Meses depois
Meses já haviam se passado desde o dia em que oficialmente comecei a nova fase de minha vida e eu posso dizer com toda a certeza de que nunca fui tão feliz. Eu e John estávamos indo bem nessa nova fase, eu não poderia ter escolhido um homem melhor e a cada dia eu me apaixonava mais.
Por conta do avanço da gravidez tive que me afastar dos negócios, que agora estavam nas mãos da minha braço direito, Emma. As finanças estavam ótimas, a fama do aclamado The Empire só crescia pelos horizontes e o meu nome não foi esquecido, mesmo com o afastamento temporário dos palcos. Inclusive, a espera pelo nascimento das crianças fazia bastante sucesso nas manchetes dos jornais,
A gravidez já estava no limite de seus 9 meses, a qualquer momento eu poderia dar a luz e não podia esperar por isso. Eu não via a hora de finalmente poder segurar meus filhos em meus braços e olhar seus rostinhos. Sentada ao lado da janela eu observava o jardim enquanto acariciava minha barriga.
Como de costume eu comecei a cantar para os pequenos, que adoravam quando eu fazia isso.
{ Música }
Enquanto eu cantava, pude sentir os repetitivos chutes, como se os dois estivessem dizendo "estamos ouvindo mamãe". Minha atenção logo é chamada por um barulho que vinha do piso, olho para o lado e avisto John me observando encostado na parede, com um sorriso no rosto.
— A quanto tempo está ai? - Pergunto envergonhada.
— A tempo suficiente pra aproveitar o show particular. - Ele sorri vindo até mim. - Eu sou tão sortudo por ter a musa de Londres todinha só pra mim. - Se abaixa e me beija suavemente.
— E sempre terá! - Sussurro entre os beijos.
— Você ta linda. - Ele acaricia meu rosto.
— Não seja mentiroso John, olha o tamanho da minha barriga, eu nem sequer passei maquiagem! - Dou risada.
— Pra mim continua sendo a mais bonita das mulheres. - Afirma segurando meu rosto e olhando em meus olhos.
Sorrio ouvindo suas palavras, e encaro seu sorriso genuíno que me levava ao céu em questão de segundos. Ficamos por mais um tempo ali e logo descemos para tomar café. Aproveitemos nosso momento juntos ao máximo, até em certa parte da tarde John ter que sair para resolver alguns assuntos dos Peaky Blinders, na casa de apostas.
[...]
O tédio me consumia dentro daquela casa e minha vontade de sair era imensa, mas por estar prestes a dar a luz, era meu difícil ficar caminhando por ai. Tentando me entreter eu passo horas na biblioteca lendo livros que me faziam viajar sem sair do lugar, histórias magníficas que eu adoraria viver na pele.
— Sr.Hanna, alguns dos convidados chegarem - Amara anuncia.
Tínhamos combinado de jantar em família hoje, então todos viriam para cá essa noite. Logo passam pela porta Tommy, Arthur e Finn que segurava o irmão mais velho nitidamente sofre efeito de álcool e até algo a mais.
— O que aconteceu com ele? Arthur você estava indo tão bem depois de que abriu o clube de luta! - Digo preocupada.
— Pelo visto teve uma recaída, encontramos ele no caminho pra cá. - Finn explica.
— Vem Arthur senta aqui. - O puxo para o sofá e ele tomba para o lado.
— Arthur você vai derrubar a Hanna porra! - Tommy entra no meio e o segura.
— Ta tudo bem Tommy. - Coloco a mão em seu ombro.
Colocamos ele no sofá, enquanto ele falava coisas sem sentido. Arthur estava indo tão bem durante esses meses, conseguiu abrir seu clube de luta que estava fazendo bastante sucesso. Ele estava se reerguendo depois do seu divórcio, bebendo socialmente, longe de drogas, mas algo aconteceu...
Tommy parecia estar estressado e sem saco para mais um surto de Arthur, ele apenas foi em direção ao bar e abriu uma garrafa de uísque. Enquanto isso Finn apenas se sentou na poltrona e permaneceu calado também.
— Falou com o Ethan? - Tommy pergunta.
— Falei ontem, parece que Anne e Oswald ainda estão tentando revogar o testamento e tomar a empresa. - Suspiro. - Depois que se casaram ficaram ainda mais insuportáveis!
— Ethan está controlando bem a situação e os negócios, ele nasceu pra isso. - Tommy elogia.
— Ele sempre gostou do negócio de vinhos, sempre o chamei de especialista. - Concordo.
— Se arrepende de ter passado a sua parte pra ele? - Se senta.
