Capítulo 1 - Encontro Proibido

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Noah Urrea

Acordei antes do que gostaria. Mais um dia para conhecer a nova secretária. Já perdi a conta de quantas passaram por aqui e não aguentaram meu "jeito difícil". A última, então, pediu demissão em dois dias. Disse que eu era complicado demais. Talvez ela tenha razão. Sou exigente, sim — e com motivo. Não estou aqui para brincadeiras.

Preciso de alguém focado. Comprometido. E que não fique me encarando como se eu fosse um troféu. Não sou.

Quando entro na empresa, encontro meu pai já instalado na minha sala. O sorriso no rosto dele entrega que tem novidade — e eu já sei qual é.

— Não aguentei e vim mais cedo — diz ele, empolgado. — Tenho certeza de que você vai gostar da nova secretária. Vocês vão se entender bem. Ela não é do tipo que fica dando em cima.

Respiro fundo, passando a mão na nuca.

— Pai, você sempre fala isso.

— Mas dessa vez é diferente. Eu conheço a garota. Competente, responsável... só um pouco tímida.

— Tá bom, pai — murmuro, querendo encerrar logo o assunto.

— Noah, tenta ser legal com ela. Só uma chance.

— Vou tentar — digo, mais para calar ele do que por vontade.

Depois da reunião com os coordenadores, volto para a minha sala. É hora de conhecê-la. Luna Taylor. Vinte anos. Estudante de Administração. Quis sair da casa dos pais para provar que pode se virar sozinha.

Ouço batidas suaves.

— Pode entrar — digo, sem me virar.

Espero a voz do meu irmão ou de um estagiário, mas o que chega aos meus ouvidos é diferente: doce, feminina.

Quando finalmente me viro, meus olhos travam nos dela.

Por um segundo, esqueço até como respirar.

Ela não é linda do jeito comum. É o olhar — firme, decidido. A suavidade nos traços. A presença que preenche a sala antes mesmo que ela diga uma palavra.

— Olá, prazer. Me chamo Luna Taylor, sua nova secretária — diz, estendendo a mão.

— Prazer, Luna. Espero que nos demos muito bem — respondo, apertando sua mão com firmeza, tentando ignorar o frio que sobe pelos meus braços.

Mas não consigo.

— Vou ser direto — continuo, voltando ao tom habitual. — Odeio atrasos. Não te pago para perder tempo. Quero foco. Nada de conversas paralelas. Tudo que eu pedir tem que estar pronto no prazo.

— Compreendido, senhor — ela responde, séria.

— Pode sair.

Ela acena e sai, deixando no ar um perfume discreto... e um rastro de pensamentos que eu não deveria ter.

Luna Taylor

Hoje é meu primeiro dia na empresa onde meus pais trabalharam a vida inteira. É o começo da minha independência. Saí de casa, aluguei meu apartamento e conquistei meu primeiro emprego.

Mas confesso que estou nervosa. Dizem que meu chefe é o filho do dono — jovem, exigente, complicado.

Bato na porta, com o coração acelerado. Ouço um "pode entrar" firme. Ele está de costas, imponente. Quando digo seu nome, ele se vira.

E eu quase perco o chão.

Alto, elegante, olhos intensos e expressão fechada que esconde segredos.

Foco, Luna. Você prometeu ser profissional.

— Olá, prazer. Me chamo Luna Taylor, sua nova secretária — digo, estendendo a mão.

Ele aperta firme, respeitoso.

— Prazer, Luna. Espero que nos demos bem — diz, com uma voz grave que me arrepia.

Mas a simpatia dura pouco.

— Vou ser direto — ele fala sério. — Odeio atrasos. Tudo tem que ser feito no prazo. E nada de distrações.

— Compreendido, senhor — respondo, tentando não tremer.

— Pode sair.

Sento na minha mesa, coração disparado. Organizo as tarefas, mas a imagem dele não sai da minha cabeça. Olhamos demais um para o outro. Isso não é normal.

— O que tem de bonito, tem... — murmuro baixinho.

— ...de enjoado também — diz uma voz masculina atrás de mim.

Me viro, surpresa.

— Prazer, Nicolas Urrea — ele sorri. — Fica tranquila, não vou te dedurar pro meu irmão. Eu sofro em dobro aqui.

— Ele é sempre assim?

— Às vezes. Mas quando está com... deixa pra lá. Se ele ouvir, me mata e te manda embora.

— Melhor assim — rio.

Volto a trabalhar, mas meu pensamento insiste em voltar para Noah.

Até que ele aparece de novo.

— Aqui não é lugar pra ficar distraída, Taylor — diz, me tirando dos pensamentos.

— Desculpe, senhor.

— Amanhã quero um relatório dos índices da empresa. Me envie por e-mail.

— Mas não seria mais fácil escrever?

— Sua letra não é bonita — responde, sarcástico.

— Certo. Mandarei por e-mail.

— Se ficar ruim, vou reclamar. Você não sabe com quem está lidando.

— Você é chato — murmuro.

— Não sou surdo — ele rebate, saindo.

Noah Urrea

Não entendo o que senti hoje cedo. Talvez ela nem tenha percebido. Talvez seja só impressão. Mas tem algo nela...

Meu celular toca. É Neide.

— Papai, tô com saudade — ouço a voz do meu filho, Dave.

— Ah, meu amor... Eu também tô com saudade. Logo o papai chega e te abraça bem forte, combinado?

Neide pega o celular.

— Noah, ele me fez uma pergunta que me deixou preocupada...

— O que foi?

— Antes da soneca, ele perguntou por que os amiguinhos têm mãe e ele não.

Fecho os olhos, a dor vem forte.

— Ele ainda é pequeno, não entende, Neide. Vai fazer quatro anos.

— Talvez esteja na hora de deixar o passado pra trás... e abrir seu coração.

— Já conversamos sobre isso. Falarei com ele quando chegar.

Desligo.

Não consigo.

Fui destruído uma vez. Tinha 16 quando me apaixonei pela primeira vez. Aos 18, ela engravidou e quis abortar. Não deixei. Ela aceitou ter a criança, mas foi embora quando Dave nasceu. Durante a gravidez, abusou de mim de todas as formas. Eu era só um garoto.

Nunca contei isso a ninguém.

Hoje crio meu filho sozinho. Fiz uma promessa: nunca mais deixar que alguém me machuque assim.

Mas agora... com Luna aqui...

Sinto que essa promessa já está quebrada.


Mᴇᴜ CʜᴇғᴇHistórias para pegar e não largar. Descubra agora