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-Escondidos na floresta, nenhum barulho, nada.
-Meu pai segurava uma espingarda, mãos ágeis habilidosas, já haviam feito a mesma coisa, diversas vezes, estava em seu sangue.-Escondida atrás de uma árvore observo meu pai caçar.
-arma em mãos, olho em sua presa. Um barulho ensurdecedor, animais que estavam escondidos correram, pássaros voaram para longe, e a presa abatida.
-Meus olhos enche de água, não consigo olhar. Me forço a ser forte, esconder as lágrimas que ameaçavam a descer. Urrando meu pai comemora sua conquista, sai de sua posição, me chama todo orgulhoso.

- Está vendo minha filha? É assim que se faz, é assim que se caça. - Com apenas um tiro direto em sua cabeça, o animal morreu, tentei pensar no lado positivo, ao menos foi rápido, não sofreu. Angustiada tento não olhar.

-Pai Já acabou? Podemos ir?

- O que foi filha?

- Nada só não entendo o motivo da caça, se temos comida em casa, não precisamos disso.

-Não é questão de alimentação, nem de precisar, mas da emoção da caça. Achei que já tivesse entendido isso, que já havia superado, essa bobagem de não matar animais. Você acha que a carne que come vem de onde?
-Não respondo, já sei a onde essa conversa irá chegar. Já tivemos essa discussão tantas vezes que já tenho-a decorada de trás para frente em minha cabeça.

-Tanto faz, o que vai fazer agora? Comer? Levar para casa, caçar de novo? -Olhar severo em minha direção.

-Irei deixar aqui, achei que seria legal passar um tempo com você já que quase não há vejo. Pensei em te ensinar a atirar e a caçar, mas aparentemente você continua não gostando.

-Poderiamos fazer qualquer outra coisa, não entendo essa vontade de caçar, e de atirar.

-Ok, ok! Já entendi, vamos para casa ok?

-Quero voltar para a casa da minha vó.
-Olha para mim estarrecido, sei que queria que curtisse armas como ele, mas não gostava, não gostava de caçar, atirar, nada disso me interessava, sei que é uma coisa de família mas não é do meu feitio. Sabia atirar, meu pai me ensinara a utilizar uma arma desde meus cinco anos de idade, quando fiz quinze anos ganhei uma calibre 38 de tambor, era uma arma que havia passado de geração a geração, e agora era minha vez de ter a arma, de presente ganhei algumas balas. Meu pai queria que a usasse junto a ele, quando íamos caçar ou simplesmente atirar em latinhas e garrafas de vidro, mas nunca a usará. Guardei-a na mesma caixa que a havia ganho, meus avós maternos, não sabiam do presente, se soubessem surtariam, então escondia ela, onde sabia que ninguém procuraria. poderia simplesmente tê-la jogado fora, mas decidi, por fica, não com pretensão de usar, mas para guardar, afinal, era algo de família, não queria me desfazer dela.

A casa do meu pai era pequena, velha mas conservada, meu pai fazia trabalhos braçais para conservar a casa que uma vez fora de sua mãe. Muitas vezes o ajudei com reparos, era uma atividade que gostava de fazer com meu pai, toda vez que o ia visitar, gostava de cortar, serra, consertar, pintar, desenhar.

-Subi os degraus que davam para o segundo andar da casa, onde ficava meu quarto e banheiro. Tinha aquela área toda para mi, com privacidade. Tomei um banho, lavei meus cabelos embolados da cor castanho escuro, assim como meus olhos. Me cobri com a toalha, dei um nó em meus cabelos molhados, que faziam gotículas de água escorrerem sobre minha pele, da minha cabeça a região do busto onde acabavam por serem encolhidas pela toalha que me cobria.
-Troquei de roupa. -Já era tarde da noite quando meu pai me deixou na casa dos meus avós. Desci de sua picape, fui a porta do motorista, beijei sua bochecha, dei-lhe adeus. Com minha chave abro a trança da porta, a fechando após entrar em casa, da janela da sala, aceno em adeus para meu pai e o vejo dirigir de volta para casa. Fui para meu quarto, estava cansada, me joguei na cama,e apaguei.

*

Acordo com o som do alarme do meu celular, deslizo a tela e o desligo, me sento na cama ainda grogue com resquícios de mais uma noite mal dormida que tive. Me levanto indo direto ao banheiro, faço minha higiene, troco de roupa, pego minha mochila jogo meu caderno livro, carteira coisas que preciso a fecho indo para a sala, pego a chave da minha picape, não como nada não sinto fome. Saio da minha casa, subo no carro dirijo em direção a faculdade, no caminho paro para um café, para me manter acordada durante a aula. Estaciono meu carro em uma das várias vagas para estudantes. Cheguei na hora certa como sempre. Me sento no mesmo lugar, o professor chega, saúda a turma e começa a aula.

*

Depois de três classes, só tenho tempo de comer uma fatia de pizza adormecida em minha geladeira, esquento-a por poucos minutos, bebo um pouco de água, me preparo para ir trabalhar. Consegui um emprego em uma construção, fazia faculdade de arquitetura de manhã, trabalhava a tarde, estudava a noite. Era essa minha rotina quase todos os dias, trabalhava três vezes por semana, as vezes pegava trabalho a mais, pois ganharia um bônus. Não tinha amigos ou parceiros, não precisava disso. Não me importava, tinha outras preocupações, outras pessoas que me tiravam o sono e atiçava algo dentro de mim.

De volta a minha casa, fiz alguns trabalhos para o dia seguinte. Comi algumas sobras de um pedido feito para um restaurante qualquer, bebi um pouco de vinho, estava no computador pesquisando, procurando. Era sexta-feira tinha o fim de semana de folga, banhei-me, vesti algo sensual, arrumei meus cachos, os prendi, em minha cabeça coloquei uma peruca de cabelo natural, liso na cor castanho claro, coloquei em meus olhos lentes verdes, passei maquiagem, perfume, calcei meus saltos, tinha comigo uma pequena bolsa com meu celular e um pouco de dinheiro.

Dirigi por duas horas, estacionei em uma rua escura, desci, peguei um ônibus, fui para uma boate movimentada, dancei, bebi, me divertir. Enquanto tomava uma bebida adocicada no bar, avistei minha presa.
De meia idade, cabelos pretos um pouco grisalhos, parecia tentar se encaixar com os jovens que ali estavam se divertindo. Fui em sua direção, olhando para frente me encostei propositalmente em seu corpo, seguia reto, sem uma direção, apenas esperando que o coroa me segui-se, e foi o que fez, senti mãos quentes passar por meu corpo. Me virei era ele, sensualizando dancei com ele, o instiguei.
A atração foi tanta que não esperou, no desespero me levou para seu carro, indo em direção a sua casa.

Essa será uma ótima noite!

🌶️

As Mil Faces De Um AssassinoDes histoires addictives. Découvrez maintenant