Machucados.

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Os Uchihas haviam perdido muito mais do que se poderia contar, esse era o resultado da busca desesperada por vitória na aterrorizante guerra contra os Senjus. Um clã cujo seu admirável talento, o Sharingan, desabroxa da dor e sofrimento, carrega o fardo das perdas e luto por toda sua existência. A verdade que sequer os donos de olhos que tudo veem se sentem dispostos a enxergar.

Madara e Izuna se mantinham na exceção, desolados pela falta de ignorância sentiam-se esmagados pela pressão do saber, da consciência e impotência, da obrigação de estarem a frente em uma batalha sem sentido e caráter.

Empunhar espadas para ferir e proteger a falsa honra de um clã desonrado e sanguinário. Finalizar a vida de vários homens igualmente aprisionados no ego que morriam ainda em idolatria. O quão semelhantes eram, irracionalidade e ingenuidade a mesmo nível.

Izuna sentia o vermelho, não só em seus olhos, em suas mãos, em seu rosto, em sua garganta, e que péssimo gosto o sangue tinha, uma mistura de insatisfação, culpa, apreensão e ferro. Inferno, uma boa descrição para o campo de batalha, corpos e gritos espalhados, imagens aterrorizantes de jovens em seus últimos momentos de vida, tudo se repetindo como se andassem em um maldito círculo. A cada avanço territorial as coisas aparentavam piorar, estavam indo em direção ao centro da tempestade para lutar contra furacões e, com sorte, sairiam vivos mais uma vez.

Pela última vez.

Não iria mais fazer parte do ciclo de ódio. Lidaria com a rejeição e decepção de seu clã, se assumiria covarde, sem vergonha. Desde que poupasse a si mesmo de mais mortes em suas mãos.

- Já sinto Hashirama por perto. - Madara alertou, suas armas ninjas complementando sua posição de ataque. Estavam destinados uns aos outros. Hashirama e Madara, tão espirituosos, batalhando arduamente, desmoronando uma amizade que antes, no período de inocência, era desfrutada em segredo, escondida da insensibilidade daqueles que só sentiam ódio. Restava a Izuna o que restava a Tobirama, continuar a rixa familiar. Os descendentes das principais famílias se sacrificando em batalhas de dias por propósitos vazios. Por toda uma vida. Resignados.

Se conheciam desde o início, apesar de tantas contrariedades eram os mais próximos de amigos que tinham. Cresceram e se aprimoraram juntos, de lados postos sempre observando uns aos outros, trocando admirações silenciosas, se contentando com conversas rápidas entre os confrontos cada vez mais comuns. Estavam lutando com seus companheiros e inimigos. Desamparados, pensavam uns sobre os outros.

Izuna carregava dentro de si um tipo estranho de familiaridade. Os golpes impiedosos, rígidos, de Tobirama eram as únicas coisas que nunca mudariam. No mundo de ruínas em que vivia permitiu se apegar a agressividade de se fiel adversário. Porque enquanto exibia seu poder ocular para o Senju se sentia livre para tomar suas próprias escolhas, mesmo elas se restringindo em ataques, defesas, provocações.

- Tenha cuidado. - Implorou ao irmão, este já estava longe, determinado a "arrancar a cabeça" de Hashirama. Era tão cômico quanto e era mentira. Um homem apaixonado jamais seria capaz de tal ato. E Izuna conhecia Madara o suficiente para compreender, superficialmente mas o bem o bastante, a relação dos dois, um Romeu e Julieta bem mais cruel, com promessas de amor disfarçadas de juras de ódio.

Um pico de energia subiu da base da coluna até sua nuca. Conseguiria diferenciar aquela presença mesmo carente de todos os sentidos. Com espada em mãos se atirou agilmente para Tobirama, com uma empolgação maior do que de costume.

Os movimentos rápidos, dignos de ninjas de elite, não atrapalhavam o contado visual enquantanto lutavam. Izuna sempre se questionava sobre a coloração avermelhada das íris do Senju, contrastavam bem com o branco reluzente dos cabelos. Se percebia curioso sobre o significado das pinturas em seu rosto, sobre como conseguia manter uma pele tão pálida lutando sempre ao sol, sobre tudo que pudesse perguntar e obter respostas, das coisas mais bobas as mais expressivas vindas de seu âmago. Gostaria de conhecer mais a fundo o rapaz com quem cravava laminas por anos e anos. Gostaria também que essa vontade fosse mútua.

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