Capítulo 1: Solo

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Havia algo na forma como JungKook olhava para Dae.

Um quê de especial, mas misterioso, como se ele a conhecesse de outras vidas, se Dae realmente pudesse afirmar que algo assim existisse, ou que o clichê corresse em suas veias. Mas não era esse o caso.

Não, era apenas mais um novato na universidade tentando descobrir seu lugar ao sol na selva de pedra, dominada por gigantes e atormentada por boletos. Não muito diferente da citada, mas completamente distinto em sua forma e existência.

Só que ainda assim, aquele olhar mexia com a serena Dae, que só queria acabar o que mal tinha iniciado: a aula de sexta-feira à noite.

Planos? Não eram muito promissores, ao olhar dos outros, claro, pois Dae tinha grandes planos para si naquela noite.

Música, vinho e dancinhas aleatórias em plena cozinha de um apartamento, que de "a" só tinha a vogal mesmo, pois estava mais para "apertamento", mas tudo bem, ela conseguia se virar bem ali. Pelo menos, era o que vinha vivendo e dando certo nos últimos 02 meses.

Não é como se uma universitária jovem de 20 anos recém formados precisasse muito mais do que um lugar para deitar, para fazer suas necessidades básicas e comer.

O futuro podia até ser promissor, mas essa época simples é o que ela tinha, e não tinha do que reclamar.

Dae gostava dos detalhes, e talvez fosse por isso que o olhar do moreno a deixasse tão desconcertada, pois não havia entendimento, nem conexão e tampouco contexto para aquele olhar direcionado a si, ou seria coisa da sua cabeça? Não.

Durante 02 meses houve chances o suficiente para que aqueles olhos vagassem por aí, mas eles eram sempre os mesmos, para si.

Só que pensar nisso era ainda mais inquietante, e não é como se fosse da sua conta, pelo menos era o que Dae acreditava. Então estava sempre disposta a ignorar, principalmente aquela sensação desconfortável de ser mirada por um desconhecido, que só não era totalmente desconhecido, por cursarem 70% das mesmas disciplinas, embora não da mesma turma e curso.

JungKook tinha um interesse curioso por filosofia e literatura estrangeira para um gamer, ou melhor, para um designer. O gamer vinha a cargo do seu estilo e referências gritantes na forma como se vestia e como se comunicava abertamente com os companheiros da faculdade.

Lá estava mais um traço confortável de se assistir, mas que não compunha bem a equação de Dae. Ela era sim, bem comunicativa, mas só com quem já era conhecido e próximo, no demais, discreta e calma era o que a rotulava em campos sociais. Ela preferia a paz da solitude, do que o caos das relações universitárias instantâneas.

O que só comprova porque seu ciclo de 06 amigos naquele campus eram pessoas da sua antiga cidade, ou até mesmo ex-alunos do seu colégio anterior.

Havia contexto, havia conexão em tudo o que ela vivia. Não tinha como ser diferente de como ela se sentia.

Mas para saber disso tudo, Dae precisaria estar atenta ao que o novato fazia, não?

Não necessariamente. O que uns tem como "atenção" enviesa pelo campo do "interesse", a pequena Dae apenas captava sinais do ambiente exterior no qual se encontrava, não o ignorava, jamais. Isso não era privilégio do moreno, mas de todos os seres e situações que atravessavam seu caminho.

O que mudava a dinâmica apresentada era que parecia que não era apenas Dae que observava o mundo ao seu redor, ela era a observada, como se tivesse algo de especial acontecendo. Algo que Dae se sentia tentada a tentar compreender, mas sem nenhuma certeza ainda.

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⏰ Last updated: Jul 23, 2023 ⏰

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