os pais permaneceu fora da tenda, acompanhada por dois pré-adolescentes e uma criança pequena. Normalmente, a aceitação no clã era natural, mas minhas características humanas chamaram atenção do Olo'eyktan, que parecia curioso sobre minha origem.
Fiz um gesto com a mão, simbolizando "Eu vejo você".
— Olo'eyktan Jake — falei, voltando-me para a esposa dele. — Neytiri te Tskaha Mo'at'ite.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, tentando controlar a respiração acelerada. Meu coração batia tão forte que parecia que todos ali podiam ouvi-lo. Então, Jake quebrou o silêncio, falando em português.
— Qual seu nome, garota?
— Maeve. — Respondi de forma simples, tentando parecer calma.