Seoul, Coréia do Sul.
15 de setembro, 2021.
10:03 P.M.
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A avenida mais movimentada de Seoul encontrava-se cercada e isolada por uma viatura inteira da polícia local e até algumas autoridades maiores das forças de segurança, tudo por causa de uma festa de ricos. Era tão necessário garantir que apenas os poderosos pisariam por lá, que parecia ridículo dizer em voz alta. Parecia não, era ridículo. Protestos de moradores daquela parte da cidade juntamente com motoristas e pedestres que necessitavam passar por aquela avenida poderiam ser avistados de cima, na parte traseira do salão de festa, os quais eram facilmente abafados pela polícia. A mídia por lá também não dava importância, os protestantes estavam simplesmente sendo feitos de palhaços; alguns notavam isso e compravam briga contra a polícia, perdendo, é claro. O caos num lado e a beleza artificial da fama no outro, um contraste estranhamente deleitoso. O evento em questão era quase um Met Gala, com a diferença é que tinham muito mais agentes do governo do que teria num Met Gala real, se é que alguém assim já vai lá. Nunca entendi bem sobre eventos de ricos, apesar de eu mesmo ser considerado um. Não me importo com isso, de qualquer maneira. A única coisa que me interessa é em quem vou atirar.
Simultaneamente | J.
Um vagabundo no meio dos sugar daddies e outros privilegiados, eu. Não exatamente um vagabundo, eu tinha uma condição financeira invejável um trabalho fixo, mas os convidados desta festa estavam em outro nível. O nível de ganhar salário por respirar. Como eu vim parar aqui? Eu só disse que acompanharia meu primo, o filho de um dos políticos derrotados nas eleições mais recentes. Esse que já vazou pra se esfregar nas mulheres solteiras — não todas — na festa. Era um evento sendo transmitido pela mídia nacional, ele não deveria tratar isso como uma festa de faculdade... Cansei de avisar a ele sobre etiquetas, deve dar certo eu fingir que não o conheço. Ele era uma ótima companhia, mas nessas horas eu preferia não dizer que estou com ele. Pelo menos, a música era boa — graças a meu primo, que mandou mudar a playlist — e eu poderia beber à vontade, sem me preocupar com as consequências. Mesmo com o imenso salão decorado com os enfeites mais estravagantes e interações de pessoas de todos os tipos, eu só conseguia observar a Lua e as estrelas através de uma das largas e altas janelas. Sorria bobo ao satélite, como se ele estivesse me olhando e sorrindo para mim também. Sempre me sentia abraçado pelo luar em momentos de solidão noturna. Apreciando aquela dependente do Sol para brilhar, inúmeros pensamentos me vieram à mente, mas pensamentos bons. Poderia apreciá-la a festa inteira. Fui interrompido do meu momento sentimental por uma mulher bêbada vindo dar em cima de mim. Fiquei nervoso com a aproximação de início, mas ela estava embriagada, certo? Não se lembraria disso no dia seguinte, certo? Com esta ideia, fui na onda dela apenas para rir um pouco naquele evento que fazia eu me sentir tão solitário. Ela era uma agente do Departamento de Inteligência do Governo até onde a conheço, mas naquele momento só parecia uma mulher comum que bebeu demais. Estávamos de lado em relação à janela, encarando o rosto um do outro, apenas bebendo e conversando sobre assuntos aleatórios enquanto eu ria de seus flertes baratos vez ou outra, talvez esta festa não seria tão entediante.
Meu sorriso largo causado por uma das brincadeiras da moça foi imediatamente substituído por uma expressão de choque ao ver o sangue jorrando do lado esquerdo da cabeça da mulher na minha frente. O grande vidro ao meu lado esquerdo se quebrou no que pareciam ser milhares de pedaços, o barulho abafou qualquer som dentro do salão, de tão estrondoso. Soltei a quarta taça de champagne da noite sem me importar com os cacos em meu sapato novo, muito menos com o líquido derramado. Meus pés estavam colados no piso liso, todos os ossos e músculos do corpo imóveis, me forçando a encarar o cadáver cuja cabeça era banhada com o próprio sangue. Os vidros das janelas restantes reduziam-se a cacos ao que novas vítimas eram feitas naquele salão. Eu estava assustado demais para sequer cogitar visualizar a cena. Os gritos de horror contínuos acompanhados do som pesado e molhado dos novos defuntos indo ao chão foram o que me fizeram deixar aquele estado.
O restante dos convidados já estavam se empurrando e correndo desesperadamente para fora do salão quando tomei coragem para olhar em volta. Não tardei em segui-los, gastando ali toda a força restante de meus músculos para tentar salvar minha vida. Apesar de não contar os cadáveres, o tapete humano não me deixava dúvidas de que eram muitos mortos. Pisoteados e atropelados de maneira impiedosa pela multidão que ansiava a sobrevivência tanto quanto eu, os cadáveres estavam sujos de bebida alcoólica, sangue, poeira das solas dos sapatos e até vômito. Minha pressão desceu consideravelmente e por pouco, não fui o próximo a vomitar. Felizmente, a adrenalina superou qualquer mal-estar, impossibilitando a bile de avançar além da faringe e não deixando espaço para mais nada na minha cabeça além da fuga, até que uma explosão surgiu em minha mente. As íris estremeceram na tentativa tentar procurar uma figura familiar. Meu primo, não conseguia localizá-lo na multidão, não queria pensar no pior. Implorava mentalmente a todos os deuses que conhecia para que ele não tenha sido machucado neste tumulto...
KAMU SEDANG MEMBACA
Mire No Coração [Descontinuada]
Fiksi PenggemarJungkook é um astrônomo louco pela Lua que sempre acompanha seu primo em eventos entediantes. Infelizmente, teve o azar de presenciar uma tragédia em um desses eventos e agora ele precisa tentar seguir em frente. O que o moreno não esperava era acab...
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