Cena de Abertura

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Dentro de casa, um menino loiro não se cansava de se olhar no espelho. Ajeitava o cabelo, ajustava seu cordão dourado no pescoço e não sabia se ficava com sua camisa ou se a tirava. Quando ele finalmente se cansou de ficar se avaliando, pegou seu celular e tirou uma selfie.

"Acabei de voltar da academia, to cansadinho."

E enviou a mensagem. Acontece que era uma noite entediante de uma segunda-feira e o jovem estava desesperado por um calor humano. Mesmo que esse calor só viesse de um aplicativo de relacionamento.

"Uau, loirinho, você é lindo. Só fico com vontade de ver mais." O pretendente respondeu.

O loiro riu e continuou digitando:

"Ah, é? E porque você não me mostra você primeiro?"

Em curtos segundos, o loiro recebeu uma foto de um menino musculoso sem camisa e cabelos pretos penteados em um topete. Antes que ele respondesse, o menino enviou um áudio.

"Tô todo acabado, né? Só não vale me dispensar depois de ver minha foto"

"Tá brincando, né? Para de charme, você é um gato." O loiro acabou respondendo com outro áudio.

O telefone começou a tocar e era o menino do aplicativo na linha.

— Eu odeio esses aplicativos, assim é bem melhor, né? -Falou o menino.

— Sim! Ainda bem alguém que pensa igual a mim. E é um gatinho, o que torna tudo melhor.

— Para, tenho que me manter interessante porque você é lindo demais. Não vou ter essa sorte outra vez. Queria conversar com você, pra nos conhecermos melhor e tudo mais...seria meio ruim se a gente saísse num encontro sem saber nada um do outro, né?

— Um encontro? Que romântico. Geralmente aqui o pessoal só quer trepar numa construção abandonada ou...se gostarem muito de você, no máximo te levam num motel. -O loiro deu uma risada curta.

— Que isso...e o que alguém perfeito como você está fazendo aqui? Aqui não é lugar para príncipes. É muita promiscuidade, perversão...as vezes me enoja.

O loiro não sabia o que sentir naquele momento. Ao mesmo tempo que estava achando sua paquera um romântico raro, estranhou suas falas contraditórias. Ficou na dúvida se era uma ironia ácida ou se era uma outra coisa.

— Ah, para. -Cerrou as sobrancelhas mas tentou entrar na "brincadeira" logo em seguida: E você não é nenhum santo, ou é? Aqui é o Grindr.

— Digamos que eu estou caçando para todos os lados. Tô meio desesperado. Mas, tudo bem, porque achei você, né?

O loiro riu ao celular enquanto andava pela casa, ansioso. Ligou a televisão, abriu o aplicativo do Netflix e se jogou no sofá da sala.

— Quer saber de uma coisa? Porque você não vem aqui em casa logo? A gente mata esse suspense e, cê sabe, assiste um Netflix.

O outro cara riu.

— Ah, eu vou ir mesmo. Mas quero estar preparado. Porque você não me diz o que você colocaria pra gente assistir?

— Hum...sei lá, um romance...ou algum filme de terror. Assim, nos sustos eu posso te abraçar. -O loiro estava muito animado e sentia seu coração palpitar de excitação.

— Gosto dessa segunda ideia. Você já assistiu "Facada"?

— Alguns antigos. Mas os atuais tão um saco. Mas a gente pode colocar de fundo, não tem problema, não vamos assistir filme mesmo, né?

Scream ZWhere stories live. Discover now