Noah Urrea
Acordei antes do que gostaria. Mais um dia para conhecer a nova secretária. Já perdi a conta de quantas passaram por aqui e não aguentaram meu "jeito difícil". A última, então, pediu demissão em dois dias. Disse que eu era complicado demais. Talvez ela tenha razão. Sou exigente, sim — e com motivo. Não estou aqui para brincadeiras.
Preciso de alguém focado. Comprometido. E que não fique me encarando como se eu fosse um troféu. Não sou.
Quando entro na empresa, encontro meu pai já instalado na minha sala. O sorriso no rosto dele entrega que tem novidade — e eu já sei qual é.
— Não aguentei e vim mais cedo — diz ele, empolgado. — Tenho certeza de que você vai gostar da nova secretária. Vocês vão se entender bem. Ela não é do tipo que fica dando em cima.
Respiro fundo, passando a mão na nuca.
— Pai, você sempre fala isso.
— Mas dessa vez é diferente. Eu conheço a garota. Competente, responsável... só um pouco tímida.
— Tá bom, pai — murmuro, querendo encerrar logo o assunto.
— Noah, tenta ser legal com ela. Só uma chance.
— Vou tentar — digo, mais para calar ele do que por vontade.
Depois da reunião com os coordenadores, volto para a minha sala. É hora de conhecê-la. Luna Taylor. Vinte anos. Estudante de Administração. Quis sair da casa dos pais para provar que pode se virar sozinha.
Ouço batidas suaves.
— Pode entrar — digo, sem me virar.
Espero a voz do meu irmão ou de um estagiário, mas o que chega aos meus ouvidos é diferente: doce, feminina.
Quando finalmente me viro, meus olhos travam nos dela.
Por um segundo, esqueço até como respirar.
Ela não é linda do jeito comum. É o olhar — firme, decidido. A suavidade nos traços. A presença que preenche a sala antes mesmo que ela diga uma palavra.
— Olá, prazer. Me chamo Luna Taylor, sua nova secretária — diz, estendendo a mão.
— Prazer, Luna. Espero que nos demos muito bem — respondo, apertando sua mão com firmeza, tentando ignorar o frio que sobe pelos meus braços.
Mas não consigo.
— Vou ser direto — continuo, voltando ao tom habitual. — Odeio atrasos. Não te pago para perder tempo. Quero foco. Nada de conversas paralelas. Tudo que eu pedir tem que estar pronto no prazo.
— Compreendido, senhor — ela responde, séria.
— Pode sair.
Ela acena e sai, deixando no ar um perfume discreto... e um rastro de pensamentos que eu não deveria ter.
Luna Taylor
Hoje é meu primeiro dia na empresa onde meus pais trabalharam a vida inteira. É o começo da minha independência. Saí de casa, aluguei meu apartamento e conquistei meu primeiro emprego.
Mas confesso que estou nervosa. Dizem que meu chefe é o filho do dono — jovem, exigente, complicado.
Bato na porta, com o coração acelerado. Ouço um "pode entrar" firme. Ele está de costas, imponente. Quando digo seu nome, ele se vira.
E eu quase perco o chão.
Alto, elegante, olhos intensos e expressão fechada que esconde segredos.
Foco, Luna. Você prometeu ser profissional.
— Olá, prazer. Me chamo Luna Taylor, sua nova secretária — digo, estendendo a mão.
Ele aperta firme, respeitoso.
— Prazer, Luna. Espero que nos demos bem — diz, com uma voz grave que me arrepia.
Mas a simpatia dura pouco.
— Vou ser direto — ele fala sério. — Odeio atrasos. Tudo tem que ser feito no prazo. E nada de distrações.
— Compreendido, senhor — respondo, tentando não tremer.
— Pode sair.
Sento na minha mesa, coração disparado. Organizo as tarefas, mas a imagem dele não sai da minha cabeça. Olhamos demais um para o outro. Isso não é normal.
— O que tem de bonito, tem... — murmuro baixinho.
— ...de enjoado também — diz uma voz masculina atrás de mim.
Me viro, surpresa.
— Prazer, Nicolas Urrea — ele sorri. — Fica tranquila, não vou te dedurar pro meu irmão. Eu sofro em dobro aqui.
— Ele é sempre assim?
— Às vezes. Mas quando está com... deixa pra lá. Se ele ouvir, me mata e te manda embora.
— Melhor assim — rio.
Volto a trabalhar, mas meu pensamento insiste em voltar para Noah.
Até que ele aparece de novo.
— Aqui não é lugar pra ficar distraída, Taylor — diz, me tirando dos pensamentos.
— Desculpe, senhor.
— Amanhã quero um relatório dos índices da empresa. Me envie por e-mail.
— Mas não seria mais fácil escrever?
— Sua letra não é bonita — responde, sarcástico.
— Certo. Mandarei por e-mail.
— Se ficar ruim, vou reclamar. Você não sabe com quem está lidando.
— Você é chato — murmuro.
— Não sou surdo — ele rebate, saindo.
Noah Urrea
Não entendo o que senti hoje cedo. Talvez ela nem tenha percebido. Talvez seja só impressão. Mas tem algo nela...
Meu celular toca. É Neide.
— Papai, tô com saudade — ouço a voz do meu filho, Dave.
— Ah, meu amor... Eu também tô com saudade. Logo o papai chega e te abraça bem forte, combinado?
Neide pega o celular.
— Noah, ele me fez uma pergunta que me deixou preocupada...
— O que foi?
— Antes da soneca, ele perguntou por que os amiguinhos têm mãe e ele não.
Fecho os olhos, a dor vem forte.
— Ele ainda é pequeno, não entende, Neide. Vai fazer quatro anos.
— Talvez esteja na hora de deixar o passado pra trás... e abrir seu coração.
— Já conversamos sobre isso. Falarei com ele quando chegar.
Desligo.
Não consigo.
Fui destruído uma vez. Tinha 16 quando me apaixonei pela primeira vez. Aos 18, ela engravidou e quis abortar. Não deixei. Ela aceitou ter a criança, mas foi embora quando Dave nasceu. Durante a gravidez, abusou de mim de todas as formas. Eu era só um garoto.
Nunca contei isso a ninguém.
Hoje crio meu filho sozinho. Fiz uma promessa: nunca mais deixar que alguém me machuque assim.
Mas agora... com Luna aqui...
Sinto que essa promessa já está quebrada.
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Mᴇᴜ Cʜᴇғᴇ
FanfictionNoah Urrea tem apenas 22 anos, mas carrega o peso de um império nas costas - uma das maiores empresas do país está sob seu comando. Frio, calculista e fechado para o amor, ele jurou nunca mais deixar ninguém entrar depois de uma ferida que quase o d...
