A morte de um pecador

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O balanço e os trotes dos cavalos, faziam seus hematomas e seus ossos quebrados mais dolorosos do que quando fora agredido. A carruagem estava escura, e seu carcereiro estava envolto nas sombras, não dando para ser visto, mesmo estando na sua frente. Também não era perceptível que suas pernas estavam tremendo e seu coração estava martelando em seu peito, mas sua respiração, cada vez que o solavanco da carruagem fazia seu corpo balançar, ficava pesada e era seguido por um gemido. As ruas eram pouco iluminadas, e as vozes estridentes de mulheres e barulhos de vômito ecoavam pelo local junto com a música burguesa.

Ele estava com medo, medo do que havia nas sombras, medo do que estava com ele, o ser que o observava naquele momento. Qualquer que fosse o destino, o lugar que aquela carruagem parasse, ele correria o mais rápido que fosse, para qualquer lugar que fosse. Mas ele não sabia se a carruagem iria parar, ou se ele conseguiria correr.

Uma prostituta passou por eles com seus braços ao redor do braço de um homem com uma cartola, mas sequer notaram a presença da carruagem. A mulher estava mais interessada em mostrar seu decote com seios voluptuosos, e o homem estava mais interessado em vê-los. Tentou acenar pelo vidro do veículo, mas além do problema da escuridão, seu carcereiro o parou, colocando a mão em seu ombro e o pondo de volta no lugar, ao mesmo tempo de uma pedra passar por debaixo da roda e espremer os órgãos machucados do senhor. O grito de dor foi ouvido pelo casal, que se virou, mas ao não encontrarem ninguém, se viraram e seguiram seu curso.

A carruagem dobrou, dobrou, até parar na entrada de um beco escuro. Do outro lado, uma rua completamente iluminada e alegre, jogos, bebidas e mulheres. Mal sabiam eles o que acontecia ao virar a rua. Estavam cegos pela vida noturna.

O cocheiro desceu e abriu a porta. Nenhum dos dois saiu. O senhor estava suando frio, com a visão daquela rua, com a visão da porta aberta. Ele virou e tentou olhar para seu carcereiro, mas a carruagem ainda estava escura.

Então, por um momento, um único segundo, ele pensou ter visto um lapso de luz, a única luz captada do lado de fora. Olhou com mais cuidado e por mais um tempo, a luz que vinha das mãos do demônio. Ele a viu novamente, e estremeceu. Precisava sair dali o mais rápido possível.

Seus pés se mexeram antes que sua cabeça funcionasse e, com uma mão em suas costelas, correu para fora, passou pelo degrau quase tropeçando e foi em direção ao beco, a única saída mais próxima.

Ouvia a música cada vez mais alta, as vozes cada vez mais claras, a luz cada vez mais brilhante.

Mas não existia luz para ele.

Um braço passou pelo seu pescoço, e uma mão tapou sua boca. Um objeto pontiagudo tocava sua garganta. A adaga permanecia parada, os dois nem ao menos piscavam. Ele poderia correr o quanto pudesse, ainda assim, para a morte era apenas uma brincadeira que a excitava ainda mais.

Ele não viu mais nada. Tudo foi envolto em escuridão. E a última coisa que ouviu foi o riso da morte por levar mais um para o inferno.

O Clube de Esgrima de Ophelia Dodge (Parte 1)Stories to obsess over. Discover now