A ÚLTIMA CAÇADA

21 5 0
                                        

[ Pennywise ]

— Vem brincar comigo! — A voz do palhaço era animada e convidativa, porém a menina estranhou seu sorriso.

— Por que está em um bueiro? — Ela indagou, começando a se afastar.

— É minha casa... — A voz agora soava triste e penosa. — É tão solitário... Poderia me fazer companhia?

— Mas eu nem... Eu nem conheço você!

— Eu me chamo Pennywise! E você?

— Gen.

— Agora nos conhecemos!

O sorriso novamente, Gen sentiu um arrepio.

— Eu tenho que ir pra casa...

— Brinca comigo, só um pouquinho? Eu estou tão triste...

— Só um pouco.

— Sim, sim! Vamos ser amigos!

Ele estendeu a mão para fora do buraco e Gen apertou com receio.

Antes que conseguisse gritar, o palhaço a puxou com imensa velocidade para dentro do bueiro.

A única pista de que alguém havia estado ali foram as pequenas gotículas de sangue que respingaram para o lado de fora.

E essa foi sua primeira vítima de 2020.

***

A noite estava chuvosa enquanto a garotinha esperava alguém, usava uma capa de chuva branca e estava sozinha, olhava bastante para os lados e sua expressão era triste.

O sorriso de Pennywise se alargou, porém, antes que falasse algo, a menina começou a andar. O palhaço saiu de seu esconderijo e começou a segui-la.

Observou ela entrar na casa abandonada, e a acompanhou enquanto fazia seu tamanho crescer.

E foi com grande surpresa que observou a garota entrar por uma pequena portinha na parede.

***

[ Bela Dama ]

— Puxa....

Ela olhava para a janela, uma janela específica, da qual ela poderia ver perfeitamente o jardim florido com seu rosto. Cabelos cor de fogo esvoaçante, bochechas rosadas e pele esbranquiçada como a neve.

— Meu outro pai que fez pra mim... Hummrn, mas que cheirinho bom é esse? Será que a mamãe está fazendo o seu frangão?!

— Cheryl! É você?

— Olá!

— Vai lá chamar seu pai, ele está trabalhando.

— A senhora quer dizer meu outro pai!

— Seu melhor pai, querida, ele fez um pequeno poema, vai lá ouvir, e diga que o jantar com comida de café já está na mesa.

Antes que Cheryl pudesse dizer algo, sua "mãe" colocou uma amora bem doce em sua boca.

Ela comeu tudo no caminho pro escritório de seu pai, e ao entrar nem percebeu a presença de um ilustre personagem colorido, que estava a observando da sala. Pennywise, o palhaço dançarino, que entrou espremido pela pequena porta, seguindo a pequena.

— Oi! Ela me pediu pra te avisar que o jantar com comida de café da manhã está pronto. É.... Comida!

— Escrevi algo pra você. Quer ouvir?

Ela responde com um sorriso de canto de boca como se dissesse: "Claro pai, amo quando você escreve".

Ela sentia falta disso no seu pai verdadeiro, pois ele não escrevia para ela, embora Cheryl gostaria muito.

"Cabelos fogo de janeiro, brasas no inverno, meu coração também queima"

— O que acha?

— Perfeito pai. É pra ela?

Cheryl pergunta se referindo a sua outra mãe.

— Dessa vez esse é pra você!

Embora a Bela Dama tivesse dito que ele tinha escrito para Cheryl, ela nem sempre prestava atenção...

Depois do jantar, eles a colocaram para dormir, mas Cheryl se sentia estranha, como se tivesse alguém no seu quarto, ela tinha a sensação de alguém estar respirando em seu pescoço. Era aterrorizante e paralisante.

Quando ela olhou para a janela, ele estava lá, de pé, observando, encarando com desejo. Até que começou a falar sobre seu retorno.

— Durante 27 anos eu esperei por você, eu desejei você, eu quis estar com você!

Um grito pôde ser ouvido da sala de jantar onde a Bela Dama estava.

— Cheryl!!! Você está bem?

Ela correu em direção ao quarto da menina, quando abriu a porta, ele estava sobre a cama da menina, com a boca aberta e olhos arregalados.

— Essa criança é minha! Saia de cima da minha menina!

Pennywise viu a aparência da mulher mudar e ficar em posição de ataque. Franziu a testa com raiva e sua boca se abriu ainda mais, mostrando seus dentes para a mulher.

— Minha!!!!

As vozes se chocaram.

***

AUTORIA: Vitória Fonsêca

ILUSTRAÇÃO: Beatriz Pontes

A Última CaçadaStories to obsess over. Discover now