— Nenhum um pouco, foi difícil o convencer, mas eu o fiz ver que ele era a pessoa perfeita pra seguir com o legado de uma forma diferente. - Explico.
— E ele está indo bem, ainda mais agora que pediu Emma em casamento, ter uma boa mulher ao lado é essencial. - Dá um gole na bebida.
— Eles fazem muito bem um ao outro. - Sorrio levemente e me viro para Arthur. - O que foi isso no seu pescoço Arthur? - Viro seu rosto para o lado.
— Não foi nada... - Diz com dificuldade.
— Isso são marcas de cordas...! - O Seguro para tentar ver. - Arthur você tentou se matar?!
— ME DEIXA EM PAZ! - Ele grita.
Com seu grito repentino eu me assusto e pulo para trás.
— O que caralhos deu em você porra?! Fazia meses desde o último surto! - Digo nervosa.
— A Linda tinha razão, eu não tenho salvação... - Ele bate na própria cabeça.
— Para com essa merda, Arthur, - Tommy diz. - Quer saber? Eu já cansei, eu já cansei disso, para com essa merda! - Se levanta e diz em frente ao irmão.
— Tommy. - Chama por ele.
— Parar com o que? - Arthur engole o choro.
— Agora tenho que te tratar como uma criancinha é? - Diz de forma irônica. - Não deixar você chegar perto de armas e perto de cordas, é isso?! - Suspira. - ACHA QUE EU NÃO TENHO PROBLEMAS DEMAIS?! - Grita.
— Para com isso. - Arthur pede.
— ARTHUR, VOCÊ ACHA QUE EU NÃO TENHO PROBLEMAS DEMAIS?! A GUERRA ACABOU, VIRA A PÁGINA, ARTHUR! - Grita nervoso.
— Chega Tommy...! - Peço tentando acalmar a situação.
— Vira a página do livro igual eu virei, ta? - Pede nervoso.
— Igual você virou?! - Arthur diz de forma irônica.
— Pode fazer isso? Igual eu fiz, vira a merda da página! - Cerra os dentes.
— EU NÃO SOU VOCÊ! - Avança em Tommy e agarra sua gola.
— ARTHUR! - Grito tentando o segurar.
— EU NÃO SOU VOCÊ! TODO MUNDO SABE DISSO PORRA! - Sacode Tommy. - FICA FORA DISSO HANNA! - Me empurra.
Assim que o mesmo me empurra, eu me desequilibro e caio no chão sentindo um impacto forte. De imediato seguro minha barriga, sentindo uma dor muito forte.
— HANNA! - Finn corre até mim.
— AI! AI MEU DEUS! - Grito de dor. - TOMMY AS CRIANÇAS! - Grito.
— HANNA! - Tommy grita. - QUE MERDA ARTHUR! - Empurra o irmão.
No mesmo instante o mesmo corre até mim e me pega no colo, enquanto eu gemia de dor sentindo que a hora havia chegado, Tommy corria em direção ao lado de fora da casa.
— Amara liga pro John e e avisa que os filhos dele vão nascer! Diz que eu levei a Hanna pro hospital central! - Ele dá a ordem. - Finn você fica aqui com o Arthur! E aproveita e avisa a todos.
— Sim senhor! - Amara responde.
— AAAA! - Gemo de dor.
— Aguenta firme Hanna! - Tommy pede.
O mesmo corre em direção ao carro e às pressas me coloca no banco de trás, logo ligando o carro e dando partida em direção ao hospital.
[...]
No meio da caminho uma chuva começou, o que estava dificultando nossa chegada ao hospital.
— Aguenta firme Hanna! - Tommy tenta me tranquilizar.
— Eu to tentando...! - Falo com dificuldade.
Alguns minutos depois finalmente chegamos ao hospital, aonde fui levada às pressas pra sala de parto.
— Cadê o John Tommy? - Falo suando frio.
— Ele já deve estar chegando, fica calma. - Passa a mão em meu rosto.
— Ele precisa chegar...LOGO! - Grito de dor.
— Ela já esta com quase todos os dedos de dilatação, em breve entrará em trabalho de parto! - Uma das enfermeiras diz.
As contrações aumentavam mais e mais, era uma dor insuportável, uma dor que eu nunca havia sentido antes. Eu estava suando frio e o nervosismo pela esperando de John só piorava tudo. Eu precisava dele ali, eu não poderia fazer isso sem ele ao meu lado, eu não tinha forças. Afim de aguentar a dor que só aumentava, me levanto e encosto a mão na parede, respirando fundo.
