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Prólogo-Crise de baixo da mesa

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"Pensava ter fugido de todo esse temor, mas logo volta a passar aquela cena de horror"

Estou tremendo, estou com frio, meu coração dispara—o que era aquilo?—pensava em crise.

— Mi... minha mãe, minha irmã, meu pai, todo mundo... — minha voz treme juntamente a mim e sai em um sussurro—ficará tudo bem, é só um pesadelo! Eu já tive outros sonhos assim, ele logo acaba.

Respiro fundo, mas não passa, a cena da morte da minha família voltou, tinha parado de acontecer, e mesmo depois de um ano, eu vejo o sangue de todos, vejo o sangue pingando o pescoço da minha mãe, lembro do líquido que jorrava pelo buraco de bala do meu pai, lembro de ver todos os pedaços dos meus irmãos no chão, era uma cena terrível.

Fiquei sem lar, nenhum parente me quis, eu deveria queimar no inferno segundo eles.

Tremo, enquanto tremo, choro em silêncio soluçando, estou em um lugar não apropriado para chorar, tenho que mostrar força.

— LOGAN — Agatha grita.

Merda, a Agatha estava me chamando, droga, ela não pode me ver assim, tenho que me  recompor. Seco as lágrimas, mas não consigo me levantar.

— Cadê você porra? A gente tem que rever a tabela de preço, consegui uns bagulhos novos.

Depois de alguns segundos ela me acha.

— O QUE TU TÁ FAZENDO DE BAIXO DA MESA?—ela perguntou confusa.

— Nada, eu só...—começo a chorar mais—... desculpa.

— Nada percebe que eu não estou bem.

— 'Cê tá bem?—ela larga o que estava segurando na bancada e se abaixa — o que aconteceu?

— Meus pais... eu... Quero não quero lembrar.

— quer que eu faça algo?

— Me ajuda a levantar... eu não consigo me mexer. — respondo ainda estático.

Agatha pegou em minhas mãos com cautela e me puxou delicadamente, eu sabia que havia deixado ela preocupada.

Fiquei parado por mais um segundo de pé e quando a jovem morena pretendia dizer algo, eu a abracei.

— Desculpa te preocupar, eu só não sou forte o suficiente como você, eu só não consigo lidar bem com algo que aconteceu a um ano.

A jovem de cabelos negros gela, ela não esperava meu abraço repentino, mas logo retribui timidamente.

— Eu tô longe de ser considerada forte—sussurra ela em meu ouvido—eu fiz muita coisa errada, tipo, pra caralho.

Agatha apertou mais forte.

— Eu já matei e já fui para o lado errado. O velh- senhor Veríssimo me tirou daquela merda.

Senti ela estremecendo, Veríssimo já havia me falado para não tocar no assunto, ele disse ser um assunto muito delicado para ela.

— Eu te preocupei à toa. Não importa o que tenha feito, eu tenho certeza que fiz pior.

Eu me solto do abraço ainda tremendo e tento andar até a cadeira no fundo da sala, mas Agatha me impediu segurando meu braço abruptamente.

— Você não sabe do que tá falando, eu fiz muita mais merda do que você imagina.

Ela rosna claramente irritada com minha afirmação

— EU LITERALMENTE MATEI TODO MUNDO, EU MATEI MEUS PAIS, MEU IRMÃO E MEUS GATOS, E VOCÊ VEM ME DIZER QUE FEZ PIOR?—bradei eu fervorosamente.

Eu não queria gritar, foi uma atitude muito impulsiva da minha parte.

Caverna de LuzHistorias para obsesionarse. Descúbrelo ahora