CLARISSA FORTUNATO
– Pretos! - Gabriela berrou vindo nos abraçar.
– Oi amiga. - sorri.
– Oi Gabizinha. - Gabe beijou seu rosto.
– Oi Gabi. - Guilherme disse meio sem jeito.
– Bom deixa eu apresentar, gente essa a minha melhor amiga Clarissa. E Clari esses são Caio, Tomás e Flávia.
– Já conheço os meninos. - eu disse, eles riram.
– Ah! Menos mal. - deu de ombros.
– Oi Clari. - Caio disse, enquanto eu o cumprimentava com um beijo no rosto.
– Oi. - sorri, fui até Tomás - Oi Tomás.
– Oi gatinha. - piscou.
Fui até a tal Flávia, que fez uma careta de nojo. Que ridícula.
– Oi. - eu disse.
Voltei até o outro lado me sentando perto de Gabriela.
– E ai o que vamos fazer nessa bagaça? - Caio perguntou.
– Borá ligar um som, pedir pizza, fazer um brigadeiro de panela? Depois vemos algo a mais pra fazer. - disse Daniela.
– Boa ideia. - sorri.
– Af! - Flávia bufou, todos nós á encaramos.
– O que foi Flávia? Não gostou? É uma ótima ideia, afinal viemos todos nos divertir. - Guilherme disse.
– Tudo o que vocês disseram engorda.
– Simples gata, é só não comer. - Gabi deu uma piscada.
Nos seguramos para não rir.
A garota não disse mais nada, continuou enrolando com o seu copo de uísque.
Os meninos foram pedir pizza e ligar o som, fui com as meninas para cozinha fazer nosso brigadeiro.
– Quem é ela? - perguntei.
Prendi meu cabelo em um coque, enquanto elas pegavam as coisas. Pois é, eu iria fazer.
– Amiga dos meninos, na verdade eu não vou muito com a cara dela. Só que o Tomás trouxe ela. - Gabriela revirou os olhos.
– Ela é frescurenta demais, sabe amiga? - Dani me encarou.
– Sei, deu pra perceber.
Após elas pegarem as coisas comecei a fazer, enquanto elas duas sentaram no banco do balcão começando a fofocar.
Quando o brigadeiro estava pronto, o levei para a geladeira e as meninas foram lavar a louça e guardar. Voltamos para a sala onde estavam apenas, Gabriel, Tomás e Flávia.
– Oxi, cadê o Guilherme e o Caio? - Gabriela perguntou.
– Desceram para pegar as pizzas. - Gabriel respondeu.
– Ah, sim. - sorriu.
Nos sentamos nós três no mesmo sofá, dobrando as pernas em forma de índio com a almofada em cima.
– E ai loira, já pensou na gente? - Tomás sussurrou.
– Na gente? E existe a gente?
Minhas amigas e Gabriel riram.
– Claro que existe. Somos feitos um para o outro, loiros e gostosos. Só falta você me querer. - piscou.
Antes que eu respondesse, ouvimos tossidas forçadas.
Tomás bufou e eu me aliviei, ele estava tão perto que pensei que iria me agarrar ali mesmo.
Caio e Guilherme haviam voltado e as pizzas estavam na mesa de centro com refrigerantes, e bebidas alcoólicas.
Tudo estava bom, exceto a chatice que era a tal da Flávia, a garota reclamava de tudo.
Fez o maior teatro quando os meninos estavam brincando e deixaram cair um pouco da bebida na saia dela, que mais parecia um pedaço de pano. Fora isso estava agradável, aproveitei para dar um força para que Gabriel fosse conversar e se pegar com Daniela. Quando me dei conta até Guilherme e Gabriela foram em direção aos quartos, que safados.
– Caio por que não vamos ali? - Flávia apontou para a varanda.
– Pra quê? Tô bem aqui. - disse sem dar muita atenção.
– Mas lá podemos ter mais privacidade. - ela beijou seu pescoço.
– Privacidade pra quê? E me solta, não tô afim de ficar com o cheiro desse seu perfume. - ele á afastou.
– O que tem o meu perfume? É Victoria Secrets! - ela berrou, levando ás mãos na cintura.
– Do que adianta ser de marca, se você não sabe escolher? Desencana vai.
Ele se levantou do sofá que estava, se sentando no mesmo que eu.
– Hãn? Você não me quer? Isso é um absurdo, Caio Sherman!
– Me deixa Flávia! Meu lance com você já era, acabou.
– Não, não acabou! - ela se aproximou novamente.
Essa garota não sabe o que é amor próprio?
– Amorzinho, vamos lá em casa vamos? - ela segurou a mão dele entrelaçando seus dedos.
– Não perdi nada lá! E me deixa vai caralho! - ele se soltou tomando mais um gole de sua bebida.
–Droga, Caio! - gritou - Eu vou embora e não quero saber de você mais.
Ela pegou sua bolsa e o encarou, aquele nariz empinado á deixava mais ridícula.
Caio ao menos se mexeu.
Tomás já nem estava mais ali para pelo menos me distrair, depois de ir pegar não sei o quê no carro do Caio, ele encontrou uma garota no elevador. Deu perdido na certa.
– Caio, eu vou embora.
– A porta é ali, depois você chama o elevador, desce até o térreo, sai pela portaria. Ai você entra em um táxi e segue teu rumo.
Levei a mão na boca, para não rir.
– Arg!!!
Ela saiu batendo os pés com tanta força, que eu cheguei a pensar que iria abrir uma cratera no chão. E ainda bateu a coitada na porta, que não tinha nada a ver com raiva dela.
– Garota chata. - murmurou.
– Posso rir agora?
Caio assentiu, e eu comecei a rir.
