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E está de volta!

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Embaixo de um céu nebuloso, sobre uma vasta terra escura e desértica há uma tenda. Seu tecido se agita com o bater suave do vento e é possível ver escapar, através de pequenos rasgos, a iluminação que resguarda. Esta mesma claridade acaba projetando inúmeras pilastras de sombras, de tamanhos desiguais, que oscilam quando uma silhueta humanoide passa defronte a elas.

Ao entrar na pequena habitação, logo se percebe que a luminosidade se origina de uma fogueira e ao seu redor se encontram várias pilhas de livros entre as quais vagueia uma figura encapuzada. Num canto mais isolado está localizada uma escrivaninha em ruínas, sobre os escombros há papéis, tinta derramada, lascas de vidro, capas para encadernação, penas espalhadas e o que aparenta ter sido uma cadeira.

A entidade folheia pelo acervo com pressa, entretanto demonstra um forte autocontrole em não desorganizar os livros, deixando-os alinhados. Subitamente se interrompe e gira o corpo em direção à entrada da barraca. Seu rosto é oculto por uma máscara que carrega um semblante isento de emoções, além disso possui cada metade da face de um material distinto, a ocidental de obsidiana e a oriental de porcelana; mas apesar de possuírem composições e cores diferentes ambas refletem com a mesma intensidade o fulgor da luz.

Sussurros e ganidos se infiltram na tenda, acompanhados por uma ventania árida. Vibrações viajam pelo solo, como se uma manada se aproximasse. Esses eventos vão se intensificando até o ponto que são capazes de escancarar a porta da barraca e de fazer seus suportes rangerem. Ao longe, na desolação exterior, lampejos brancos e delgados se chocam dentro de um nevoeiro tempestuoso.

A figura mascarada observa a névoa por alguns segundos e então se dirige aos destroços de seu antigo móvel, caminha mantendo sua postura ereta não se abalando diante dos tremores, chegando neles se ajoelha e começa a organizar as folhas caídas com calma até que as colunas de livros cedem e se espalham devido às incessáveis trepidações.

Seguidamente é emitido um "crack" seco e o aspecto finaliza o empilhamento com impaciência; se ergue, segurando as páginas encostadas em seu busto, e sai de seu abrigo, assumindo um porte severo e cravando o olhar sobre a névoa. Sobre seu olho direito agora há uma rachadura estreita.

Cada vez mais as brumas ocupam o horizonte, os relâmpagos pálidos aumentam de tamanho consequentemente e dão o contorno para incontáveis fisionomias que constituem o nevoeiro em si. Elas possuem traços divergentes ou convergentes dependendo da área em que estão: as próximas do solo apresentam formas de selvageria ou horror; as mais elevadas são agradáveis ou benevolentes; já as centrais disputam pelo controle da região em meio de uma dança rodopiante e voraz, com aparências que expressam concupiscência. A maioria oscila o próprio formato com frequência, exceto as superiores que o fazem lentamente e entre elas existem duas figuras que não se alteram: as de um homem e um menino, ambos seguram violões.

Conforme a tempestade se aproxima a algazarra aumenta: gemidos, golpes, gritos, grunhidos e música, derivada principalmente dos dois violonistas. Quando está quase de frente ao aspecto encapuzado a névoa desencadeia um procedimento de afunilamento, concentrando toda sua massa em um ponto central; os olhos permanecem alertas durante todo o processo, formando um redemoinho de globos oculares e fumaça. Encaram a figura mascarada que permanece impassível durante o processo todo. As faíscas brancas se dilatam e estouram os olhos, seus vestígios são direcionados ao núcleo da nuvem onde iniciam um processo de fusão.

Após todos os olhos se dissiparem, uma máscara de aspecto carnoso e terroso flutua para fora. Composta por fragmentos que vibram ao se movimentar, o que restou da névoa a persegue, similar a uma cauda, o que lhe concede um aspecto serpentino. Pairando defronte a outra entidade, pergunta:

— O que houve? Seu rosto! Está se instabilizando? — a voz muda a tonalidade a cada pausa que faz simultaneamente com a sua expressão, as lascas aparentam estarem vivas e deslizam entre si moldando sua face: no primeiro intervalo, uma entonação inocente combinada de um rosto curioso; no segundo, um timbre mais agudo acompanhado de fascínio; no último, tom de escárnio e dissimulação num sorriso torto.

As Lágrimas das MáscarasStories to obsess over. Discover now