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Seoul, Koréia.
16 de Junho de 2020.

Você olha para os lados e não consegue ver um olhar se quer que transmita confiança. Você está sozinho e não sabe se pode confiar nem em sí mesmo, o soar do sino ecoa por todos os cantos, um aviso do que estava por vir. Todos se olham, ou quase todos, uns somem a cada soar, é um tic tac de pessoas, em segundos tudo e todos que você conhece somem, e então você se vê sozinho novamente.
Bom, eu me sinto exatamente assim, o sino pode soar a qualquer momento então preciso ser rápido.
Restaram apenas dez dos vinte e três, quem será o próximo? E quem está causando todo esse conflito? Ele ainda está entre nós e eu preciso saber quem.

[...]

Mamãe dizia que enquanto as crianças brincavam no parque, eu jogava pedras no rio para saber qual iria mais longe. Isso pode ser algo normal de uma criança fazer, mas não quando você tinha cinco anos e zero noção das coisas.
Bem, era o que ela me dizia.
Eu corria. Corria. Minha garganta seca e meu coração pulava, podia o sentir saindo para fora. Olhava para trás e ele me alcançaria se não fosse mamãe chegar a tempo. Eu deveria saber que crianças não brincam sozinhas perto de rios, eu só deveria.

— Você está bem? Filho quantas vezes eu vou ter que repetir para você não ficar longe de mim? —

Seu olhos estavam fixos aos meus e sua mão segurava meu pequeno pulso avermelhado pelo contato. Caminhamos até um pequeno chalé que se encontrava à dez minutos dali. A população era pequena, todos eram amigos e se conheciam. Bom, nem todos. Eu e mamãe nos mudamos para lá no outono do ano passado depois da morte de meu pai, era o único lugar que podíamos chamar de casa e mesmo assim não me sentia em casa.
No meu décimo terceiro aniversário as coisas estavam começando a ficar difíceis, então minha mãe decidiu que iríamos nos mudar, tinha conseguido um bom emprego na cidade vizinha. Era uma grande chance de termos um recomeço. Eu queria que ficasse tudo bem, eu precisava que ficasse, não queria perder o controle, não agora.

Eu realmente não sei como, ou quando começou, eu apenas sentia essa ira crescendo dentro de mim. Era como se algo estivesse me controlando, não havia motivo, eu apenas...sentia.

Na oitava série eu apresentava transtornos, bem, pelo menos era o que mamãe fazia eu acreditar. A causa de tudo isso talvez tenha sido ela, ou eu posso estar mentindo sobre isso também. Isso é um aviso, estou Ihe dando o poder de confiar ou não em mim, todas as suas escolhas irão refletir no final de tudo isso, eu espero que saiba muito bem escolher. E quem eu sou? Acho que perderia a graça se eu contasse.

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⏰ Last updated: Jan 11, 2021 ⏰

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The iland killerWhere stories live. Discover now