A noite tinha uma coloração escarlate, uma lua tão linda e admirável as nuvens faziam com que a lua parecesse tímida, Lohan estava bebendo como de costume, um homem nos seus 35 anos, cabelos pretos ondulados perdendo a cor para o grisalho, enquanto segurava seu copo de whisky barato um homem que aparentava ser alguns anos mais novo senta ao seu lado no bar, vestindo uma batina (roupa utilizada por padres) nova, o Barman olha para o homem e se perguntava se o mesmo iria beber, mas antes que precisasse perguntar o homem responde que não iria beber e sim acompanhar Lohah.
- Você tá um trapo! - Disse o Homem, Lohan observa rapidamente e então comenta. - Não deveria estar cuidando de seus fiéis?
- Estou, nesse exato momento. - Disse o Homem.
- Não sou mais um fiel a algum tempo e você sabe. - Retrucou Lohah.
- Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Sabe doque estou falando não? - Perguntou o Homem.
- Coríntios 13 versículo 7 se não me estou errado... - Disse Lohan enquanto dava fim ao seu copo de whisky.
- Um fiel nunca deixa de ser um fiel, não tem como parar de crer mas tem como se perder no caminho. - Disse o Homem enquanto colocava sua mão esquerda no ombro direito de Lohah. - Se recomponha homem! Não devemos chorar quando alguém que amamos deixa esse poço de amargura que chamamos de vida, e sim festejar pois estão agora com o criador! - Disse o Homem sorrindo.
Lohan olhava para trás, uma última olhada naquela bar que frequentava mais que sua própria casa, aqueles mesmos 3 ou 4 bêbados jogados na mesa a parte de seu próprio vômito, o local que a algumas semanas atrás nem sequer colocaria os pés. - Oque um padre veio fazer em um bar mesmo? - Perguntou Lohah.
O Padre disse sorrindo enquanto penteava seus cabelos loiros com um pente de bolso amarelo que sempre andava com ele. - Conversar com um amigo.
Lohan se observava no reflexo do whisky barato que acabou de encher seu copo, suas olheiras pois não conseguia mais dormir, sua barba que crescia cada vez mais, já não tinha motivos para se arrumar, andava com a mesma roupa a dias, um sobretudo para se proteger do frio com uma calça e camisa social pretas. - Éramos amigos apenas no seminário, após aquilo cada um foi para seu lado, eu não consegui me tornar padre, me casei e tive uma linda filha e mesmo tendo apenas uma, Deus tirou ela de mim, eu não acho isso justo Padre!
- Não se trata de justiça, Deus escreve certo por linhas tortas não cabe a nós tentar entender suas motivações e sim aceita-las! - Disse o Padre sussurrando para Lohah.
- Eu não consigo aceitar isso, não consigo mais acreditar que exista alguém lá encima. - Disse Lohah.
O Padre se aproxima de Lohah o olhando nos olhos, aqueles profundos olhos do Padre, azuis como um lindo dia de campo refletiam aos olhos de Lohah marrons como a lama encardida de fezes de porcos.
- Você ainda usa a insígnia. - Disse o Padre.
Lohan confuso olha para o seu peito esquerdo e vê uma insígnia de bronze com escritas em letra formal de prata "Desapropria-te de a ti mesmo e lança-te no braços de Deus".
- Não me lembro de colocar isso aqui. - Disse Lohan.
- Eu nunca precisei me lembrar, sempre está comigo. - Disse o Padre retirando também uma insígnia do bolso de sua batina, uma idêntica a de Lohan. - Homens que passaram pelo oque nós passamos nunca iram perder a fé, você pode se perder Lohan mas sei que encontrará o caminho. - Disse o Padre se levantando de sua cadeira e então saindo pela porta.
Algumas doses após o Padre sair, Lohan também se despede do barman, cambaleando pelas ruas vazias daquela cidade imunda estava tão frio que teve que fechar seu sobretudo, não tinha mais medo de alguém o proucurar apenas para o matar, andava pelas ruas já desejando a morte mas não a procurava, pois talvez a encontrasse e não queria partir dessa vida odiando-a.
Conseguia ver seu suspiro no ar de tão frio, a lua estava tão vermelha, talvez fosse algo especial aquele dia mas Lohan não se importava mais, cambaleando de pouco a pouco cai em frente a um beco, sem iluminação pois aquele bairro era um dos mais pobres, acabou por cair no meio de várias latas de lixo fazendo um barulho tremendo no local, o barulho do alumínio ecoou no beco e rua já que estavam vazios.
