O fim e o começo

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Nicholas chorava descontroladamente, enquanto sentia que mil agulhas perfuravam seu coração. Estava deitado em posição fetal em sua cama, tentando não arrancar os próprios cabelos. Não sabia que era possível sentir tanta dor. Sua respiração entrecortada e os olhos arregalados demonstravam seu desespero crescente, enquanto abraçava o próprio corpo e tentava conter os soluços que o faziam tremer. Seus gemidos eram uma mistura do tesão e dor causados pelo cio misturados à materialização em seu corpo do sofrimento pela perda.

Era o primeiro cio em muito tempo que passava sozinho, e seu ômega interior obviamente era contra àquela situação. Sua sanidade oscilava, enquanto lembranças de toques familiares o faziam alucinar de tempos em tempos, deixando-o excitado e ao mesmo tempo com ainda mais dor. Não aguentava mais, só queria que aquilo parasse, só que parasse...

"Por favor", implorou mentalmente para ninguém.

Estava salivando tanto que engasgou por um momento e tentou erguer ligeiramente o corpo para tossir. Todos os pedacinhos do seu corpo foram contra aquele movimento, e ele tinha certeza que morreria ali. Olhou ao redor, seus instintos buscando um cheiro que não estava presente. Não havia mais o cheiro dele em si ou em suas coisas, estava aninhando apenas com seu próprio ser, e essa percepção o acometia com uma profunda solidão. Um buraco que era muito grande para o tamanho da pessoa que não estava mais ali.

Sua tosse virou um som bizarro enquanto a saliva continuava a se acumular em sua boca, tinha certeza que sua garganta estava fechando, alguma coisa obstruía sua respiração. O desespero fez com que tentasse puxar o ar pela boca com força, mas ele não parecia chegar aos seus pulmões. Tentou gritar por socorro, emitir qualquer som, mas nada saía. Queria debater-se ou tentar se arrastar até a porta, mas seu corpo não o obedecia.

Sua visão ficou turva, dessa vez não pelas lágrimas, mas pela sua consciência que parecia estar o deixando, e pensou que pelo menos não sentiria mais nada. Era como se o seu instinto lhe dissesse que ele merecia aquilo, que estava infligindo a si mesmo uma lição. Que não precisava mais resistir a estar naquele mundo depois... depois de rejeitar seu alfa destinado.

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15 anos antes

Nicholas estava sentado na primeira cadeira de sua fileira na sala de aula. Normalmente, sentava logo de frente para a mesa do professor, era um completo nerd assumido. Apoiava o queixo na mão enquanto fitava o quadro, aguardando o sinal tocar.

Era o primeiro dia de aula no sexto ano e, pela primeira vez, passava mais de um ano na mesma escola. O incomodava estar sempre se mudando, mas não expressava esse sentimento porque sabia que sua irmã não o fazia de propósito. Além disso, ele já havia nascido um ômega, e mesmo sendo muito jovem, a percepção de que isso já causaria muitos problemas pra sua família o fazia querer dar o menor trabalho possível.

Ele passou pelos exames de gênero mais de uma vez em poucos anos de vida. Isso porque a sua genética parecia completamente fora de lógica para o que a sociedade e a ciência acreditava sobre alfas, betas e ômegas. Nicholas crescia constantemente e numa velocidade nunca esperada para um ômega, seu corpo já acusava uma estatura e porte que seriam automaticamente atribuídos a uma criança alfa. Sua inteligência era acima da média, se destacando ao ponto de ser adiantado alguns anos na escola porque não havia mais aprendizado a ser absorvido nas séries anteriores. Não só gostava, como era bom em esportes e atividades atléticas em geral. Por outro lado, seus talentos artísticos ou caseiros eram péssimos, nem sequer o interessavam.

Basicamente, um projeto de alfa.

Mas com um útero.

O último argumento era incontestável.

Jack jogou a mochila na mesa atrás de Nicholas, o tirando de seus devaneios. Os dois trocaram um cumprimento enquanto Jack se esparramava em sua cadeira.

— Ah, cara, por que você sempre tem que ser tão nerd e sentar aqui na frente? — Jack resmungou, embora claramente fosse acompanhar o amigo.

Nicholas apenas virou o corpo para trás e sorriu. Jack era um projeto real de alfa e seu melhor amigo desde o ano anterior. Tinha uma pinta de badboy mirim que contrastava com seu amigo, e mesmo assim eles se davam muito bem.

Os dois começaram a conversar sobre as férias, mas o barulho que se aproximava da porta fez ambos saírem de seu mundinho. Um grupo de crianças chegava cercando um garoto novo na escola que, com as mãos enfiadas nos bolsos, claramente imitava a postura de um adulto. O garoto ria e conversava facilmente, mesmo tendo acabado de chegar, e pela forma como os outros pairavam ao seu redor Nicholas imaginou que ele fosse um alfa. Um que tinha um instinto social acima dos padrões.

Como se soubesse que estava sendo analisado, o novato virou os olhos naquela direção, e Nicholas sentiu um arrepio subir por sua espinha. Tinha certeza que o outro sentira o mesmo, pois viu seus olhos se arregalarem e a boca abrir ligeiramente em surpresa, interrompendo o que estava dizendo.  Os segundos pareceram se arrastar em horas enquanto nenhum dos dois desejava quebrar aquela conexão. Era como se sentissem um fio invisível interligando-os, uma estranha tensão que pertencia somente aos dois.

O menino na porta, por fim, piscou e caminhou até a carteira ao lado da de Nicholas, sentando-se ali.

— Meu nome é Richard — se apresentou. — E o seu?

O ômega sentiu seu rosto corar. Estava envergonhado por perguntarem seu nome?

— Então a partir de agora vou te chamar de Nick! — Richard disse depois de obter sua resposta. — Vamos ser amigos, Nick! — As palavras foram seguidas de um sorriso caloroso.

Naquele momento, Nicholas pensou se deveria pedir sua irmã para ir ao médico, pois sentiu uma pontada em seu coração. Pela primeira vez, teve certeza de que era um ômega, pois o seu instinto interior tinha acabado de acordar e dizer que deveria estar para sempre ao lado daquele alfa.

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NOTA DA AUTORA

Olá a quem quer que passe por aqui!

Em relação a mim, sou meio que uma escritora enferrujada, era bem ativa entre 2012 e 2015, mas abandonei um pouco esse vida e estou tentando retornar agora. Eu comecei a estudar desenho digital, então pretendo escrever enredos pra transformar no futuro em histórias em quadrinhos com influência manhwa/mangá. Esse perfil é completamente desconectado do meu perfil antigo porque é direcionado ao meu vício yaoi/bl hahhahahah

Essa ideia de história surgiu meio que do nada, mas espero que fique bacana. Sou cachorrinha de omegaverse e resolvi escrever pra colocar características e temáticas que senti falta nas obras que consumi até hoje.

Todos os locais vão ser fictícios porque não quero me prender a cenários preexistentes. A capa foi improvisada pra publicar a história mas pretendo desenhar uma quando minhas habilidades estiverem melhores.

Embora seja uma história que tenha completo envolvimento com romance, acredito que ela seja mais sobre a história do protagonista do que um romance específico em si (vai ficar mais claro mais pra frente).

Enfim, beijos de luz, e espero que mais alguém além de mim se divirta com esse enredo :D

EstilhaçosWhere stories live. Discover now