Batizando a Cidade dos Anjos (Anjos)
Me mostre-a de todos os ângulos (ângulos)
Quero ver Beverly nos meus joelhos
Quero que você me faça gritar no Roxy
Batizando a Cidade dos Anjos
Era assim que me sentia toda vez quando acordava e abria a cortina da grande janela do meu quarto. Barra da tijuca. Rio de Janeiro.
Como eu amo isso aqui. Uma pena que está chegando ao fim.
Em meio aos meus devaneios, me sentei na ponta da cama ainda observando a vista, e sentindo um leve desconforto no tornozelo. Puxei a calça de moletom que cobria o local dolorido, e me deparei com um tornozelo extremamente inchado e vermelho, fruto do clássico carioca fla x flu.
_Filha da puta.- Xinguei ao me lembrar do carrinho que levei da zagueira do time tricolor.
Mesmo com a dor, me levantei novamente, e caminhei até o banheiro buscando um banho quente, que pudesse relaxar meus músculos pelo menos um pouco.
[...]
_Bom dia Ju!- Balbuciei ao entrar na sala/cozinha.
_Bom dia criança.- mesmo eu estando já com 24 anos, julia sempre me tratou como uma criança. Não é por onde, cuidava de mim desde os meus primeiros anos de vida. Não tem como culpá-la por me chamar assim. - Que jogaço ontem, em. Mais 3 gols para sua lista. - Disse toda animada. Julia tinha seus 54 anos, mas sabia aproveitar muito bem a vida carioca e os belos jogos do nosso mengão. Na realidade, ela não perdia um jogo meu. Era como um mãe. Ou melhor, é minha mãe.
_36 na temporada e contando.- Disse fazendo graça. Me sentei na mesa que estava servida com um super café da manhã.
_A propósito, seu pai ligou. Disse que a casa já está pronta para te receber, mandou fazer até uma churrasqueira nova. Está todo felizão.- Ela disse com um pequeno sorriso no rosto.- Eu nem acredito que tá chegando o dia.- Agora seu tom de voz não era mais de animação. Julia se sentou na minha frente e me olhou.
_Eu já te falei, se for comigo não vai sentir saudades.- Disse como quem não quer nada. Enquanto isso fazia um pão com queijo e mortadela, logo dando uma mordida de respeito no alimento.
_Você sabe como é, os meninos já estão emcaminhados aqui Carolina, não tem como abrirmos mão de tudo de uma hora para outra. É complicado demais.- Falou e logo depois tomou um gole de sua xícara de café.
_Assim como se estabilizaram aqui no Rio, podem fazer isso lá comigo.- Dei de ombros.- Eu nunca deixaria vocês na mão, sabe disso.
_Temos plena noção meu anjo, mas não é apenas outra cidade, é outro país Ca, outra lingua, como vou ao mercado fazer o rancho se não sei nem como pedir um quilo de carne moída em inglês?- Dei um riso curto e baixo.
_Os meninos sabem falar inglês.- Retruquei.
_Os meninos sabem, mas eles vão para a escola, natação, futebol, e não sei mas no que você os colocaria. Eu teria que me virar. Não dá pra depender dos outros sempre.- Certo, não dá pra ficar insistindo mesmo.
_Eu entendo.- Disse séria.- Não dá pra vocês mudarem suas vidas por minha causa. Você está certa. Mas quero que continue cuidado do apartamento.- Falei de imediato.
_Eu posso vir uma vez por semana, ai consigo algum outro lugar.- Ela deu de ombros.
_Tudo bem, venha uma vez por semana, mas não precisa arrumar lugar algum.- Disse firme.- Você continuará recebendo da mesma forma, não vamos mexer no seu salário.- Quando terminei de falar, Julia quase se engasgou com o café.
_Não, não faz sentido.- Balançou a cabeça em negação.
_Faz sentido sim, tá na hora de cuidar dessa saúde. Relaxar um pouco.- Dei de ombros enquanto enchia uma xicará de café.- Vai ter umas férias de mim, então aproveite.- Sorri de lado para a senhora à minha frente, essa que se encontrava com os olhos totalmente marejados e um sorriso gigante estampado no rosto.
_Você é um anjo na minha vida, sabia.
[...]
_Bora, mais um.- Felipe falou ao realizar o passe para mim.
Dominei a bola de primeira e chutei. Caixa.
_Ai papai, apaixonei.- Fiz graça para a melina, que filmava com um celular o gol que eu havia acabado de fazer.
_Esse vai pro insta principal.- Ela disse sorrindo.Depois da mais algumas gracinhas e conversas, sai do campo de treino, me dirigindo à parte interna do CT de treinamento do Flamengo. Falei com algumas pessoas da comissão técnica do time feminino, e logo depois fui chamada para comparecer à sala do diretor do clube. Alinhei com ele algumas informações sobre os exames que realizei. Esses exames seriam eviados nessa tarde para o clube Angel City. Sim, vou jogar em um time profissional feminino de Los Angeles. Ladim, o diretor do flamengo, me agradeceu pela presença no clube durante 5 anos, e fez questão de separar todos os troféus que haviamos ganhado durante meu contrato para realizar uma despedida digna. _Eu vou alinhar com a imprenssa, mas se você quiser chegar lá pelas 19:00 está ótimo. Podemos começar a cerimônia às 20:00.- Ele disse se levantando e estendendo a mão para que eu o cumprimentasse.
_Perfeito. - Apertei sua mão.- Muito obrigada Ladim, por tudo que o clube fez por mim. E quem sabe um dia eu volto.- Fiz graça.
_As portas estarão sempre abertas minha querida. Você nos trouxe muitas felicidades, nós que temos que te agradecer.
[...]
"Já embarcou filha?"
Li a mensagem de meu pai enquanto esperava a decolagem, já sentada em minha poltrona na executiva. Tirei uma foto e enviei a ele, sem nada dizer. Coloquei meu celular em modo avião e me ajeitei na poltrona pronta para iniciar minha série "Fubar".
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_Tá nervosa né.- Escutei alguém de pé ao lado da minha poltrona.
_Vai pro seu lugar, e me deixa em paz Ana.- Ralhei com minha prima, amiga e empresária. Ela saiu rindo e balançando a cabeça em negação.
Certo, agora não tem volta Carolina. Los Angeles, estou chegando.