Derrotado entre comida podre, eletrônicos que não funcionavam e embalagens vazias Lohah olha para sua insígnia que caiu no chão e começa a chorar ali mesmo.
- Foi eu! A culpa foi minha! - Disse Lohah chorando enquanto olhava para sua insígnia. - PARA DE ME OLHAR ASSIM EU JÁ NÃO AGUENTO MAIS! - Dizia Lohah engasgando com seu próprio choro... - Me perdoe amor por falhar com você, com nossa filha... Me perdoa Nicole...
Lohah então retira de dentro do seu sobretudo uma Magnum .44 de cor cinza, verifica o tambor de munições, percebe estar cheio e então a coloca contra o queixo, antes que pudesse puxar o gatilho, escuta um barulho provindo do fundo daquele beco escuro "É você amor!? É você Nicole?!" dizia ele, pegava sua insígnia do chão e então cambaleante até o final do beco ele se dirigia, quanto mais se aproximava mais frio ficava e quanto mais frio maior fedorento era o odor da morte dentro daquele beco, isso não o assustava de jeito algum pois Lohah era acostumado com a morte como era acostumado com o Whisky.
Os sons de mastigação eram escutados, ficando maior e maior a cada passo em direção ao final do beco, Lohah não tinha uma lanterna mas os poucos carros que passavam de vez em quando criavam uma iluminação no beco, assim podendo prosseguir até que chegou a um limite quando nenhum carro passará por aquele beco Lohah retirou então seu celular e iluminou uma cena na qual se arrependeu dois seres que suas faces lembravam humanos mais precisamente crianças, em uma quadrúpede se alimentando da carne de uma mulher no chão sujo daquele beco, as crianças a arrancavam a carne do osso se sujavam de sangue e Lohan não conseguia fazer muita coisa, só pensar na cor do vestido da moça que era devorada, um púrpura tão lindo...
As crianças repetiam "Fome! Fome mãe, fome!" Suas vozes errantes entravam pelo ouvido de Lohah causando marcações imensuráveis em seu ser, enquanto pensava em desistir logo ali em meio a sangue, tripas, ossos e uma mulher que não conhecia, Lohah se lembra de um versículo e o pronúncia em voz alta.
- Mas, sejam fortes e não desanimem, pois o trabalho de vocês será recompensado... - Disse Lohah atraindo a atenção das crianças carniceiras.
As crianças olhavam para Lohah que agora estava apontando sua arma na direção das crianças, as crianças diziam "Perigo! Mãe perigo, perigo!" a reação de Lohah foi atirar contra as crianças mesmo que isso vá contra seus ensinamentos, os barulhos que aqueles tiros fizeram foi maior ainda em sua mente, marcado para sempre como o Demônio inicial em sua mente turva e perturbada.
Os tiros foram certeiros, cada tiro acertando a cabeça de cada criança e acabando com sua existência miserável, os olhos de Lohah não se existia mais vida e sim o início doque se tornaria ela, Lohah gostou doque fez e sabe que isso não é bom, no horizonte as suas costas aquela lua escarlate pintava os céus de vermelho assim como o chão estava pintado de sangue inocente e demoníaco no bueiro próximo a Lohah surgia mais e mais sangue, uma mão humana se estendia e empurrava o bueiro em uma furtividade tremenda na qual Lohah nem sonhava em escutar, não um par, não dois e sim três pares de braços humanos, todas as mãos sem unhas, um ser que parecia bípede pois se apoiava apenas em duas pernas de suas cinco das qual nem ao menos chegavam ao chão, um ser com três faces derretidas em sua cabeça todas gritavam que criavam um eco enorme que deixava surdo qualquer um que escutasse "MINHAS CRIANÇAS!" gritavam as três faces.
Lohah sentia seu coração bater estranhamente mais rápido, a voz de sua esposa sussurrava em sua mente, sem saber se ele a criou ou ela apareceu para si "Fuja meu gatinho... FUJA!"
STAI LEGGENDO
Rio De Mortos.
HorrorApós perder sua esposa e filha, Lohan após acordar no leito do hospital descobre que já houve o velório de sua esposa e filha o qual não conseguiu participar, tomado pela culpa e angústia anda pelas ruas bebendo e vivendo entre os mendigos, sua casa...
