Flocos de neve caíam frios e úmidos, distantes e silenciosos. Ela nunca parava de cair, e as vezes era como se nem estivesse caindo, com flocos tão pequenos que era difícil afirmar que estava nevando.
Bruce veio andando devagar pela rua feita de pedras antigas. Seus passos ecoavam, quando suas botas de cor cinza tocavam o chão. Ele nunca entendeu direito como podia haver qualquer eco naquele lugar. Na verdade ele nunca entendeu nada...
Aqui e ali havia um poste, dando uma pequena luminosidade quase imperceptível as vezes. No geral era sempre escuro. As gotas de chuva podiam ser melhor vistas quando caíam perto da luz que era emanada pelos postes.
Bruce caminhava sem pressa, e as vezes gostava de parar e ver os flocos de neve sendo iluminados, para ele chegava a ser artístico. Na verdade ele gostava de tudo aquilo. Nem sempre fora assim...
As vezes ele sentia que ia encontrar alguém por ali, as vezes sentia que nunca ia encontrar outro ser vivo. Não importava, fosse como fosse ele estaria preparado, e ele acabava gostando de tudo aquilo, de uma forma nostálgica, monótona e fria, como uma vela que insiste a queimar ainda que esteja quase a ser apagada pela chuva que cai.
Tudo aquilo, aquele lugar, ele se sentia mais calmo... Sua mente era capaz de relaxar um pouco.
Seus passos seguiram pela velha rua clássica pela incontável vez, até que pararam. Ali estava... havia chegado ao seu destino. Um pouco afastada da rua, havia uma casa, apesar de também ter um estilo escuro, emanava mais luz que todas as outras luzes juntas, uma luz aconchegante e acolhedora, que iluminava mais o espaço ao redor.
Bruce parou diante da porta e observou a casa como já havia feito tantas e tantas vezes. Ele acabava gostando dali.
Seus passos foram em direção a porta, e o rapaz abriu a porta, seus movimentos eram sempre lentos, calmos, cautelosos, como se esperassem alguma coisa e não esperasse nada.
Ele entrou e fechou a porta atrás de si. Logo seus ouvidos foram preenchidos por um som suave e caloroso. Um jazz calmo tocava em altura discreta, os saxofones ecoavam sem pressa.
Bruce nunca se cansava de ouvir aquele som, e era por isso que deixava ligado sempre, para quando voltasse pudesse ouvir sempre que pisasse ali. De alguma forma a música parecia deixar sua alma um pouco mais quente...
Mas não era só a música, tudo fora escolhido a dedo. Seus olhos se dilataram diante da luz forte. Havia uma lareira no centro de uma sala de tamanho médio, e para onde quer que se olhasse haviam luzes, abajures e lanternas espalhadas de luz amarelada e forte, as vezes um grupo de luzes colorido.
Havia uma poltrona confortável e uma estante abarrotada de livros. Logo ali havia uma cozinha antiga, e um banheiro, mas com tudo o que era necessário, e um último cômodo.
Bruce andou pelo chão de madeira. Seus passos ecoando. Não era um lugar muito grande, nem muito luxuoso, mas ele gostava daquele lugar, era um dos seus favoritos, e podia chama-lo realmente de aconchegante, e se sentir um pouco mais à vontade, e um bem-estar que raramente sentia.
Ele tirou o sobretudo cinza e o deixou em cima da poltrona, assim como uma espada grande que carregava nas costas por perto, e outros dispositivos que carregava consigo. Sempre que fazia isso de alguma forma podia se sentir um pouquinho mais leve.
Bruce foi até um armário velho e pegou uma garrafa de vinho, junto da taça que sempre usava e foi para um cômodo mais isolado da casa, ali era seu quarto.
Ele abriu a porta e entrou. Era o maior cômodo da casa, um lugar espaçoso, amplo, bem iluminado, com um lustre amarelado no teto no centro, e também havia outra lareira, maior e mais quente. Uma cama grande de casal ficava no centro.
Também no centro, no fim do cômodo havia uma mesa grande, com uma cadeira de madeira com um acolchoado vermelho. A mesa de madeira pesada ficava colada na parede, onde havia uma janela grande.
Bruce se aproximou da mesa, seus passos ecoando... e se sentou afundando na cadeira de madeira, ele sempre gostava daquilo. Colocou o vinho e a taça na mesa, e encheu o copo. Ele se recostou no acolchoado macio, seus olhos fitando a janela.
Ele sempre fazia isso, e sempre encontrava a mesma coisa. Apenas a escuridão e flocos de neve caindo de maneira suave e sem fim... um silêncio que não se acabava.
Ali no quarto o som de saxofone ficava mais baixo, e chegava de forma suave. Os cômodos possuíam um certo isolamento acústico. Levara um pouco de tempo para Bruce encontrar e deixar aquele lugar do jeito que gostava. Sua parte favorita da casa era o quarto.
Depois de mais um ou outro gole no vinho ele colocou a taça de lado. Logo sentiu o efeito sutil, sua mente parecia ficar um pouco mais leve, e seu sangue parecia ter esquentado. Junto com o calor da lareira lhe deixava bem confortável. Tudo isso era bom, já que ali era sempre frio...
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Entre a ordem e o caos
General FictionEm um mundo futurista estranho e cheio de mistérios, e tramas estranhas, Bruce, um guerreiro solitário e enigmático, que trabalha para um alto funcionário do governo de vez em quando é chamado mais uma vez.Dessa vez ele irá atrás de algo que mudará...
