Ela entrou no apartamento e logo trancou a porta. Foi um plantão longo. Não que ela realmente precisasse ficar até tarde, mas gostava de orientar e auxiliar os que estavam começando, sem falar que alguém sempre precisava dela.
As coisas estavam um pouco tensas naquelas semanas. Logo Sakura assumiria a direção do hospital e isso estava a deixando com os nervos à flor da pele. Rumou para a cozinha. Pegou um lamen instantâneo e colocou-o para aquecer no microondas. Sorriu involuntariamente com aquela janta simples que a lembrava dos antigos colegas de equipe.
O que Sakura mais sentia falta era da companhia deles. Naruto falando sem parar. Sasuke emburrado em um canto, mal abrindo a boca. Kakashi fazendo alguma graça, mas logo desistindo de manter a pose e pegando aquele livro de enredo duvidoso.
Sentiu os olhos ficarem marejados. Sua garganta deu um nó.
Desejou que tivesse alguém ali para perguntar o que aconteceu, para a confortar e dizer que tudo ficaria bem. Sakura era, apesar do que parecia, muito sozinha. Sempre foi ela por si mesma. Nunca contou com o real apoio de alguém.
Sua mãe e seu pai sempre a trataram com certa indiferença e faziam "piadas" bastante duras sobre sua aparência e personalidade. Isso fez com que ela desenvolvesse baixa autoestima e tentasse fingir ser quem não era para ter a aprovação dos outros, além de que poucas vezes se sentia confortável na presença dos próprios pais.
Amigos? Teve Ino e durou por um tempo. Elas se davam bem. Sakura pensou que nunca brigariam ou se afastariam, mas as coisas frequentemente não ocorrem conforme planejado e elas brigaram e se afastaram por um motivo tão ridículo que Sakura sente vergonha só de lembrar.
Então ela entrou no Time 7 e as coisas também foram um pouco... complicadas.
Naruto gostava dela e queria sua atenção, por isso a elogiava e sempre a colocava para cima. E assim como, mesmo quando Sasuke era grosseiro com Sakura, ela não desistia dele, Naruto também não estava disposto a desistir, mesmo quando ela era insensível com ele.
Sakura, por outro lado, achava que se conquistasse o amor de Sasuke, poderia provar para os pais que eles estavam errados, por isso fazia qualquer coisa para chamar atenção do garoto — incluindo humilhar Naruto. Não fazia muitas coisas nas missões e nem se esforçava muito. Naruto, Sasuke ou Kakashi sempre apareciam para salvá-la e nunca a deixavam exposta ao perigo. Então, porque ela deveria correr com todas as forças se sabia que iria ganhar a corrida de qualquer jeito?
Sasuke, bom, ele não gostava de ninguém. Um dia, foi uma criança feliz e com sonhos, mas após aquele dia, isolou-se em um casulo, com medo de perder mais alguém, de se machucar. Para garantir que não sofreria mais, cobriu-se de orgulho e arrogância, garantindo que ninguém chegaria perto. Aquela criança alegre, tornou-se um pré-adolescente introvertido, com dificuldade de confiar nas pessoas e que se sentia desconfortável com toda a algazarra criada pelos outros dois companheiros de time.
E tinha Kakashi também. Ele era como Sasuke, só que mais velho e mais experiente. O passado dele era um mistério para os gennins, mas mesmo assim, eles o admiravam e respeitavam. E Kakashi acreditava nos alunos, ou melhor, acreditava em Naruto e Sasuke. Para ele, Sakura tinha preocupações triviais demais e por isso, mesmo quando notou o controle perfeito de chakra, não a mandou para um treinamento médico ou de genjutsu e não deu tanta atenção a ela como para os outros dois.
Apesar disso, as missões que faziam juntos eram sempre a melhor parte do dia da garota. Ela sentia tanta falta disso. De saber que pertence a algum lugar. Mas nem mesmo aquela fase boa, não tinha sido assim tão boa para ela. Quando achou que as coisas estavam melhorando e que eles estavam desenvolvendo confiança um nos outros, Sasuke fugiu da vila, Naruto saiu para treinar com Jiraya e Kakashi ficou tão afastado que era como se nunca tivesse feito parte da vida da garota.
KAMU SEDANG MEMBACA
Alone
Fiksi Penggemar"Ela é forte, mas está cansada". A frase veio à cabeça de repente. Quando leu isso pela primeira vez, e nem se recorda onde, achou a frase dramática, exagerada. Mas agora, como uma piada de mau gosto, percebia que podia facilmente referir-se a ela. ...
