"Em 1780 a Inglaterra atingiu o ápice da revolução industrial, com o avanço rápido da tecnologia fabricas abrindo por todo lado, expansão da eletricidade não demorou para outros países começarem processos similares, em pouco tempo surgiram os primeiros robôs, próteses, aviões o que antes parecia um sonho impossível agora estava diante de nós. Estávamos em uma era de ouro, mas é claro que isso não iria durar muito.
Com os avanços acelerados e a necessidade crescente de energia, nos levaram a uma escassez de carvão e como o carvão vegetal não era capaz de produzir a mesma energia o inevitável aconteceu, guerras logo se espalharam por todo o mundo em busca do carvão mineral para sustentar as necessidades mesquinhas dos grandes impérios que acarretaram em... Quer saber não importa, já estamos nesse lixo a 50 anos não é como se escrever esse diário fosse mudar alguma..."
— MC-6, VAMOS, EXISTEM SOLDADOS QUE PRECISAM DE UM MÉDICO!!!
— JÁ ESTOU INDO TENENTE!
"Fui fabricado 10 anos após o começo da guerra fui um dos primeiros médicos de combates construídos, não sou tão bom no combate quanto os novos modelos, mas com certeza sou um médico melhor do que eles, enfim melhor eu ir."
Levanto e guardo meu diário, enquanto caminho até a tenda é possível ver a barbaridade de um cenário pós combate, corpos e restos de homens e maquinas por todo lado, completamente destruídos e estripados por maquinas mais ferozes que animais, ao chegar na tenda a maioria dos soldados já estão mortos ou não possuem chance de sobreviver, ordenei que estes fossem removidos da tenda, até fui questionado por alguns soldados, mas não importei no final terão que obedecer.
Reparei que o MC-12 estava cuidando de um paciente que não parecia ter salvação - MC-12, porque está tratando esse peso morto? - Enquanto continuava a operação me respondeu.
— Este homem é um espião e sabe das fraquezas do inimigo, ele precisa sobreviver.
Olhei novamente para o soldado, estava com braços e pernas dilaceradas não poderia sobreviver por tratamentos normais, só havia uma forma – Se continuar assim ele morrera, a única forma de salva-lo é a mecanização. – Ele me olhou com quem parecia está evitando isto.
— Precisa haver outro jeito, isso é estritamente proibido pela sociedade maquinaria, um humano jamais conseguiria se adaptar ao nosso estilo de vida.
— MC-12, e o que pretende fazer? Operar um milagre? Ele morrera se continuar assim. – Ainda teimando me respondeu.
— Posso estabiliza-lo, se ele for levado até a Varsóvia talvez seja possível recuperar seu corpo, a maior parte ainda seria maquina, mas ele continuaria humano.
Fiquei surpreso com a ideia, realmente pode funcionar, mas havia um porem – A Varsóvia fica a 5 dias do campo de batalha, um médico teria que viajar junto, além disso nem sequer sabemos se a Varsóvia ainda existe, olhe ao seu redor não existe nada além sangue, carne e cinzas. – Depois dessa ele parecia ter começado a duvidar do próprio plano.
— Tem razão, mas o que vamos dizer ao tenente? Que não é possível salva-lo e pronto? Ele não vai aceitar se souber que existe uma chance ele vai querer tentar, e não temos certeza de como está Varsóvia. – Ele estava certo não sabíamos como estava Varsóvia, mas a chance de ainda está de pé era muito baixa.
— Então? Quer tentar a sorte na Varsóvia? E quem levaria o presunto até lá? Não podemos destacar todo o regimento para isso.
— MC-6, porque você não vai? Você não gosta da guerra, odeia está aqui, se fosse ficaria longe do conflito e – O interrompo subitamente
— E eu também sou o melhor medico em um raio de 500 km, o Tenente jamais aceitaria.
— Com a má vontade com a qual você trata seus pacientes não ficaria surpreso dele te despachar na primeira oportunidade que tiver, ainda tenho espaço no meu armazenamento, compartilhe parte do seu conhecimento comigo e vá.
YOU ARE READING
O Fardo de M.C-6
Science FictionEm 1822 uma guerra se espalhou por todo o mundo levando a décadas de mortes incontáveis, em 1872 uma máquina, denominado M.C-6, um autônomo que está nas linhas de frente a 40 anos e está cansado de toda essa dor e sofrimento que ele causa, M.C acaba...