– Bobona, fica rindo dos outros.
– Chorar que não vai ser, querido.
– Calma, sem patadas. - nós rimos - Mas e você, por que não ficou com o Tomás?
– Ele é muito lindo, mas não curto garotos convencidos como ele, que acha que vai ganhar qualquer uma fácil , fácil. Comigo sinceramente não é assim.
– Primeira menina que vejo falando isso.
– Sou diferente. - disse em um tom brincalhão.
– Eu sei. - ele me encarou todo sério.
– Hãn... Que tal você ir na cozinha comigo pegar mais uma cerveja? - mudei de assunto.
– Medo? - riu.
– Não, porque está tudo claro. - rimos - Preguiça mesmo, e você pode muito bem me levar nas costas. - pisquei.
– Que folgada.
– Vai Caiozinho, please. - fiz minha melhor cara de anjo.
– Tá, vai logo chata. - ele se levantou.
Como já estava descalça a muito tempo, fiquei em pé no sofá.
– Abaixa, Caio!
Ao invés de subir em suas costas fui em seus ombros, era muito divertido, mas eu morria de medo das gracinhas dele.
– Para! Não faz isso! - lhe dei um tapa de leve na cabeça.
– Que tal uma foto pro Insta? Sei que você quer uma com o gostosão aqui - ele piscou.
Estávamos no corredor, em frente á um espelho enorme ao lado da porta.
– Você que quer, uma foto comigo, querido. - pisquei.
– Clari sonhando. - ele riu, pegou seu Iphone no bolso da bermuda e me entregou - Tira ai, vai.
– Ok. - respondi.
Soltei meu cabelo que estava preso e tirei a foto.
Caio pegou o celular, um tempinho depois ele me mostrou a legenda. Tosca, que nem ele.
"Ridícula ♥"
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Fomos pra cozinha.
Caio me colocou em cima do balcão e me fitou daquela forma que eu esquecia até como se respirava, depois de alguns segundos silenciosos ele respirou fundo tirando seu olhar de mim.
– E então, o que vai querer? - perguntou indo até a geladeira.
– Uma latinha de Skol, por favor. - pedi.
– Se Kendra souber o quanto você é cachaceira, ela morre.
– Certas coisas minha mãe não precisa saber. - sorri, abrindo a latinha.
– É, mas eu posso contar.
– Está afim de morrer?
– Quem disse, que iria contar mesmo?
Rimos alto.
– Que horas que é em? - perguntei á ele, que estava sentado no banco ao meu lado.
– São uma e vinte dois da manhã. - respondeu olhando em seu celular.
– Cacete! Preciso ir embora. - saltei do balcão indo em direção a sala.
– Sozinha? Não. Eu te levo.
– Não precisa Caio, e além do mais minha casa é um pouco longe. - fiz uma careta, enquanto calçava minha rasteirinha.
– Mais um motivo pra te levar.
– Sério, não precisa. - pisquei, pegando minha bolsa.
– Vamos logo, Clarissa!
Ele praticamente mandou, enquanto me aguardava na porta já aberta, com as chaves na mão.
– Ok, então. - bufei passando por ele, que riu sarcástico.
Apertei o botão do elevador, que não demorou para chegar. Entramos e descemos até o primeiro sub-solo, fomos até o carro do Caio que era incrivel, se não me controlasse iria ficar como uma idiota com a boca aberta.
– Madame! - ele disse ao abrir a porta do carro para mim.
– Obrigado. - sorri.
– E então, tu me guia beleza? - ele disse, enquanto saia do prédio.
– Uhum. - sorri - Ai caramba, preciso avisar as meninas. - peguei meu celular.
– Era meio chato quebrar o clima daqueles casais, devem estar se comendo á essa hora.
– Caio! - o repreendi rindo - Não fala assim dos meus nenéns.
– Mais é sério. Guilherme e Gabi principalmente, nem tiveram vergonha foram diretamente pro quarto.
– Realmente.
Mandei a mensagem no grupo no WhatsApp, o qual tinha apenas eu, Gabriela e Daniela.
– Não sei porque, eles estão separados. - suspirei.
– É os barracos da Gabi, você conhece o Guilherme tanto quanto eu e sabe que ele não gosta dessas crises dela, acho que nem eu aguentaria.
– Pois é, falta de conselhos não é.
– Ela precisa de um psicólogo, isso sim. - nós rimos.
Fomos o caminho todo conversando, rindo e em algum momento discutindo.
Caio era muito legal, mas sabia que por dentro ele não era uma pessoa tão feliz assim. Eu sentia.
Ao chegar em frente a minha casa, me virei para ele que sorria.
– Obrigado, e desculpa o incômodo.
– Para com isso menina, jamais deixaria você vir embora á essa hora. Do jeito que tem esses maníacos por ai.
– Que imaginação. - revirei os olhos, e ele riu - Bom tenho que entrar, acordo ás cinco e meia para ir pro colégio. - torci o lábio - Tchau, Caiozinho. - beijei seu rosto.
– Tchau, Clari gostosa. - riu, eu lhe dei um tapa - Qual é? Tô mentindo?
– Nunca me provou, pra sair falando isso.
– Não sabemos o dia de amanhã. - me encarou.
– Ok Caio, tchau!
O palhaço apenas riu.
Sai do carro e mandei um beijo no ar, ele mandou outro e me esperou entrar para seguir seu caminho.
Entrei em total silêncio, subi até o meu quarto tirando a sandália, peguei minha toalha e fui até o banheiro tomar um banho rápido e escovar os dentes.
Vesti uma calcinha e o um baby doll vermelho, deixei meu cabelo solto e me deitei, coloquei o celular debaixo do travesseiro e logo adormeci.
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