Vinte anos atrás
— Jeremy, Pattie, por favor! — gritei desesperada passando pelo pequeno portão do quintal, correndo o máximo que conseguia até o outro lado da rua.
Sorri aliviada ao olhar para porta e ver Pattie parada com os braços abertos, forcei minhas pernas trêmulas a continuarem correndo e me joguei em seus braços podendo enfim soltar todo o choro que estava preso desde que consegui atravessar a sala de minha casa.
Pattie me colocou para dentro fechando a porta atrás de si, passei as mãos no meu rosto encharcado afim de seca e olhei para os lados vendo Jeremy e Justin chegarem a sala
— suba com ela Justin, só desça quando eu mandar — avisou indo até a porta com a Pattie enquanto eles falavam baixinho, mas eu não estava com cabeça pra ser enxerida.
Sorri sem graça ao ver Justin se aproximar e segurei em sua mão indo em direção ao seu quarto quieta, em noites como essa eu não costumava ter muito a dizer, e ele sabia disso.
— vai ficar tudo bem, Mel. Eu prometo — disse baixinho se deitando ao meu lado, o abracei com força e fechei os olhos deixando que algumas lágrimas caíssem — não vou deixar que te levem de volta pra lá, não vou
Apenas balancei a cabeça concordando, sua pequena mão que antes estava em meu cabelo, desceu para meu ouvido exposto e o escondeu da gritaria que se formava lá em baixo.
Infelizmente eu voltei, não por minha vontade, mas por ter sido forçada. E por mais que Pattie não quisesse deixar, não tinha muito o que ela pudesse fazer.
Lembro-me de ter fugido para sua casa mais algumas noites depois daquela, e quando Jeremy ameaçou ligar para a polícia, me vi tendo o pior dia da minha vida. Uma mudança para o mais longe possível da família que me salvava todas as noites.
Até hoje sonho com aquele dia, Pattie aos prantos na porta de sua casa na tentativa de segurar o Justin, que gritava e chorava tanto. Lembro-me de ver Jeremy tentar manter a calma enquanto conversava com a minha mãe, tentando fazer ela mudar de ideia, e eu? Eu gritava e esperneava na tentativa de atrapalhar o trabalho que meu pai estava tendo de me por dentro do carro.
Desde aquele dia, tudo o que eu tinha era noites escondidas em algum canto da casa, tampando o ouvido e tentando focar em qualquer lembrança feliz que eu tinha antes dessa trágica mudança.
Alguns meses depois minha mãe faleceu, sozinha com hemorragia interna. Ela apanhou tanto, se negou tanto a acreditar que chegaria nesse ponto, que infelizmente chegou. Meu pai foi preso, o que com toda a situação me trouxe um alívio. E eu fiquei em um abrigo até que minha tia conseguisse minha guarda.
Não sei exatamente quando foi que ela conseguiu, mas me lembro que quando ela me buscou, pedi que me levasse pra ver Pattie e Justin, e ela concordou.
Apesar de toda a euforia que eu estava dentro daquele carro, me senti sozinha novamente. Eles haviam se mudado, e pelo que a nova família que morava na casa sabia, eles haviam saído do país.
Os anos seguintes foram agradáveis, estudei, me formei, minha tia conseguiu um bom emprego e nós mudamos para Los Angeles, e quando eu fiquei de maior me mudei também. Hoje com meus 25 anos, ainda me pergunto, aonde eles estão?
— Preciso de ajuda para fechar isso! — olhei em direção a porta vendo a Vicky apenas de lingerie, ela fazia um bico enorme e batia os pés igual uma criança por não conseguir se vestir sozinha
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Your memory
ActionA memória é uma das funções mentais mais importantes. Graças a ela, o ser humano realiza os diversos processos de aprendizado, inclusive instinto de sobrevivência. Melanie teve uma infância difícil, e tudo o que ela se apegava em noites de gritaria...
