Capítulo 2 - Clichê

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• Narrado por Megan •


Após terminar todas as minhas missões matinais, tomei um café rápido, algo que minha mãe não admirava, ela sempre dizia que se alguém não tem tempo pra um bom café, seu dia acaba sendo agitado.

Talvez ela tivesse razão, pois todos os meus dias eram corridos, talvez fosse por uma falta de tempo para me alimentar.

⇁Obrigada pelo café, Altovski! ⇁ Eu dizia para lhe incomodar. Ela odiava o seu sobrenome de origem Russa.

⇁Tão adulta. ⇁Respondeu com um riso de lado.

Me despedi das crianças e peguei a moto que estava na garagem, uma Lander de modelo antigo, não muito velha mas que dava no gasto. Havia conseguido adquirir em um leilão clandestino que obviamente meus pais não sabiam. Montei no monte de tétano ambulante, antes de ir direto para o campus, precisava buscar minha companheira de viagem.
Assim que cheguei na frente da casa de Julia, minha melhor amiga, pude ver a mesma acenar da porta, vestida com roupas de couro e uma mochila presa no alto de suas costas.

Ela saiu correndo pulou o pequeno cercado de sua casa, e mesmo com o sucesso do salto, acabou tropeçando no próprio pé, cambaleando até se segurar com firmeza na traseira da moto.

⇁Não me zoa. ⇁Pediu em risos.

⇁Vou tentar não te ridicularizar mais que você mesma. ⇁Falei irônica.

Ela Subiu na moto e fomos direto para a Universidade. O mesmo caminho de sempre, o clichê do nosso dia-a-dia. O que eu podia dizer? Era uma fã nata de rotinas e coisas que se seguiam como o meu planejado.

Alguns calouros corriam desesperados pelos corredores, provavelmente preocupados em se atrasar, o que de fato acabaria assim que soubessem que não adianta nada correr quando você não leu os cinquenta livros à tempo pra qualquer discussão de 50 minutos, e claro, descobrir que as resenhas salvam vidas.

Chegamos no horário, guardei a moto no estacionamento, e fui direto para minha sala. Ao passar pela porta, Adam me olhou diretamente nos olhos. Ele era meu par durante as aulas de fotografia, desde que começamos o primeiro semestre.

Eu admirava o trabalho que fazíamos juntos, era recompensador, o nosso esforço valia cada minuto, sem contar no quão atraente esse cara podia ser. Nada pro meu bico, ele era um prodígio e eu não esperava menos que ele ser apenas o meu parceiro de mesa.

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