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-Pelas barbas de Merlim Lucas! O que faremos agora- digo impaciente andando pelo pequeno cômodo.

-Relaxe minha cara, eu mandei uma mensagem a alguém que me deve favores. Já já sairemos daqui.

Lucas se encontrava recostado na parede, calmo como se estivessem em casa.

- Não sei se você percebeu mas é quase impossível sairmos daqui!- gritei - Porque mesmo você pegou justo aquela mulher?- choraminguei

- Já disse que foi um acidente.

-A claro, acidentalmente você caiu com o pau na mulher do duque!

Minha barriga roncava, estávamos há 2 dias sem comer nada. Mas podia estar pior, pelo menos não me bateram. Pensou em como entrou naquela confusão, e porque ela tinha que fazer dupla justamente com aquele mal caráter. Estava preocupada, e com fome. E só pensava nessas duas coisas

Um tumulto lá fora foi ouvido. Ambos levantaram e foram em direção a porta de metal, que proporcionava uma pequena abertura e olharam no corredor

-está vendo algo? - perguntou

- o mesmo que você imbecil.

Uma soldada veio caminhando com a cabeça baixa apressadamente em direção a porta.

Com um click a liberdade voltou.

-Já estava na hora! - sorriu para a mulher morena com uma marca branca que ia do topo de sua testa até seu queixo. Era como uma linha grossa. Alessia tinha a impressão de já ter há visto em algum lugar.

-Bardo, é um desprazer lhe ver. Você está um lixo. Vamos não temos tempo.- disse dando meia volta e andando pelo corredor

Alessia permaneceu estática, não acreditando na sorte que tinham dado. Assim que Lucas a seguiu Alessia caminhou apressadamente atrás deles.

-Me desculpe a pergunta, mas quem é você?- falei caminhando em passos largos atrás dela.

-Uma devedora de favores. Se quiser um conselho, nunca deva nada a um bardo, principalmente a um viciado em problemas.- riu - na verdade todo bardo é assim.- balançou a cabeça.

Caminhamos pelo castelos quase correndo, felizmente não encontraram problema algum. O que era impressionante, mas pude notar que a mulher em minha frente era experiênte nesse tipo de coisa.

-Escutem bem, vocês irão para a floresta das flores, me esperem na caverna mais próxima da aldeia. Encontrarei vocês lá.- disse apontando em direção a mata não muito longe dali.

- Certo, e tenta levar comida, nos deixaram morrer de fome durante dois dias!- disse Lucas.

- Deveriam te deixar ainda mais. Mas coitada da moça, como foi parar com um homem como você?- a Mulher disse me olhando.

- sinceramente, nem eu sei.- dei um tapa na cabeça do bardo.

- depois me contem essa história. Agora eu realmente preciso ir no chalé pegar as minhas coisas.- e saiu caminhando.

Os dois foram para a tal caverna.

No caminho viram vários soldados estavam indo em direção a mansão do duque, provavelmente dariam falta dos dois rapidamente.

-Você está bem?- perguntou ao bardo

-Só com muita dor, mas pelo menos estou livre né?- sorriu com o beiço inchado.

O rapaz de branco, estava roxo. O topete já não existirá mais em sua cabeça. Eles pegaram pesado com ele. Alessia se sentiu muito impotente, e o sentimento que no passado a assombrou, retornou bruscamente ao vê-lo.

Mas ela teimava em pensar que ele merecia aquilo, e que não podia se sentir culpada por só olhar os guardas o torturarem sem fazer nada.

Em sua mente a frase martelava "Você é inútil, só sorve para ser meu saco de pancadas! Pequena aberração." Um nó se formava em seu pescoço. Então decidiu puxar assunto.

Já estavam entre os matos um pouco longe da vista dos soldados. Não eram prisioneiros tão importantes assim para uma busca tão minuciosa.

-Como conheceu aquela moça?- perguntei

-A anos atrás, éramos jovens igual a você. Na verdade tínhamos 19 examente como você.

-Você só tem 25 idiota.- revirei os olhos

-Enfim, ela me salvou de um troll. O matou a sangue frio. Eu era jovem e nunca tinha visto tamanha coragem para matar alguém. Sempre fui medroso para empunhar uma espada. Por isso empunho as palavras.
Enfim, decidi que iria segui-la para contar suas aventuras. Nos demos bem por um tempo. Mas depois nos desentendemos e decidimos seguir caminhos diferentes.-sorriu.- Na verdade ela foi embora de madrugada, e eu nem sequer a vi...

-Nossa isso foi cruel. Ela é realmente confiável?- olha para ele desconfiada.

Seus olhos haviam se perdido por um momento, o que deixou claro que ele não confiava 100% nela.

-Ela é complicada como qualquer mulher- fez uma piada apressadamente demais. Percebi que era algo delicado.

Dei uma cotovelada em seu estômago.

-Deve ter herdado isso do pai dela, sabe como homens são medrosos para se despedir- sorri.

-Você é uma idiota Alessia- riu com a boca inchada.

Chegamos na caverna e me dei conta que haviam apreendido minha bolsa, e provavelmente todos os meus pertences na pensão.

-Merda, merda, merda!- gritei

- O que aconteceu?- me olhou assustado.

-Meus livros...- falei com a voz embargada.

- Merda. Me desculpe Aless. Sei o quanto significavam pra você.- disse com uma voz que deixava claro sua culpa.

Sabia que a minha pele a essa altura estava pegando fogo, provavelmente estava toda vermelha.

-Eram as últimas coisas que ela me deixou- sentei em uma pedra. Lá estava frio. E minha blusa embora longa, era fina. E minhas calças estavam gastas.

O bardo percebeu e tirou a sua jaqueta grossa e vermelha e pôs em mim, ficando com a sua blusa azul fina por baixo.

-Eu sei- passou as mãos no meu ombro.

Embora eu tenha lido todos os livros sobre remédios usando ervas, cascas, e afins. Eles significavam mais que só informação. Foi tudo que minha mãe conseguiu me deixar.

A gente não costuma a notar em qual exato momento a vida muda. Não notamos quando um capítulo começa e o outro termina. Se desse para notar faria diferença? Poderíamos escolher não terminá-lo ou pular para outro capítulo?

Ali naquela floresta, depois que fomos soltos, abraçados e sentamos encima de uma pedra foi a última página do nosso capítulo. Embora não percebermos.

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⏰ Last updated: Feb 12, 2024 ⏰

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