[ P.O.V JOHN ]
Eu estava prestes a ir para casa quando recebi uma ligação de Finn avisando que Hanna finalmente entrou em trabalho de parto e estava indo para o hospital. Feito louco eu rapidamente saio do escritório sem me importar com a chuva e entro no carro. Piso fundo no acelerador mesmo com a tempestade ficando mais forte.
— Que merda! - Bato no volante.
A estrada estava péssima por conta da tempestade, o que estava fazendo a lama fazer o carro ficar mais lento e escorregar no asfalto. Eu não estava nem aí para nada, apenas queria chegar a tempo de ver meus filhos nascerem e ficar ao lado de Hanna.
[...]
Eu estava quase chegando ao hospital quando sou pego de surpresa por um animal no meio fa estrada, assim que desvio o carro desliza pela pista e eu bato em uma árvore. Por sorte o impacto não foi tão forte, o que causou apenas um susto e um pequeno corte em meu rosto. Rapidamente saio do carro e começo a comer no meio da chuva em direção ao hospital, que ficava um pouco à frente.
Às pressas entro no hospital e desordenado corro pelos corredores, até que avisto Tommy e Ada no corredor e corro até eles.
— Finalmente! - Tommy diz.
— Cadê ela??? - Digo ofegante.
— Ta lá dentro, vai!!! - Me empurra.
Ainda do lado de fora eu já consigo escutar os gritos de Hanna, que desesperadamente me fazem entrar no quarto. Ao seu lado estava Polly segurando sua mão, e assim que ela me vê eu vejo o alívio em seus olhos.
— John! - Ela chama por mim.
— Eu cheguei meu amor! Eu to aqui! - Seguro sua mão fortemente e a beijo.
— Ela está pronta! - O médico diz.
Hanna então entra de fato em trabalho de parto e eu estava ficando louco ouvindo seus gritos de dor e não podendo fazer absolutamente nada. Eu sabia o quão forte minha mulher era, e sabia que ela daria tudo de si pra trazer os nossos filhos ao mundo.
— AAAA! - Ela grita.
— Força Hanna! - Polly a incentiva.
Hanna então tenta respira fundo e mais uma vez faz força.
— Eu já posso ver a cabecinha, mais uma vez! - O médico diz.
— Vamos lá meu amor! - Não solto sua mão.
— 1...2...3...AAAAAA! - Ela grita fazendo força.
Um único som então chama minha atenção, o som mais bonito que meus ouvidos já foram capazes de ouvir. O choro do bebê, que agora estava nos braços do médico.
— É um menino! - Ele diz.
— Um menino... - Meus olhos enchem de lágrimas.
O choro doce do recém nascido tomou conta do quarto, e eu estava paralisado o olhando, era a criaturinha mais perfeita que já vi e era minha. Observo a enfermeira o levar até um pequeno berço, para cortar o cordão umbilical, mas logo minha atenção volta a Hanna.
— Vamos lá Hanna, mais uma vez, falta o segundo bebê! - O médico diz.
— Eu...não...consigo...! - Hanna diz chorando.
— Ei! Ei! É claro que você consegue! Vamos fazer isso juntos meu amor, tabom? - Seguro seu rosto com delicadeza.
— Tabom... - Ela assente.
— 1...2..3... - Conto. - E...
— AAAAAAA! - Hanna faz força.
— Mais um pouco! - O médico pede.
— AAAAAAAAAA!!! - Ela grita.
Mais uma vez aquele som maravilhoso se fez presente, o segundo bebê havia nascido e mais uma vez eu fiquei paralisado.
— Parece que temos um casal, é uma menina! - O médico sorri.
— Um casal... - Sorrio deixando algumas lágrimas caírem.
Hanna finalmente pareceu parar de sentir dor e antes que pudesse ver os bebês, a mesma acabou desmaiando de cansaço. Enquanto eu ficava ao seu lado, os bebês foram levados para tomar banho e trocar de roupa, Ada foi junto para se certificar de que ninguém estranho chegasse perto deles.
— Ela ta bem né? - Pergunta Polly.
— Ela só precisa descansar. - Polly diz ajeitando o lençol de Hanna.
Fiquei por um tempo com Hanna que desde então permaneceu dormindo feito um anjo, ela havia se esforçado tanto para trazer nossas crianças ao mundo, merecia esses descanso. Recebo então a notícia de que as crianças já estavam no berçário e decido ir até lá. Caminho de maneira ansiosa até lá e ao chegar vejo que praticamente quase toda família estava lá babando no vidro, incluindo Tommy, Ethan,Emma, Ada e Charlotte.
— Finalmente o mais novo papai chegou. - Ethan diz me abraçando de lado.
— Aonde eles estão? - Procuro com o olhar.
— São aqueles dois anjinhos ali com os berços juntos. - Ada aponta.
Assim que meus olhos foram dr encontros aos dois pequenos, senti um grande impacto no peito, algo tão grande me consumiu, capaz de me paralisar. Era como se só de olha-los algo nasceu dentro de mim, algo que eu nunca havia sentido antes, um amor incondicional. Eles eram tão pequenos e inocentes, tudo que eu queria agora era ser digno de ser o seu pai.
— Eles são lindos... - Digo colocando a mão no vidro.
— Os gêmeos Shelby. - Tommy diz sorrindo.
— Como se sente John? - Ada pergunta.
— Me sinto completo, como se tivesse finalmente achado a última parte que faltava em mim. - Respondo seu tirar os olhos dos bebês.
— E você achou. - Ada sorri.
[ P.O.V HANNA ]
[...]
Abro meus olhos lentamente, sendo supreendida pela forte luz do quarto do hospital. Suspiro profundamente despertando de meu sono...
— Pensei que só fosse acordar amanhã. - John diz se levantando da poltrona.
— John por favor me fala que eu consegui...! - Seguro sua mão preocupada.
— É claro que conseguiu! E trouxe ao mundo duas miniaturas nossas. - Ele sorri de ponta a ponta. - Um menino e uma menina.
— Um casal!? - Falo surpresa. - Eu quero vê-los! Por favor John me deixa ver os nossos filhos. - Peço de forma ansiosa.
— Eu vou buscar eles! - Me dá um beijo na testa.
John então sai do quarto de forma animada e eu permaneço na cama o esperando voltar. Alguns minutos se passaram até John voltar empurrando um berço, assim que o mesmo entrou e eu vi as crianças senti meu coração acelerar.
— Ai meu Deus... - Meus olhos enchem de lágrimas.
— Eles dormem muito! - John ri. - Esse é o nosso menininho... - John o pega e me entrega. - Consegue segurar os dois?
— Claro! - Assinto emocionada.
— E essa é a nossa menininha... - Coloca em meus braços.
Assim que pego os dois em meu colo, encaro seus rostinhos fascinada no quão lindos eles eram.
Eu não podia acreditar que havia sido capaz de trazer não somente uma, mas duas vidas a esse mundo. Eles eram nossos, meu e de John, eram parte da gente, fruto do nosso amor. Pela primeira vez eu sentia que havia feito algo genuinamente certo, dentro de mim algo novo nasceu, como se ao bater meus olhos neles, eu tivesse me tornado diferente. Eu estava sentindo um amor tão grande que não cabia dentro de mim, eu literalmente estava segurando o meu mundo todo em meus braços.
— Que tal darmos os nomes agora? - John diz pegando a menina no colo.
— Acho uma ótima ideia. - Sorrio pra ele. - Você primeiro.
— Ela se chamará Alana, aquela que está sempre a frente. - John diz olhando-a.
— Alana... - Sorrio. - Harmoniosa, formosa e marco de conquista. - Me recordo de alguns significados do nome. - Eu adorei!
— Ela com toda certeza vai seguir o seu legado. - John diz me olhando. - E o nosso garoto, como vamos chama-lo?
— Ele se chamará Anthony, aquele que é digno de apreço. - Acaricio seu rostinho.
— Anthony...Valioso e de valor inestimável. - John sorri genuinamente dizendo o significado.
— Alana e Anthony. - Digo dividindo meu olhar entre eles. - Que vocês sejam melhores do que um dia fomos. - Sussurro para não os acordar.
— Eles serão... - John se senta ao meu lado na cama.
E ali ficamos presos em nosso próprio mundinho, agora cuidando dos nossos pequenos mundinhos em forma de gente. Eu agora me sentia completa e imensamente feliz, eu nunca mais me sentirei sozinha novamente...!
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E infelizmente venho noticiar que o nosso próximo capítulo será o último. Eu prometo que será perfeito e vocês vão amar!
Estou tão feliz e ao mesmo tempo triste de saber que finalmente chegamos ao fim dessa épica trajetória. Irei sentir muita falta, mas sei que vocês não vão me abandonar e vão acompanhar a minha nova obra que já está prontinha para ser lançada.❤️🩹
Não esqueçam de passar no TikTok @wolf.shelby que tem vídeo novo dedicado a esse capítulo!❤️🩹